SERGIO MAESTRELLI

AS ÁGUAS DO RIO URUSSANGA ATRAVÉS DA HISTÓRIA - Parte II



As águas puras do Rio Carvão nascem nas encostas do Rio Carvão/Belvedere. Suas nascentes descem pelas encostas e passam por baixo da primeira ponte, a ponte do Rio Carvão Alto, próximo à Igreja dedicada a Santa Bárbara e Nossa Senhora Aparecida, limpa, potável e cristalina. Logo, em alguns minutos, essas águas percorrerão algumas centenas de metros e mergulharão no inferno dos rejeitos do carvão. Elas descerão rumo ao Bairro Nova Itália e lá se encontrarão com as águas do Rio Maior, resultando num abraço da vida com a morte. Aqui nasce o Rio Urussanga. É o seu ponto zero. (FOTO) A vida perece e as águas seguem rumo ao centro da cidade. Nas cabeceiras da Ponte da Rua Duque de Caxias que liga a Prefeitura Municipal à Praça Anita, você pode observar na sua margem um chorão que chora pelo trágico destino do Rio Urussanga. Nas poucas árvores da mata ciliar, você pode observar que mudas delas se transformam num varal de plástico, presente dos homens irracionais. Alguns produtos do mundo do plástico dos homens ficam retidos, outros com mais sorte alcançam a praia do torneio e mergulham no Oceano Atlântico e se tiverem um pouco mais de sorte, poderão chegar à África.


Ainda sobre o Canal ou o Valo do Adão?

A amiga e colega da Academia de Letras, Sônia Ferraro Dorta, antropóloga social da Universidade de São Paulo (USP), leitora atenta do Panorama nos ligou dizendo que ela, suas amigas e amigos na adolescência também tomavam banho no “Valo do Adão”. E a nossa geração que veio 10 anos depois também tomava banho, mas para nós o nome já era o “Canal do Adão”. Então, Valo do Adão para uns, Canal do Adão para outros.


O Rio em seus momentos de fúria

Nem tudo foi calmaria com as águas frias do Rio Urussanga. Ele também teve seus momentos de fúria e irritação saindo de seu leito. As enchentes de 1950, 1953,1974 causaram inúmeros estragos e grandes prejuízos.

Na década de 50, suas águas enciumadas visitaram parreiras e nossas cantinas, misturando-se água com vinho. Em 1974, ele passeou numa de nossas principais avenidas, a Avenida Getúlio Vargas, além de destruir inúmeras ruas e dezenas de residências. Foram as “águas de março” registradas inclusive numa música interpretada por Elis Regina.


Na década de 60

Fomos aos poucos dando adeus à bica, à cacimba, à mangueira que trazia água do mato, o poço com corda e balde. Iríamos começar a viver a época das torneiras e das caixas d’água e os comentários entre vizinhos. “Não tá vindo água na caixa”. “Vai faltar água por três dias”. “Hoje não tem água”. “Essa noite eu escutei o barulho de água caindo na caixa bem na madrugada”. E os foliões dos velhos carnavais não perdoaram e lançaram uma música que varreu o país com o refrão: “De dia falta água e de noite falta luz”. Dos mananciais e das águas de seus afluentes surgem as represas para o nosso abastecimento, através do SAMAE, o nosso “Poço de Jacó”, a nossa fonte de água pura, obras da época do Governo Adelino Bettiol e Rony Zaniboni.


O Homem da Água

As nossas águas produziram um homem da água. As nossas águas produziram o “Doutor Água”. Pare ele, nesse setor, não havia segredos. Rubens Fontanella, o homem símbolo do sistema SAMAE, o único homem que conheci que jamais entrou pelo cano. Em seu cérebro, todo o mapa de nossas tubulações subterrâneas de água e esgoto. Hoje, Rubens Fontanella seguramente cuida dos mananciais do céu e bebe da água pura e cristalina da vida eterna. Como São Pedro é quem cuida das torneiras do céu, Rubens deve ser seu principal assessor.


O Rio e o lixo da nossa estúpida geração

A poluição pelo carvão foi a contribuição das gerações passadas. A nossa não foi menos deprimente. Ou seja, continuamos sendo gerações estúpidas. O mantra do “não presta ou não serve, jogue no rio” avançou gerações e abraçou inclusive a nossa. Hoje totalmente assoreado, insultado pelo lixo, com PH 2.9 e com suas águas e pedras com a coloração do falso ouro, só nos resta ficar observando a sua passagem rumo ao mar. Apesar das inúmeras campanhas de conscientização com crianças e adultos, estes últimos resistem e continuam jogando lixo embalado ou não, jorrando em seu leito esgoto doméstico ou industrial sem tratamento. Conscientização aliada a leis ambientais não surtem efeito e portanto nos resta apelar ao espírito religioso dos habitantes da Bacia do Rio Urussanga para que dentro desse espírito observem o preceito do “Respeite os Mortos”.


O Rio e o Padre Claudino Biff

Pe. Claudino Biff, nosso colega da Academia de Letras de Urussanga, registrou em seus escritos um sonho, que talvez se torne um dia realidade em gerações futuras : “Eu sonho um dia ver os jundiás e as traíras voltarem a namorar nas águas do Rio Urussanga”. E nós do Comitê do Rio Urussanga também sonhamos, mas não veremos este sonho se tornar realidade e por isso indagamos: Quando se vislumbrará esta data, Pe. Claudino? Quando os peixes voltarão a nadar nas águas do Rio Urussanga? Somente as próximas gerações terão ou não essa resposta. A nossa não, pois o tempo já fluiu.


Fórmula simples:“Agádoisó” (H20)

Quatro letras e um acento. Apenas dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio. Tão simples e tão vital. Sem ela, o caos e o desequilíbrio total. A vida está na água. A água está na vida. A vida é água. Ela está nos rios, nos mares, nos oceanos, nas nuvens, na neve, no gelo, nas nascentes, nos lagos, nas lagoas, nos riachos, no ar, no poço, nos lençóis subterrâneos, no barro, nas garrafas pet. Está nos vegetais e nos animais. Está em nós. Somos 70% de pura água. A terra onde pisamos é santa e a água é sagrada. É com ela que fomos batizados e que somos benzidos. Respeite a água. Ela é feminina. Ela é uma deusa e como tal deve ser preservada.



Meu nome é calçada, mas pode me chamar de “tapeação”.

Nesses tempos de estiagem extrema, não lave as calçadas.

É o pedido do SAMAE e que todas as pessoas conscientes e de bom senso deveriam atender.

Mas não é o que acontece.

No lugar de lavá-las, melhor seria partir para opção de reconstruí-las. O pedestre agradeceria.

Algumas de nossas calçadas não duram o período da gestação da porca.

O famoso “333”.

Na maioria se constata o chamado paliativo, o termo que há décadas foi consagrado pela Secretaria de Obras. Mão de obra desqualificada, sofrível e materiais que se desmancham como broa. Uma lástima.


Dois lados

“Os Dois Lados da Mesma Moeda”: Inclusão e exclusão territorial de vitivinicultores no contexto da Indicação Geográfica Vales da Uva Goethe/SC. Este é o título da Tese de Doutorado defendida pelo professor baiano Givaldo Bezerra da Hora pela UFSC. Bezerra da Hora esteve por aqui num passado recente entrevistando produtores, cantineiros e técnicos. É o mais recente trabalho concluído na área universitária sobre o nosso vinho Goethe. Outros três estão em andamento e seguem com suas pesquisas. O Vinho Goethe, nosso símbolo cultural maior continua despertando enorme interesse no mundo acadêmico das universidades brasileiras e algumas estrangeiras. O Vinho Goethe empolga e faz sucesso no mundo acadêmico no mundo turístico cultural e nos nossos eventos gastronômicos locais e regionais. Se nem a vaquinha resiste a uma dose de vinho Goethe, imagine nós.


PÍLULAS

Quem diria, hein! A Rua do Sapo, a mais emblemática rua de Urussanga, agora com uma moradora ilustre. Num dos apartamentos do Majestic San Pedro, a residência da antropóloga social da USP (Universidade de São Paulo), Sônia Ferraro Dorta. Nesta semana, num contato telefônico, ampliamos os nossos conhecimentos sobre os índios. Ela esbanja conhecimento na área. Ela sabe tudo sobre o tema. Um abraço à amiga e colega da Academia de Letras de Urussanga.

Dez anos depois da IG do Vinho Goethe, a primeira do Estado de Santa Catarina, agora a banana. A banana de Corupá/SC. Foi concluída a Dissertação de Mestrado de Gisele De Lorena pela Universidade de Joinville - Univille com o título: Denominação de Origem e seus Efeitos no Patrimônio Cultural. O Caso das Bananas de Corupá/SC.

O lema sacerdotal do Pe. Mateus Reus Reis - “Ser misericordioso como o Pai” ( Lc 6,36). O mundo anda precisando de caridade, fraternidade, tolerância e principalmente de perdão e misericórdia. Há pecados demais.

Como diria a minha grande amiga Carol Mariot: “A situação nunca esteve tão crítica”. Grande e especial Carol. Que você tenha grande trajetória no jornalismo.

E os respiradores catarinenses? Entra semana e sai semana e a CPI terá vida longa. Sabe o que vai acontecer? Os que estão envolvidos nas falcatruas vão respirar tranquilamente. O escândalo vai ser esquecido porque outros surgirão. Quem não vai respirar é o paciente infelizmente acometido pelo Covid-19 que precisará de respirador. Esse sim vai se lascar. Como alguém disse nas redes sociais: “Agora se juntou tudo no Brasil. Respiradores super faturados, num hospital superfaturado, montado dentro de um estádio de futebol também superfaturado. Assim está o Brasil, assim está o Estado.

Vivemos intensamente e de modo totalmente insano o momento da cultura do provisório, onde tudo é perfeitamente descartado. De produtos a sentimentos. Tudo é direcionado para o lixo após um breve momento de suposta eternidade. Talvez o Covid-19 foi um aviso da natureza ao homem no sentido de barrar um mundo de tanta irracionalidade. Um recado para repensar a vida.

Uns postam nas redes sociais que estão em casa arrumando o guarda-roupa, outros fazendo brigadeiro, cuja receita não deu muito bem certo e provocou brigas, outros fazem live, outros, exercícios na varanda. Alguns que tem propriedade rural podem optar por se isolar numa laranjeira e efetuar a sua limpeza de cipós, parasitas. Cada qual com a sua realidade, inventando algo para matar o tempo.


ATTENTI RAGAZZI

O que já está tendo e o que vai ter de corrupção, propina e demais mutretas políticas neste ano, neste país, e tudo com uma única justificativa: tudo por causa do Coronavírus-Covid-19. Tudo vai ser debitado em seu nome. Uma avalanche de desculpas e justificativas em série.