SERGIO MAESTRELLI

LUCAFO

Lucafo *12-10-1956 +27-01-2022



Norberto Lorenço Bez Batti na certidão de nascimento. Para nós, Lucafo.

Ele nasceu no dia da padroeira da nação brasileira. Do amigo de toda uma vida. Da infância à terceira idade.

Uma amizade que a cada dia comigo e com todos se ampliava com fatos novos e sempre alimentada pela lembrança dos fatos passados, de um tempo bem vivido.

Das imagens da infância com os amigos da Rua do Sapo, cuja época que vivemos foi de ouro puro. O nosso mundo era a Rua do Sapo.

Tinha carocha, tinha sapo, tinha goiaba, tinha uva, tinha amora silvestre, tinha coleirinho, tinha piriá, tinha canário, tinha sabiá, não é mesmo, Derdi?

Tinha trampolim para pular nas montanhas de serragem da Marcenaria do Giordani, tinha balsas com troncos de bananeira para navegar pelo Rio Urussanga. Tomávamos banho de chuva no verão e deitávamos nas valetas das ruas para recebermos aquela água barrenta cor do ouro que descia dos morros. Fazíamos turismo nas caçambas e no canal do Adão.

Tínhamos borracha para as fundas na Borracharia do seu Zelindo de Brida. Tinha balas no armazém da Salute. Ouvíamos os conselhos da Dona Aurora. Descíamos os morros, ora com barcas de coqueiro, ora com carretilha ou com bicicleta. Tínhamos o campo com bola de pneu, sempre consertada pelo Dema na Sapataria do Fidêncio.

Tínhamos o pastel da Dona Edite. Chupar gelo quando chegou a época da geladeira Consul era uma festa e tanto! Vimos chegar a TV Piratini canal 5 preto e branco com chuvisco. Aos domingos com o ouvido colado no Radio para ouvir o Vasco, Palmeiras, Corinthians, Botafogo, Flamengo. Daí o apelido Nengo. Vestimos o uniforme azul e amarelo nos tempos do Canarinho Futebol de Salão, não é mesmo Vicente? Saímos da infância e da adolescência e entramos na juventude.

Sem carro, sem dinheiro, procurando namoradas e procurando um caminho na vida. Você na antiga Telesc da César Mariot e eu no Tabelionato Pereira da Presidente Vargas.

Em 1976, na Telesc nos debruçamos nas apostilas do Curso Mauá, cedidas pelo amigo Arnaldo Zanatta Contessi para enfrentar o vestibular. E lá fomos nós para Pelotas, quando muitos diziam: “Rumo a Pelota, rumo à Derrota”. Vencemos.

E foi em Pelotas, numa festa da República de Urussanga&Orleans, que o Hélio Pizolatti te apelidou de Lucafo.

Lucafo colou e Lucafo ficou.

Veio o emprego na Ceusa, veio o Sbórnia, veio o Grupo Lua Nova, veio a PD Sistemas. Depois veio a Maria e ele feliz nos escreveu uma carta para Timbó no Vale do Itajaí. E nós respondemos que ele então acabava de compor a mais importante canção de sua vida.

Ele era a letra e a Maria, a melodia. Veio o casamento em Timbé do Sul, num momento de grande festa, grande alegria e meia tonelada de foguetes que abafou o som do sino da Igreja.

Quando o padre efetuou a pergunta tradicional do “Norberto, aceita Maria”, o coro de amigos, gritou: Lucafo. O padre entendeu o recado e repetiu a frase “Lucafo, aceita Maria...”

Veio a Vitória, veio o Stéfano. Dizem que até as flores tem o seu destino e a sua sorte.

Enquanto umas enfeitam a vida, outras enfeitam a morte. Olhe, Lucafo, quantas flores e quantos amigos. São flores dos Amigos da Rua do Sapo, Amigos do Canarinho, Amigos do Sbórnia, Amigos do Rio Hipólito de Orleans, Amigos do Flamenguinho, Amigos do Morro do Sapo, Amigos da PD Sistemas... Amigos, Amigos, Amigos.

A cada sepultamento de um amigo, nos vem à mente a brevidade desta vida terrena provisória e carregada de fragilidade. Por isso, que esse tempo aqui vivido tem que ser um tempo de investimento.

O investimento de que eu estou falando é o investimento em amigos, em bons momentos. Apenas isto restará, não é mesmo padre Valdemar Carminati?

Pe, Carminati não sepultou apenas uma pessoa amiga. Sepultou a própria amizade.

Nunca essa virtude se incorporou tanto na alma humana como ela se incorporou no Lucafo.

E você foi um verdadeiro mestre em fazer amigos. Lucafo, hoje é um dia daqueles em que voltamos para casa não com a sensação, mas com a certeza de que os caminhos ficaram mais estreitos, mais sufocantes, o chão parecendo areia movediça e dentro de nossos corações, a sensação de um grande espaço vazio. Voltamos para casa duramente empobrecidos.

Grandes amigos partem e deixam para nós um grande espaço vazio, mas deixam também grandes momentos vividos. E levam partes da gente também.

Perdemos um grande amigo. Perdemos um pedaço de nós. Lucafo sempre foi a mão amiga, conselheiro, apaziguador, alegre, inspirador, olhar inigualável, paciente, dono de uma serenidade, acalmava qualquer tempestade. Era um poço inesgotável de companheirismo. Não é mesmo, Paúra?

Era um poço de amizade, concórdia e de energia positiva. Especialista em fazer amigos, que você viva na amizade do Senhor e que a Maria, Vitória e Stéfano e a irmã Zélia recebam de Deus a serenidade e a paz em seus corações.

Que você, Lucafo, se encontre com seu Amélio, Dona Olivia, Lucas, Amauri, nossos vizinhos de porta da Rua do sapo. E um dia haverá um reencontro com todos os seus amigos, porque nós acreditamos na vida eterna. Se não existir vida em outra dimensão, então esta vida aqui foi uma grande farsa.

E sabemos que ela não é. O livro sagrado nos diz que os filhos são a extensão dos pais. Então, o Lucafo permanece vivo na Vitória e no Stéfano. Escrevemos este texto em nome da Maria, da Vitória, do Stéfano e de sua irmã Zélia. Escrevemos em nome dos amigos da Rua do Sapo e dos milhares de amigos que você conquistou fora dela. E esta página constitui também a homenagem do Jornal Panorama.


URUÇUCA


Com a tragédia das águas no Estado da Bahia, descobrimos que o estado baiano não tem um município chamado Urussanga, mas tem um município chamado Uruçuca.

Urussanga significa águas frias.

Já Uruçuca significa águas escuras, lugar das abelhas.

Tanto Urussanga quanto Uruçuca são palavras do tupi guarani.

O município foi desmembrado de Ilhéus em 1952. Importante cidade da região cacaueira, o município está na rota do chocolate, com diversas fazendas e seus antigos casarões, um rico patrimônio histórico.

A população de Uruçuca é de 20.519 habitantes, praticamente a mesma de nosso município. Quem nasce em Urussanga é urussanguense e quem nasce em Uruçuca é uruçuquense.


TIRAMISÙ

Quem é da área gastronômica conhece bem o tiramisù. E todos apreciam.

A famosa sobremesa surgiu no “Le Beccherie di Treviso”, um restaurante do norte italiano. A sobremesa foi inventada por Ado Campeol e sua esposa e adicionada ao cardápio em 1972. Dizem que o tiramisù foi fruto de um acidente durante a preparação de um sorvete de baunilha. Ado Campeol, considerado o pai do tiramisù, um ícone da culinária italiana, faleceu aos 93 anos.

Dizem, inclusive, que ele foi servido como afrodisíaco nas casas noturnas no norte da Itália. O termo “Tiramisù” significa algo como “puxe-me para cima”. Então tá. Faz sentido.


  • PÍLULAS

  • Janeiro é o mês em que milhares de urussanguenses rumam para o Balneário Esplanada. São 37 km e 29 lombadas. É um acelera e freia, freia e acelera. É uma lombada para cada 1,3 km de estrada. E a música era uma só. Olha a lombada, olha a lombada. É o reflexo de um povo que não tem a mínima educação no trânsito. Se tivesse, não haveria necessidade de tantas lombadas.

  • E entramos no verão, o tempo das trovoadas, das “tempestas”, como diziam os nonos. Dizem que depois da tempestade vem a bonança, a calmaria. Nem sempre. Muitas vezes, após a tempestade vem o prejuízo.

  • Brasileiro não tem jeito mesmo. Segundo a Fiocruz, são quase 12 milhões de brasileiros com vacinas anti-Covid-19 em atraso. Nem com doutorado dá para entender essa situação de irresponsabilidade com a sua vida e a vida dos outros.

  • Nesta semana fui cortar o cabelo. Quando entrei na barbearia, eis que alguém comenta: chegou o cabeça branca, o dono da lancha. A princípio não entendi. Depois a explicação: é a música do Tierry que está rodando nas paradas. Cabeça branca sim, mas o dono da lancha que posta fotos na rede social não sou eu, não. Talvez seja o seu Omero, o Juvenal Barbosa, o Gessy Concer, Raul Sávio ou o Pedrinho Feltrin dos Correios.

  • Cuidado com o azeite de oliva em seus pratos, em suas saladas. Se você é chegado num “azeitinho de oliva” extravirgem ou virgem, saiba que a mutreta na área é grande. Você pode estar consumindo azeite de oliva apenas “quase virgem”. “Virgi Maria”. É o Ministério da Agricultura fazendo uma verdadeira varredura nos rótulos falsos.

  • Pinçada da imprensa nacional nesse período de férias calientes: Sérgio Moro arranca forte e vence Lula nas pesquisas, mas por enquanto somente na venda de livros. O livro do Sérgio Moro anda vendendo mais que o livro do Lula.

  • E a gasolina nossa de cada dia subindo todo dia. Na composição do seu preço, saiba que 36% são impostos. (10% de impostos federais e 26% de impostos estaduais).

  • A situação política em Urussanga não está incerta. Está confusa e se arrasta indefinidamente. Saindo do descanso de verão, os vereadores voltaram a se sentar nas respectivas cadeiras do povo, para nelas discutirem problemas e soluções para a comunidade. Duas comissões foram formadas para averiguar, investigar e concluir. A mais longa sessão da história da Câmara se encerrou próximo das onze da noite. Alguns roucos de tanto falar e outros roucos de tanto ouvir.

  • Pode beber depois da vacina? Foi a pergunta mais feita pelos brasileiros no Google desde o início da campanha de imunização anti Covid-19.

  • O Brasil realmente não é um país para amadores e principiantes. Até profissionais patinam tentando entendê-lo. Vivemos num país confuso. Um exemplo é este. Município gastando recursos e realizando obras e ações de competência estadual. Já o Estado torrando recursos e se ocupando com obras de responsabilidade federal. Prefeitura se preocupa com obra estadual e o Estado gastando recursos com obras federais. Essa nem o austríaco Sigmund Freud explica.

  • Nunca se esqueça da fortaleza do perdão. O perdão é a chave que abre qualquer cadeado e te torna livre de muitas amarras.

  • Uma mensagem da Casacaresc, a entidade de apoio aos funcionários da antiga Acaresc, hoje Epagri, que recebemos e vamos registrar: “Mais um ano se passou e um novo ano está se iniciando. Abraços tímidos nos últimos tempos. Gente querida partiu. Choramos as perdas. Emergiu nossa fragilidade e submissão a um ser microscópico. Recebemos nossa esperada vacina como presente de grande valor. Mundo em ebulição e as pessoas se reinventando. Momento de agradecer e momento de se ter as esperanças renovadas num novo ano que se vislumbra. Que ele venha com esperanças e novas ideias e que velhos problemas fiquem para trás.”


ATTENTI RAGAZZI

Voltamos ao lavoro na escrita e contrariando a tradição de que neste país o ano somente começa após o carnaval. Que em 2022, se for para derrapar, escorregar ou “trupicar”, que seja nas calçadas de nossa cidade, grande parte detonadas, mas que não se derrape, escorregue ou se “trupique” na estrada da vida.



Nada de serra ou praia e sim lavoro. O Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, presidido por Ivan Donadel, se reuniu em janeiro para discutir metas e reivindicações do setor para 2022. Dentre os assuntos discutidos, o programa Porteira Aberta, que não anda tão aberta assim, segundo os agricultores. Muitas ações podem ser feitas porteira a dentro e com o devido amparo legal. O “modus operandi” da FAMU também foi questionado. O prefeito Jair Nandi prometeu mudanças. O secretário da agricultura Jorge Lavina demonstrou excelente conhecimento e visão da área onde atua.