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  • Foto do escritorJORNAL PANORAMA SC

Sindicato dos Mineiros - o esforço para continuar existindo


“Eu não tenho salário, faço um trabalho que se pode até dizer que é voluntário. Tiro do meu próprio dinheiro para comprar água e papel higiênico para o Sindicato”.

Essas são palavras de Manoel João da Silva - Neno, o presidente do chamado Sindicato dos Mineiros de Urussanga, que agrega profissionais que trabalham na área extrativista na região.

Segundo ele, atualmente a arrecadação do Sindicato é de R$ 3 mil por mês e não é suficiente para todas as despesas, mas a luta para manter vivo este órgão é constante.

O motivo destes números que mostram uma linha decrescente na história do Sindicato, certamente é o fechamento das minas de subsolo e a restrição das atividades mineradoras a céu aberto que causaram muitas demissões ao longo dos anos, fazendo com que os antigos mineiros buscassem outras profissões.

“Até 1992, o Sindicato dos Mineiros era uma entidade forte, com poder de representar uma classe e sempre mantinha uma média entre 1.200 a 1.500 filiados. Atualmente estamos com apenas 60 filiados, o que revela a nossa fragilidade e mostra qual será nosso destino” afirmou Neno ao acrescentar que sua participação vai além dos preceitos do sindicalismo de classe.

“Eu venho para o Sindicato para ajudar. Então não me furto de prestar serviços para pessoas que trabalham em outros ramos.

Aqui, eu faço de graça o atendimento a funcionários de empresas da cidade para elaboração de vários documentos, que vão desde rescisão de contrato até pedido de aposentadoria.

Enquanto estiver na presidência, vou buscar meios de manter vivo nosso Sindicato e também de ajudar nossos cidadãos” concluiu Neno.


Da redação

Só para se ter noção da importância que este Sindicato já teve no contexto da história urussanguense, a disputa pela Diretoria sempre foi considerada um grande momento, com agentes político-partidários tentando manter influência não somente para se beneficiar com simpatizantes na hora em que precisariam de votos mas também para servirem de mediadores entre sindicalistas e companhias mineradoras.

Mas, enquanto se percebe o início do fim de um Sindicato de classe em Urussanga, é triste registrar que os problemas ambientais ocasionado pela atividade, continuam cada vez maiores.

Ao final, mineiros ficaram sem empregos e Urussanga com graves problemas ambientais.

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