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  • Foto do escritorJORNAL PANORAMA SC

SERGIO MAESTRELLI

PÍLULAS

No mundo automobilístico, a sigla SUV vem do inglês “Sport Utility Vehicle” ou veículo utilitário esportivo. E enquanto uns na vida usufruem de um moderno “SUV”, 4 rodas, outros só usufruem de uma “Sova”.

Voltando ao tema “lajotas”. Perguntar não ofende. Apenas esclarece. Na Administração 2013-2016, como forma de amenizar críticas com relação às “benfeitorias” na Rua Angélica Collodel Bettiol, com a destruição do meio fio ponteado, sendo substituído por peças de concreto broa, foi veiculada a informação que as lajotas seriam reaproveitadas na Comunidade de Linha Pacheco. Afinal, que fim tiveram as milhares de lajotas? Foram assentadas ou as sobreviventes ainda continuam empilhadas aguardando a mão pública agir? Pelos menos aquelas que sobreviveram à operação “spaca fora tutti”, promovida pelo retroescavadeira, como diria o amigo Itálico Romagna. Sabe-se que lajotas empilhadas, amontoadas, além de representar perigo, elas aos poucos vão sumindo, alçam voo e não se sabe onde vão aterrizar. Com a palavra, a quem de direito e a quem cabe o cumprimento do dever.

Asfalto em cima de lajotas – Sem problema algum. Lajotas não representam um bem cultural. Em cima do paralelepípedo é erro. Asfalto sobre calçamento é equívoco quase tão grande quanto o fim das caçambas. Deixe o futuro decidir definitivamente essa questão. Espero ainda estar vivo quando ele chegar com o seu veredicto. Pequenas cidades europeias com apelo turístico arrancam asfalto e restauram a pedra. Praticam o caminho inverso.

Paraná Pesquisas mostra em levantamento que as Forças Armadas são a instituição em que o povo brasileiro mais confia. Na sequência STF, Presidência da República e MPF. E na lanterna o nosso Congresso Nacional, composto pela Câmara e Senado, justamente a entidade que abriga os chamados erroneamente de “representantes do povo”. É o Congresso na lanterna, na rabeira, descendo a pirambeira e evidentemente com méritos. Será que por analogia, a opinião se estende também às Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores? Nesse campo, tem muito joio, mas também tem trigo. Generalizar é um erro, apesar de todos os novos casos que pipocam diariamente.

O Brasil e suas filas. Além da fila dos bancos, temos a fila da vacinação anti-Covid-19, a fila da H1N1, da febre amarela, do sarampo, a fila do desemprego, a fila do auxílio emergencial. Vivemos num país amante das filas. Saudades do tempo em que fila era apenas a do INPS.

A questão é buracos. O pessoal ligado às obras públicas apresenta um grande planejamento na hora de abrir buracos, mas revela total falta de planejamento para fechar esses mesmos buracos. O intervalo de abre e fecha precisa ser abreviado.

Jean A. B. Savarin, epicurista e gastrônomo francês (1755-1826), afirmou que “o Borgonha faz você pensar bobagens, o Bordeaux faz você falar bobagens e o champagne faz você fazer bobagens”. E o nosso Goethe o que será que faz?

Uma ressalva aos vereadores que não concedem aparte a seus pares de oposição, principalmente em assuntos polêmicos, em que há controvérsias. Se o que o vereador defende é algo que tem alicerce, se ele tem conhecimento e convencimento de causa, tem segurança na análise do assunto, não há porque tal atitude. Ou então está inseguro. Estando seguro, ele ainda poderá capitalizar o aparte fora de foco, se for o caso. Afinal, o parlamento municipal é um parlatório, que vem do italiano, “parlare, conversare, discutire, analisare”.


ATTENTI RAGAZZI


“Minha mãe faz farinha e minha sogra cria galinha. Tá tudo em casa. Então, fica fácil de fazer para todos vocês uma polenta com galinha”. Vereador Fabiano Murialdo De Bona em clima de 143 anos de fundação de Urussanga.




No ano em que a Empresa PD Sistemas, por iniciativa do vereador José Carlos José, recebe moção de reconhecimento na Câmara pelos 30 anos de existência, Panorama parabeniza todo o quadro funcional, seus quatro diretores, Johnny Pereira, José Feltrin, Jader Gustavo Canever e Norberto L. Bez Batti, o Lucafo. E olha ele aí em 1999, em companhia de seu irmão Amauri e com a sua Rainha Vitória, hoje também funcionária desta conceituada empresa. Ficamos orgulhosos em registrar que esta empresa também tem parte de suas raízes na emblemática Rua do Sapo. Uma empresa com soluções tecnológicas na palma da mão.


A GUILHOTINA


Há 232 anos, durante o mês de maio, os reis, os nobres e a elite francesa, alheios aos problemas da população, comiam, bebiam e dançavam nos Palácios de Versalhes e eis que o inusitado aconteceu.

O povo, com problemas e humilhações até o pescoço, começou a entrar nos palácios pelas portas dos fundos, pelas janelas e pelas portas da frente e o restante da história, todo estudante de nível médio já sabe.

A monarquia absolutista que reinou por séculos entrou em colapso e em três dias afundou. Afundou na França e levou o terror às demais casas reais europeias.

E no dia 5 de maio de 1789 a guilhotina, por recomendação do médico cirurgião Joseph Guillotin, começou a funcionar no pescoço de quase 3.000 franceses.

Um exemplo histórico de peso de que os dirigentes estavam totalmente dissociados da realidade que os cercava.

Essa percepção vale para o passado e vale também para o presente.


LA NOSTRA BENEDETTA “143 ANNI DOPO”

Com a devida permissão da colega e amiga da Academia de Letras de Urussanga e do Jornal Panorama, Marcia Marques Costa, utilizamos o título de seu grande livro para registrar uma mensagem a “tutti i benedetti” della nostra “Urussanga”, que nos registros do nosso primeiro pároco, Pe. Luigi Marzano, o mesmo afirmou que o nosso lugar tem um nome e que este nome lembra um grito selvagem de guerra. E diga-se que se trata mesmo de um grito de guerra vencedor. No Sul Catarinense, nenhum município tem tanta história e tantas estórias já registradas e outras tantas para contar quanto Urussanga, “tirante” o município de Laguna, utilizando também uma expressão emprestada de um dos monstros sagrados do humor brasileiro, o Jô Soares. Eles, os imigrantes, aqui chegaram, observaram as dificuldades, não se intimidaram, arregaçaram as mangas e construíram o município que hoje desfrutamos. Se nos apoiarmos nos valores destes nossos antepassados, nossos pioneiros, e na inabalável fé e crença no futuro, a missão de levar o município para frente será coroada de pleno êxito. Cada qual no seu papel, na sua função, na sua profissão, no seu trabalho, seja ele qual for, ou com uma caneta ou com uma picareta ou mesmo uma corneta. Com uma foice, enxada ou com uma marretada, com um bisturi ou ainda criança no papel de guri, como jornalista, dentista ou artista, como mecânico ou botânico. No caminhão ao volante ou na profissão de ambulante, com uma colher de pedreiro ou com um martelo de carpinteiro, ou no fogão como cozinheiro, todos em busca de um nobre ideal, dando o melhor de si em benefício de todos. E os pioneiros terão orgulho de seus descendentes e observarão que todo o sacrifício dispendido não foi em vão. Disseram que eles nada tinham quando chegaram, mas então, como nos legaram tanto... Usos e costumes, tradições, folclore, língua, fatos pitorescos, canções, gastronomia, arquitetura, agricultura e cultura. Deixaram caminhos abertos, deixaram rastros, deixaram marcas. E que marcas de uma passagem. E as marcas desta passagem estão em Urussanga, Siderópolis, Treviso, Morro da Fumaça e Cocal do Sul, pois no passado tudo era Urussanga. É imperativo que recordemos do artista Aldo Baldin, o urussanguense da Vila Nesi, vizinho de porta de nossos nonos maternos, que foi o personagem que mais longe e mais alto levou o nome Urussanga. Ele fez a viagem de volta sonhada por nossos antepassados e voltou triunfalmente para a Europa, para o Velho Continente. Brilhou em Milão, brilhou na Alemanha. É hora de viver na prática o que diz o hino de Urussanga de autoria do Monsenhor Agenor Neves Marques. É hora de ouvir a música do Biá. A canção “Amor por Urussanga”, a linda música de autoria de Waldir Cechinel Filho, o popular Biá, de nossa geração, urussanguense que com sua sabedoria, conhecimento e competência está atualmente a serviço da Univali no Vale do Itajaí. Urussanga terra da sanga, terra da caçamba. A minha sanga, onde eu vou matar a minha sede de água e de vinho Goethe, chama-se Urussanga.


CÃO MANSO, DONO BRAVO

Quem sentou na Poltrona destinada aos palestrantes do Rotary Club de Urussanga foi o nosso pároco, Padre Daniel Pagani, abordando o tema voluntariado, tão necessário em nossos dias. Lembrou em sua explanação que a questão social, antes de ser preocupação do Estado, foi e é preocupação da Igreja. Um exemplo emblemático foi o Padre Agenor, com a fundação do Paraíso da Criança. O voluntariado é o pilar fundamental da sociedade civil e desperta as mais relevantes aspirações do ser humano no quesito justiça. O centro do voluntariado está no Evangelho com a passagem da multiplicação dos pães, onde da partilha ocorreu o milagre da multiplicação, saciando todos e havendo sobras. Lembrou as obras sociais da Igreja centralizadas no Cáritas, o braço social da CNBB que aqui em nossa cidade atende cerca de 200 famílias. O voluntariado é anônimo e não busca retorno ou troca, seja ele em termos materiais ou espirituais. Relembrou em sua vida uma passagem no Bairro Ponta Aguda em Blumenau, composta por duas alas, uma pobre e outra feita de mansões. Numa das mansões, a placa “Cão Manso, Dono Bravo”, demonstrando claramente que o seu proprietário estava necessitando de um voluntariado espiritual, pois o mesmo com aquela placa erguia muros, muralhas, paredões e não pontes de solidariedade. Isolado, estava perdido dentro de si mesmo. O voluntariado é um chamado especial do Senhor, finalizou Pe. Daniel. Um excelente momento para o pároco e para o Rotary Club.



Olívio Biz, mecânico aposentado, um dos sócios juntamente com os irmãos Virgínio e Armando Maestrelli, da Mecânica Urussanguense, da Rua Barão do Rio Branco, uma lenda da história automobilística de Urussanga, resolveu nestes meados de 2021, depois de décadas e décadas ao volante, vender seu fusca vermelho tomate maduro para Giordano Massuchetti, o filho do amigo Joca. Mudou de dono, mas o fusca permanece na mesma rua, na Rua Américo Cadorin. Agora o “Bife” vai circular a pé, de táxi ou de carona com os amigos. Seguramente pelo número elevado de amigos que possui, nunca vai ficar a pé.



Em pronunciamentos nas últimas sessões, os vereadores Zé Bis, Luan, Bonetinho e Daniel abordaram da tribuna da Câmara, o fato designado por eles como o problema das “Lajotas Soltas”, nas ruas do Loteamento Carol, Giovanni De Pellegrin, Bairro Brasília... Convêm aqui abrir parênteses e em nome da inteligência, registrar que a culpa não é delas, as lajotas.

As lajotas não tem a prerrogativa de optarem por viver presas ou soltas. Independe da vontade delas, assim como o calçamento com paralelepípedos desnivelados ou em nível. O problema não reside nelas, sejam lajotas ou pedras, e sim nas mãos inaptas, sem competência ou despreparo profissional de quem as assentou. Lajota bem assentada não incomoda ninguém. A contratação de mão de obra preparada para tal missão faria o problema levantado evaporar, pois elas se tornariam imexíveis. Não se movimentariam mais. Tem ruas de Urussanga com 50 anos de lajotas e todas imóveis. Há informações de que essa ação está sendo analisada pela Administração Municipal. Ponto para ela. Como diria o Bigorrilho, o amigo do Bairro Brasília, pedra de calçamento ou lajota se assenta com martelo e não com marreta, e o amigo Nicanor Zavarise, da Rua do Sapo, afirma que lajota se assenta com martelo e com um detalhe, com martelo de borracha. Num duvide disso, porque a afirmação é verdadeira. Tem ruas lajotadas recentemente que estão mais soltas que os corruptos neste país varonil. É vero ou não é vero? Dar o nome certo às coisas ou identificar a causa real de um problema é o primeiro mandamento da Sabedoria Chinesa.

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