Justiça atende pedido da Câmara e acaba com sigilo do processo contra Gustavo

Números dão conta de que mais de R$ 600 mil teriam sido desviados em apenas duas obras

Na tarde da quarta-feira 15/06, poucas horas após o prefeito Gustavo Cancellier retornar ao seu cargo na Prefeitura, a notícia que chegou aos urussanguenses foi de que o Juiz Federal da TRF4, Dr. Nivaldo Brunoni, proferiu decisão no sentido do levantamento do sigilo sobre a Ação Penal Nº 5047768-47.2021.4.04.0000 que tramita na Justiça contra o prefeito Gustavo.

O pedido foi feito pelo presidente da Câmara de Vereadores de Urussanga- Elson Roberto Ramos- Beto Cabeludo.

Com a liberação, as informações puderam ser acessadas por todos no site do Portal da Justiça Federal da 4ª Região, e os levantamentos apresentados mostram números bastante expressivos de uso indevido de recursos públicos.

Na pavimentação da estrada geral do Rio América Baixo, a denominada UR21, os números indicam que houve um superfaturamento de 1.076% e na da Rua Sílvio Ferraro, o superfaturamento chegou na casa dos 161%.

Os desvios seriam de, respectivamente, R$ 308.152,45 e R$ 355.390,46, verba oriunda de contrato de R$ 14,5 milhões celebrado, em 2018, pela prefeitura municipal com a Caixa Econômica Federal, por meio do Programa de Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento -Finisa.

Vale lembrar que no dia 19 de maio passado, a 4ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região recebeu denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra o prefeito Luís Gustavo Cancellier e mais 11 pessoas. O grupo seria responsável por um esquema que teria desviado mais de R$ 663 mil em verbas públicas federais na execução de obras do município.

Cancellier é acusado de chefiar uma organização que teria superfaturado a quantidade de horas de serviços prestados por máquinas utilizadas em obras de duas ruas da cidade. Os contratados emitiam notas fiscais apontando números não condizentes com aqueles efetivamente executados, esquema que envolveu também o irmão do prefeito, funcionários públicos e os próprios responsáveis pelas empresas.

Os fatos ocorreram entre 2019 e 2020, sendo que os questionamentos dos vereadores e do então vice-prefeito sobre dados e informações das obras eram encobertos, sobretudo pela chefe de gabinete de Cancellier.

Além do desvio de verbas públicas federais, o MPF acusou os envolvidos pelas práticas de organização criminosa, sonegação de documentos e falsidade ideológica. Também foi pedido, a título de reparação do dano, a devolução mínima de R$ 663.542,91, incidindo juros moratórios desde a época dos eventos. Com o recebimento da denúncia, os acusados se tornaram réus e responderão ao processo perante o TRF4.

Sendo assim, prefeito Gustavo precisará continuar se defendendo na Justiça Federal e, no âmbito municipal, na Comissão Processante que, a pedido do ex-vereador urussanguense Julio Bonetti esta semana, deverá ser instaurada na Câmara de Vereadores de Urussanga.

Para Gustavo, que afirma categoricamente ser inocente, é chegado o momento de aproveitar a oportunidade de uma CIP, para mostrar a toda a população as provas de sua inocência em todas as denúncias até agora feitas.