SERGIO MAESTRELLI

O CIRCO ESTÁ ENTRE NÓS



Em nossa cidade o circo chegou novamente trazendo alegria e magia. A minha geração viveu intensamente o mundo do circo. Mas como surgiu esse mundo mágico?


Da origem da palavra e do circo


A palavra circo vem do latim “Circus”, ou seja, circunferência, cujos espetáculos são realizados numa arena ou picadeiro circular sob uma grande tenda ou lona. O circo está registrado desde os primórdios da Antiguidade no Egito, Índia, China. Na China, há pinturas de 5 mil anos em que acrobatas, mágicos (os denominados mãos mágicas), contorcionistas (os homens elástico) e equilibristas (homens por um fio). Eles se apresentavam para autoridades do Império. Espetáculos circenses eram exigências dos imperadores chineses. A arte circense esteve presente em todas as civilizações antigas.


Do Circus Maximus


No Império Romano, o chamado Circo Máximo de Roma foi inaugurado no século VI a.C., era o local onde os plebeus reuniam-se para assistir as apresentações organizadas pelos governantes. Roma deu a forma ao circo como hoje o conhecemos. O Circo Máximo tinha capacidade para 150 mil pessoas (um maracanã quando foi inaugurado) e como principais atrações, as corridas de carruagens, luta de gladiadores, apresentação de animais selvagens, pessoas com habilidades incomuns, engolidores de fogo, até que um grande incêndio o destruiu. Destruído pelo fogo, o Circus Maximus deu lugar ao Coliseu em 40 a.C., hoje o cartão postal nº 1 de Roma. No novo ambiente, engolidores de fogo (os chamados bocas quentes) e gladiadores eram as principais atrações. É desta época a política de pão e circo, utilizada pelo imperador para controlar a população. No império Romano o circo reuniu graça e desgraça. Alegria e tragédia.


Do circo na Idade Média


Na Era Medieval, artistas passaram a improvisar apresentações em praças públicas e viajavam de cidade a cidade, acrescentado com atrações, danças e teatro. No século XVIII (1700-1800) o circo com seus componentes já percorriam e eram populares em toda a Europa.


Do circo em solo brasileiro


O circo com picadeiro, lonas e palhaços surgiu com o inglês Philip Astley, um oficial da Cavalaria Britânica em 1770-80, ex- militar e cavaleiro de 1.001 habilidades. Ele organizou um espetáculo com cavalos para o povo. Logo o espetáculo se expandiu para palhaços, saltimbancos, equilibristas, ilusionistas, acrobatas, mágicos, contorcionistas, saltadores, trapezistas, domadores de animais. No século XIX (1800-1900) o circo atravessou o Oceano Atlântico e chegou a América. Da Inglaterra se espalhou para os quatro cantos do mundo. O circo chegou ao Brasil no século XIX com famílias e companhias circenses europeias. E sempre houve ligação dos ciganos com o circo. Em São Paulo surgiu a primeira escola de circo, a Academia Piolin em 1978. Em 1982 no Rio foi aberta a Escola Nacional de circo. Quem da nossa geração não assistiu espetáculos ou não ouviu falar do Circo Orlando Orfei, do Circo de Moscou com mais de 50 anos de existência, ou do Circo Stankowich de origem romena, cuja fundação remonta a 1850, quando a família chegou ao Brasil e hoje está na terceira geração. Orlando Orfei foi um dos maiores homens do circo e faleceu aos 93 anos em 2015. Aqui, ele montou o Circo Nazionale D’Itália, que estreou em São Paulo em 1969. Ele foi sinônimo de circo no Brasil. O circo também tem seus dias comemorativos: Dia 10 de dezembro é dia do Palhaço e dia 27 de março é o Dia do Circo. Trata-se de uma homenagem ao palhaço Piolin que nasceu nesta data no ano de 1897. Fizeram sucesso no circo brasileiro os palhaços, além de Piolin, Carequinha, Arrelia e Torresmo.


Do circo em Urussanga


Do circo que no passado se instalava aqui na Rua Vidal Ramos, a Rua do Grupo, nos recordamos de inúmeras cenas, dentre elas, as lutas livres no ringue entre lutadores com o nosso “Tarzan do Bairro Brasília” no auge das famosas lutas livres. Padre Agenor na Ritorno Alle Origini de 2001 relatou que, convidado para o circo nos primeiros anos de Urussanga, ele foi, de batina vermelha, vistoso, bonitão. “Eu era novo, disse ele. Num dos espetáculos, toureiro com uma vaca no picadeiro e aí o impossível aconteceu. A vaca cravou as patas no solo, olhou para a arquibancada e veio com tudo para cima da minha batina vermelha. Ela me juntou com cadeira e tudo. O toureiro foi rápido e me salvou, caso contrário, carreira encerrada”. Hoje no século XXI, mesmo com o advento de tantas tecnologias, o espetáculo se mantêm com sua tradição, contornando dificuldades num mundo cada vez mais digital. Continua proporcionando emoção, magia, encanto e bons momentos para crianças e adultos. A magia continua. E o circo de tempos em tempos vem, vai e volta. E entre nós, aqui nesses dias de julho de 2021, o Circo Rakmer. Você já levou seus netos para conhecer a magia do circo?


FUNDO ELEITORAL, UM SACO SEM FUNDO


Fundo eleitoral, um saco sem fundo. De 2 para 5,7 bilhões. O Fundo Eleitoral triplicou. Ser político ou fundar partido político é o negócio mais lucrativo do país. Ter dólares ou ouro é fichinha. Os espertos que vão colocar a mão nesta gigantesca bolada dizem que é o preço da democracia. Vai nessa que você vai bem. Na realidade, trata-se de uma agressão ao povo brasileiro, um soco na boca, na boca propriamente dita e na boca do estômago, um golpe baixo, um golpe no fígado dos milhões de brasileiros desempregados ou daqueles que vivem de crédito emergencial ou de salário mínimo. Um verdadeiro coice de cavalo, de mula, de jegue, de jumento. O congresso antes agia na calada da noite, agora não age mais. Mudou a tática de ataque. Agora age na madrugada. O Brasil politicamente perdido em 33 legendas que servem apenas de trampolim para o pódium e para o interesse daquele que chega e dos grupos que o elegeu, raramente a defesa dos interesses maiores da população. É a derrocada partidária. As 33 legendas fazem a farra com os bilhões de reais dos fundos eleitoral e partidário. Cada deputado federal eleito (e são 513) rende entre 11 a 13 milhões de reais aos cofres dos partidos. É dinheiro vivo na gaveta para o verdadeiro balcão de negócios. Sabe quando isso vai mudar? Se depender dos políticos, é evidente que nunca. É abusar da paciência do brasileiro, algo que na nossa opinião ele já tem em demasia. O brasileiro precisa diminuir o seu coeficiente de paciência. A hora que ele deixar de ser ovelha e ser mais lobo, a coisa muda. Até lá, vamos todos nós continuarmos como ovelhas na pastagem. Aproveitando a deixa, eu deixo o assunto para você refletir não apenas em Brasília, mas também em Florianópolis, Urussanga e nos demais rincões deste Brasil dito varonil. Agora Bolsonaro deve vetar e reduzir de 5,7 para 4, quando o valor deveria ser congelado ou mesmo reduzido.


PÍLULAS

  • O verbo mais popular nos dias de hoje é o “reinventar”. E Brasília aproveita a oportunidade e se reinventa. Agora o novo nome da propina em Brasília é comissão, digo comissionamento. Através deste eufemismo da língua portuguesa querem legalizar a propina.

  • “É preciso estar com os pés no chão”. Foi o que disse o Deputado Padre Pedro Baldissera ao aconselhar dividir em duas etapas o asfaltamento para Rio Carvão/Santana/Itanema, deputado amigo de Urussanga desde o lançamento do Dia do Vinho na ALESC. O que acrescentar: Deputado, o povo, a comunidade sempre esteve com os pés no chão. O problema é que a grande maioria dos nossos políticos é que não estão. Agora, atualização do projeto, licenças ambientais, liberação de verbas talvez no final do ano e lembrando que 2022 é ano eleitoral. O povo não quer mais enrolamento. Quer patrolamento e posterior asfaltamento.

  • Agora em novo capítulo anunciado pelo vereador Thiago Mutini, entra em cena o ex- companheiro da Epagri, o deputado Zé Milton Scheffer, prometendo celeridade e solução final. A novela do Rio Carvão chega ao final, registou o edil, mas para a comunidade e a ACRIC a novela só realmente chega ao final com o manto preto derramado, estendido, compactado e com sinalização e pintura. Se o fato se concretizar, será a primeira ação do Governo Moisés em nosso município, porque até agora, caro mio, temos apenas um “niente” em todos os setores. Estamos falando em obras de vulto, não de ações varejistas.

  • Enquanto o foco é o restante do asfalto para Rio Carvão/Santana/Itanema, membros da ACRIC pedem que as autoridades competentes fiscalizem o excesso de peso dos caminhões que trafegam pela rodovia. Em alguns pontos o asfalto ainda na infância já está emitindo sinais de cansaço e deterioração.

  • E Edson Savi Mondo, diretor dos Serviços Urbanos, agregando elogios da bancada situacionista e oposicionista na Câmara. Vereador Daniel Moraes afirmando que o diretor, com suas ações na área, vêm calando a boca de muitos. O vereador Beto ex-cabeludo também rasgando elogios e criticando os serviços terceirizados nesta área num passado recente. Com esses elogios, o Kuki esboça um sorriso e com mais vontade vai soltar a sua voz de tenor urussanguense nos ensaios ou nas apresentações oficiais.

  • Correta a empresa “Ovos De Nez” aí no Barro Preto que registrou em seu rótulo o termo “Galinhas felizes são galinhas livres de gaiola”.


ATTENTI RAGAZZI


Vereador Nel tem razão ao apresentar o projeto de lei “boca de lobo inteligente”.

Se alguns membros da comunidade demonstram pouca inteligência, então precisamos mesmo de bocas de lobo inteligentes.

É uma mera questão de compensação para se tentar buscar o equilíbrio das coisas e das ações.


OBRAS SÃO BOAS, QUANDO CONCLUÍDAS MUITO MELHOR


O elevado número de obras alavancadas pela prefeitura municipal nos últimos anos é algo visível e inquestionável.

O rol elevado se deve a obras que podem ser equacionadas em três classes: obras iniciadas, paralisadas e não concluídas, obras em andamento e obras que estão sendo anunciadas. Obras com qualidade devem representar trunfos e triunfos para a Administração Municipal, mas algumas se transformam em críticas e irritação e os méritos e créditos se perdem por detalhes e se transformam rapidamente em débitos.

Muitas obras são realizadas rapidamente em cerca de 80 ou 90%, depois os restantes 10 ou 20% se arrastam de modo muito lento e irritam a comunidade.

Por isso, uma sugestão aos mandatários municipais: Que se inicie e se conclua uma obra de “cabo a rabo”, inaugura-se e que seja dada a partida de novas obras.

Ah! e não se pode esquecer da manutenção das mesmas.

Tão importante quanto o anúncio de novas obras são as ações para manutenção das antigas.



Depois da IP, agora a caminho da D.O. (Denominação de Origem) o Vinho Goethe. Este foi o objetivo do evento que “aglomerou” técnicos da ProGoethe, Epagri e Sebrae, numa reunião mista de presencial com virtual, atendendo aos novos tempos ditados pela Covid-19. Estima-se que em um ano o trabalho técnico e o processo burocrático estejam concluídos. Será uma nova e significativa conquista para o vinho urussanguense. O Sebrae disponibilizará um bolsista para ajudar na alavancagem do processo. Tem-se também o apoio de franceses e italianos, leia-se Instituto Syrah e Escola de Enologia de Conegliano.



Wolney “Roberrrto” Schmitz, o filho único do seu Heriberto e da Dona Zenaide, e a Janete De Brida, filha do meio do seu Fidelis e da Dona Dilma, felizes na Festa do Rio Carvão no período pré-pandemia. Esses tempos irão voltar.