SERGIO MAESTRELLI

NO TENSIONAMENTO DAS RELAÇÕES



Imprensa livre e políticos de um modo geral sempre formaram um casal cujas relações são altamente instáveis.

Há períodos de amores intercalados por períodos de dissabores.

Já é algo público, expresso e explícito, já é algo claro, límpido e transparente que as relações aqui em Urussanga entre imprensa, quer seja falada ou escrita, e alguns políticos ocupando vários cargos e de vários partidos estão em princípio ou em processo de deterioração ou já estão deterioradas.

E precisam ser recompostas. A corda está super esticada e muitos estão com a faca na mão, com uma vontade danada de cortá-la.

E pergunte a qualquer escoteiro como é fácil cortar uma corda esticada.

Qualquer faca a corta, com ou sem fio. Não precisa ser navalha e nem lâmina afiada.

É missão da imprensa responsável, num país livre e democrático, divulgar fatos positivos ou negativos, ouvir as partes envolvidas e que leitores ou ouvintes tirem suas conclusões.

As relações entre políticos e imprensa sempre foram altamente instáveis assim como o clima, quase sempre bastante imprevisível. Que o digam Coutinho e o Márcio Sônego.

De amizade e amores, quando os fatos publicados os enaltecem, e relações de inimizade e de ódio, de indignação e tentativa de moldá-la a seus interesses e caprichos com a colocação de cabresto, quando os fatos publicados os desabonem.

O detentor de um cargo público deve receber com satisfação e realização os elogios da imprensa e precisa estar consciente e com naturalidade e humildade no bolso para, com serenidade e equilíbrio, receber críticas.

Quanto a este quesito, eles, os políticos e gestores púbicos ou não, podem rebatê-las com inteligência e com argumentos fortes se forem improcedentes.

Nestes casos, a própria imprensa também divulgará e eles sairão fortalecidos do processo, do embate. Se as mesmas procedem, eles devem mudar de postura imediatamente, ou se desmoralizam e desmoronam, afundam.

A tentativa de grupos políticos que estão no poder visando domar a imprensa livre, amordaçar, silenciar quando esta não lhes é conveniente, não constitui prerrogativa ou fato da nossa geração. Ela vem de muito longe.

Ela vem desde os tempos remotos e se acentuou quando Johannes Gutenberg inventou a imprensa escrita e Guglielmo Marconi, o rádio.

A história já demonstrou quem venceu e quem perdeu nesses embates contra a imprensa. Perguntem por exemplo, a Richard Milhous Nixon, ex-presidente americano.

Rusgas com a imprensa também já foram registradas em Sucupira e Tubiacanga.

Não é algo exclusivo de Urussanga.

No passado della Nostra Benedetta, a imprensa e os detentores momentâneos do poder também se digladiaram. Basta ler os exemplares no Museu/Biblioteca Municipal dos jornais “La Pátria”, “LAzino” , “Il Mullo”, “La Colonia”, “Il Colono”.

Tentar calar a imprensa ou colocar rédeas na mesma é a mesma coisa que tentar afogar um peixe dentro d’água. É algo impossível.

Convêm lembrar também que os políticos, em situações adversas, se apoiam na desgastada cantinela ou em repetidas chorumelas ou lamúrias de colocar a culpa do problema não neles, e sim na imprensa que, segundo eles, quer apenas agitar, tumultuar.

Lembramos que é preciso ter muito cuidado no falar e na tomada de decisões, pois o poder às vezes embaralha os cinco sentidos até o momento descobertos pela ciência.

O poder pode apresentar manifestações de visão míope, confunde o tato e o olfato, apresenta sintomas de surdez, alterando falsamente o paladar. Em suma, confunde e embaralha a mente. Às vezes, confiar apenas na visão de amigos e assessores pode denotar imprudência e produzir no futuro faturas ou boletos de alto custo.

Neste quesito, relembro uma passagem em nossa vida com o Dr. Genésio Mazon, grande dirigente da antiga Acaresc/Epagri, que numa reunião da empresa com projetos polêmicos em Blumenau, nos solicitou um pedido: “Maestrelli, estou te delegando uma missão. Os contrários não virão a mim pela barreira do cargo e da hierarquia. Ouça os contrários, pois preciso analisar a opinião deles. Não posso confiar apenas em meus assessores. Eles só falam o positivo, e não vão querer entrar em atrito ou em rota de colisão com o chefe”.

Essa lição transportamos no bolso e na mente para os nossos 35 anos de Serviço Público. Foi uma aula extensionista de “Mestre”.

Por outro lado, afastar-se da imprensa, evitar entrevistas, pode ser algo normal para aqueles que atuam na iniciativa privada.

Quem detêm cargo público, seja presidente, ministro, senador, deputado, governador, secretário, diretor, prefeito, vice, vereador, encarregado, não é algo legítimo. Esses não possuem essa prerrogativa de afastamento e devem sim satisfações ou informações à comunidade, seja na bonança ou na tempestade temporária.

Afastar-se da imprensa pode até ser solução momentânea, de curto prazo, mas a médio e longo prazo é derrota anunciada pela Mãe Dinah ou qualquer mãe de santo, benzedeira ou cartomante, seja ela baiana ou não. É missão daqueles que esticam a corda, afrouxá-la.

Assim demonstrarão bom senso, equilíbrio e visão de longo prazo. É preciso desidratar os excessos. Sugerimos a leitura da matéria sobre a expressão “Vitória de Pirro”.


VITÓRIA DE PIRRO

Você porventura conhece essa expressão milenar? Ano de 279 a.C., Roma contra Taranto. Batalha nas colinas de Asculum entre o exército grego de Pirro e as legiões romanas do Cônsul Púlbio Décio, verdadeiras máquinas de guerra. Quando um oficial de seu exército lhe informou que havia vencido a batalha, porém com um número estarrecedor de soldados mortos, Pirro, um general grego, em tom desanimador retrucou: “Mais uma vitória como esta e eu estarei perdido”. Logo depois, o enorme braço de Roma o alcançou. Deste então, a expressão “Vitória de Pirro” é utilizada através da história para se referir a uma vitória obtida a alto preço, em qualquer área, militar, econômica, política, ou cultural potencialmente acarretadora de prejuízos enormes e irreparáveis. É a denominada vitória com ares de derrota, uma vitória cujos danos sofridos não compensam. Então você constatou que “Pirro” não vem a ser a abreviação de Pirralho, evidentemente. Todos nós na vida já tivemos algumas vitórias que poderão ser denominadas de “Vitórias de Pirro”. Parecem altamente vantajosas num primeiro momento, num curto prazo, mas a médio e a longo prazo a vitória vai adquirindo a vestimenta de uma grande derrota. Pense nisso e, portanto, cuidado com suas ações e suas falsas vitórias em qualquer função que você está desempenhando.


PÍLULAS

“Estamos vivendo um tempo de muito anzol, pouca minhoca e peixe quase nenhum”. De um pescador da Praia do Torneiro. É apenas uma “urubuservação dos tempos de vacas magras”.

Sai Daniela e volta Moisés no balé político de SC. O voto dos desembargadores por unanimidade foi voto convicto que o Governador Moisés era culpado no caso dos respiradores. Se não foi pela ação, foi pela omissão. Já o voto político dos deputados, com exceção de um, votou pela absolvição. Desta decisão, benesses seguramente surgirão.

“Impitchimado” ou não, o Governador ainda deve uma resposta aos catarinenses: No bolso de quem estão os 19 milhões surrupiados do povo catarinense? O povo catarinense quer mesmo saber é em que praia estão os 19 milhões, se é “vero” que 14 milhões já foram mesmo recuperados pela Justiça.

Que ironia! Governo catarinense pensa em aportar 350 milhões de verbas estaduais para obras federais e Brasília, como resposta, promove mais um corte de 153 milhões da Serra da Rocinha, fundamental para o desenvolvimento do sul catarinense. Enquanto isso a Genésio Mazon, estadual, vive seus dias de queijo suíço e alguns trechos da SC-108, idem.

Em alguns lugares do Brasil e também aqui em Urussanga, algumas pessoas se achando “cheias de razão” e querendo escolher o tipo de vacina anti-Covid-19. Roma estava certa. Ao povo, pão, circo e se precisar em determinados momentos, “relho no lombo”, utilizando emprestada mais uma vez, a expressão consagrada pelo radialista Geraldo Custódio em seus momentos de indignação com algum fato ou notícia. Não é o momento de se escolher a “marca” da vacina, pois segundo a Ciência, todas são eficazes.

“Falar de si mesmo em demasia produz antipatia”. Padre Valdemar Carminatti, o padre Bergamasco, em seu Momento Vespertino “Vai, vai, Missionário do Senhor...”.

Estamos às portas de comemorar mais um 26 de maio e com ele, os 143 anos de Fundação de Urussanga, “um nome che sembra um grido di guerra”, nos registros do Pe. Marzano, o nosso primeiro pároco. Vamos aguardar qual a programação possível.

Todo cuidado é pouco. Utilizando um termo esportivo, enquanto alguns têm distensão na perna, na coxa, outros têm distensão na língua. Distensão requer tratamento seguido de repouso, uma espécie de quarentena. Tem políticos que vivem provocando distensões neles mesmos.

Ivan Vieira, amigo e ex-colega de trabalho da Epagri, completando 8 anos de uma luta “Pela Vida e Contra as Drogas”. Registra-se que ele mantem o pique e o entusiasmo pela causa do primeiro ao último programa apresentado. Vive esta luta durante o programa pelos microfones da Rádio Marconi e fora dele.

Tem alguns confundindo Saviato com Carniato e com Grafiatto. Tem coisas que só acontecem na Benedetta, não é mesmo Salvato?

“Rir é ato de resistência”. Do ator Paulo Gustavo, cuja vida infelizmente foi abreviada pela Covid-19.


ATTENTI RAGAZZI


Quer nos parecer que ao que tudo indica, os nossos nobres senadores e deputados federais não conseguem nem cuidar dos problemas da nossa Serra da “Rocinha”, quanto mais de nossas cidades. É preciso avisar alguns, que mais importante que trazer à Criciúma o ministro astronauta, os filhos do Bolsonaro ou o Mourão, é trazer verbas, e não na casa dos milhares e sim na casa dos milhões de reais. Emenda na categoria “milhares de reais” é merenda. Parece que em Brasília, a nossa postura é mais a prática do “beija mão”, do “afago”, do “Sim senhor, Presidente” e do “Conte conosco”.


JULIETTE

Juliette é o rótulo de um vinho lançado em 2020 pela vinícola catarinense Pericó, produtora de vinhos finos da altitude. Segundo a própria vinícola, trata-se “de uma linha mais descontraída que quebre um pouco a formalidade do vinho”. A ideia foi concretizada pelo artista plástico Eduardo Baruch. Nasceu assim em maio de 2020 o vinho Juliette (Rosé, a partir de Cabernet Sauvignon e Merlot, além de três espumantes: Moscatel, Rosé Brut e um Branco Brut). Os vinhos tiveram boa aceitação no mercado, com bons índices de venda no verão. E aí numa coincidência para explodir as vendas, eis que surge a Juliette, campeã do BBB. O volume de vendas quadruplicou nas últimas semanas. É evidente que haverá uma união comercial entre a vinícola e campeã a partir de agora. Como diria o Padre Agenor, para a gente se dar bem na vida, precisamos de dois ingredientes: competência e sorte. Este foi mais um desses casos.



Apresentação brilhante foi o que ocorreu na Câmara sob a responsabilidade do presidente Everaldo “Melado” Martins e do secretário Rangel Quaglioto. O Urussanga Futebol Clube foi definido como um enorme elo de amizades. E no embalo da comemoração dos 90 anos, olhe aí no Estádio Lydio De Brida, um trio que não acreditamos que o UFC possa utilizá-los como sócios-atletas, mas poderão ser aproveitados como sócios-torcedores: Da esquerda para a direita: Norberto “Lucafo” Bez Batti, Toninho Brognoli e Rozemberto “Bita” Fontanella. Quem disse que Urussanga não tem em suas veias o pioneirismo? A rede Mac Donalds surgiu nos EUA em 1937. Em Urussanga, desde 1913, já tínhamos o nosso “Mac Donald” na área dos vinhos. O UFC surgiu em Denver, no estado americano do Colorado, EUA, em 1993. Nós já tínhamos o “UFC” desde 1931. É ou não é para se vangloriar.



Não sei qual é a opinião dos comentaristas da bola, Eraldo Luiz, Rafael, André e Gustavo, mas o Criciúma Esporte Clube e o Esporte Clube Próspera deveriam treinar num campo assim. Deste modo, eles adquiririam maior “rusticidade” para os momentos da hora da verdade.


11 DE MAIO


Terço e missa no dia de louvar o Senhor em Rio Carvão, na celebração religiosa mais antiga do nosso meio rural. Foi a edição de nº 141. Padre Miro, em sua homilia, se dirigiu ao Rio Carvão do Centro, ao Rio Carvão Alto, ao Rio Carvão do Meio, ao Rio Carvão Baixo, ao Rio Carvão de todos os jeitos, disse ele incluindo assim Santo Expedito também. Afirmou que estava naquela igreja com duas finalidades. Recordar a epidemia de 1880 e a de 2021, a epidemia de nossos dias. Afirmou em sua homilia que é preciso combater a epidemia da Covid-19, bem como a epidemia de todas as doenças, a epidemia das drogas, da incompreensão, da intolerância. No final da cerimônia, Pe. Miro de Bona abençoou o relógio e a placa que registrou os 140 anos da celebração religiosa no ano passado com os seguintes dizeres: 11 de maio de 1880 - “La Prima Messa della Peste”- 140 anos depois, a promessa de nossos antepassados continua sendo honrada pelos seus descendentes - 11 de maio de 2020 - O 6º Pároco de Urussanga, Pe. Daniel Pagani, aqui esteve nesta data para a celebração religiosa de modo restrito devido à epidemia Covid-19 com transmissão pelo Facebook - Rio Carvão, 11 de Maio do Ano Domini de 2020. A cerimônia foi transmitida pela Pastoral da Comunicação, via Facebook, por intermédio dos trabalhos de Adrian Amoriso.