SERGIO MAESTRELLI

DOUTORAS DA IGREJA



Em dois mil anos de história, a Igreja Católica considerou apenas 36 pessoas dignas da honraria de serem chamadas de “Doutores da Igreja”. Desse seleto grupo, apenas quatro são mulheres: Santa Hildegard de Bingen, alemã, que afirmou que “o mundo pode naufragar, mas você não”; Santa Teresa D’Ávila, espanhola, e em seus escritos, a luta pelo desapego deste mundo; Santa Teresinha do Menino Jesus, francesa, registrando que “A vida é um instante entre duas eternidades” e a italiana Santa Catarina de Siena, padroeira da Itália, analfabeta, mas deixou um legado de grandes obras ditadas e copiadas por pessoas de seu convívio.

No último desfile cívico de Sete de Setembro, o que dizer à amiga Lela do Baesso? Apenas que um é pouco, dois é bom e três não é demais. É ou não é, Lela? Claro que é.


ABOPORU


A câmera da reunião virtual do Rotary bisbilhotou a Casa do casal de amigos Joariza e Telmo do Amaral. E o olhar cultural descobriu na parede que para realçar e reafirmar o sobrenome Amaral, lá estava o quadro da renomada artista brasileira Tarsila do Amaral (São Paulo – 1886-1973), considerada uma das principais artistas modernistas da América Latina. Isso se chama visão cultural, viés cultural, lastro cultural. Na parede, a obra “Aboporu” do ano de 1928. É a tela brasileira mais valorizada no mercado mundial das artes, com valor estimado de US$ 40 milhões. Pintada como presente de aniversário ao escritor Osvaldo de Andrade, seu marido. Oswald de Andrade e o poeta Raul Bopp denominaram o quadro de “Aboporu”, do tupi significando “homem que come gente”. Já do sobrenome De Bona Sartor não observei nenhuma obra, Joariza. Ah! Um detalhe, a obra descrita está nas mãos dos argentinos. E viva a cultura brasileira, e viva o cuidado e o respeito com ela, mais fraco que café de três dias requentado. Se existe um povo que maltrata e despreza a sua cultura esse povo se chama povo brasileiro, começando por suas autoridades e daí deriva tudo.


UMA CLASSE QUE ADMIRAMOS


Se tem uma classe que eu sempre admirei e agora admiro muito mais nesses tempos de pandemia é a classe das pessoas empreendedoras que, independentemente de tamanho, montam seus próprios negócios e ainda batizam a empresa com o seu próprio nome e com um “vamos em frente”. Elas emprestam à empresa a seriedade e a credibilidade do próprio nome. Confira algumas: Colgate – do imigrante inglês William Colgate, em 1804 em Nova Iorque – Kellogg’s - dos irmãos John Harvey e Will Keith Kellogg, em 1906 em Michigan, EUA - MacDonald’s dos irmãos Maurice “Mac” e Richard Dick Mac Donald em San Bernardino na Califórnia na década de 40 - Ferrari do piloto Enzo Ferrari em Maranello, Itália, 1947- Adidas de Adolf Dassler, uma junção de seu apelido Adi com as primeiras três letras de seu sobrenome, em 1949 na Alemanha em Herzogenaurach, próximo de Nuremberg. - Gillette de King Camp Gilette, em 1901 em Los Angeles. - Disney de Walt Disney, em 1920 também em Los Angeles, Califórnia. - Nestlé do seu fundador Henri Nestlé, farmacêutico alemão em 1866 na Suíça, em Vevey Vaud - Siemens do engenheiro e inventor Werner Von Siemens, em 1847 em Berlin - Harley Davidson dos amigos William Harley e Arthur Davidson, em 1901, Wisconsin - Guaraná Jesus, o mais famoso do Estado do Maranhão, de Jesus Norberto Gomes, em 1927 em São Luís.



PÍLULAS


1º de Abril – Dia Internacional da Mentira passou em branco. Passou ao largo, ao contrário de anos passados. É que são tantas as mentiras do dia a dia que essa comemoração perdeu a graça. Para recuperá-la, talvez instituir em seu lugar o Dia Internacional da Verdade.

Vamos dando adeus à “Urussanga Analógica”. Está surgindo a “Urussanga Digital”. Se as tratativas se concretizarem, três pontos para a Administração Municipal Gustavo/Nandi.

Dezan desembarca e alguém embarcará na barca da Agricultura. Nas últimas administrações municipais está disputadíssimo o rodízio de nomes entre Agricultura e Cultura e o seu apêndice, o Turismo. São cargos sempre reservados como “cartas na manga” para acomodações políticas-partidárias. Nada salutar para os setores com esse processo de descontinuidade, de senta e levanta da cadeira. Nesse entra e sai tudo fica no “ponto morto”. Levam-se meses para tomar pé da situação e o motor volta a pegar somente no tranco.

E a novela não termina aqui. Precisamos ficar de olho para onde irá o Ernesto. Seguramente num cargo no exterior recheado de dólares, e com a cotação da moeda americana, vai se “dar” muito bem. E debita-se na conta bancária do povo brasileiro.

Lendo no Panorama e ouvindo na Marconi as ponderações de Jubiano Carara do Carara Chope ou do Chope Carara, não sei, é preciso registrar que a pandemia transformou o setor de gastronomia em mesa vazia. E nessa pizza, o Governo está totalmente perdido e sem rumo.

“A verdade é um remédio amargo, diria Machado de Assis. A verdade incomoda. A maioria não gosta de ouvir verdades. Se sou inteligente, corrijo, se sou burro, persevero. Trocar ideias é uma boa vacina. Primeiro ouvir, depois reagir. Quando a verdade entra na contramão de certos interesses...” Luiz Carlos Prates nos microfones da Marconi. Esse Prates é mesmo prata.

Lá pelas Barrancas do Rio Uruguai, digo, aqui pelas barrancas da Rua Almirante Barroso, enquanto o divulgado projeto de arborização e recomposição paisagística da FAMU não vem, pois depois de meses, ainda deve estar no papel ou na telinha do computador, a própria natureza vai se recompondo e escondendo as suas feridas. No outro lado, o nosso “Muro das Lamentações” na Rua Américo Cadorin também está necessitando de uma mão amiga para uma limpeza. Pouca coisa. Meia manhã de lavoro.

Bota na ata, tira da ata, arquiva, não arquiva. Em ação, a turma do “deixa isso prá lá” e a turma do “não deixa isso prá lá”. E assim será por até quatro meses. Só estas respostas interessam: onde estão os respiradores e com quem estão os 33 milhões de reais? Essas são as perguntas que o catarinense faz a quem de direito.

Por aqui esse dinheiro sumido, se não houver superfaturamento, daria para asfaltar Urussanga/Rio Carvão/Santana/Itanema, Urussanga/Siderópolis, Urussanga/Azambuja e ainda sobraria uns trocados para se adquirir os bois para a merecida churrascada. Fui.Que nojo, bateu a saporema, diria o alemão. É a mufa, diria o italiano. Que istepô! diria o Manezinho da Ilha.

Banheiro Público foi o assunto que voltou à baila com o vereador Zé Bis. Banheiro público não na praça, mas no seu entorno, disse o edil. Tem muitas opções, vereador. Na Rua do Mercado Ceara, há lotes vazios às margens do Rio dos Americanos. “Un bel posto”, diria a Nonna Pina. Agora construir um banheiro público é fácil. Quero ver a manutenção após o mesmo construído. E sabe-se que fiscalização e manutenção que depende do setor público é algo muito temerário. Sofre processo de descontinuidade. Temos um banheiro público no Centro Comunitário da Matriz. Pergunte à pessoa responsável como fica o dito cujo ao entardecer. Você ficará conhecendo horrores.

“Tudo funcionando no Brasil como uma Brasília Velha” - Beto Simão. Mas Simão, conheço muita Brasília antiga rodando na cidade em plena forma. O problema não está na Brasília e sim na falta de manutenção e naqueles que estão ao volante.

A Administração Municipal tem demonstrado rapidez e muita eficiência no “miolo” das obras. Mas devagar na sua conclusão com os chamados complementos para os “retoques finais”. É muita morosidade. Com chuva para tudo, e com sol os terceirizados não aparecem. Quando um fala, pode haver engano, agora quando muitos falam, é preciso analisar com a devida calma. O que é, é, o que não é, não é.

“Emancipar é tornar-se independente, livre, é trazer para si a responsabilidade. E foi assim, com a dedicação de um povo ordeiro, honesto e trabalhador que a Pérola do Vale se tornou referência no Brasil”. Com esta frase, o prefeito Jorge Krüger saudou os 87 anos de emancipação política do município de Timbó, município em que por 19 anos vivi no esplendor da juventude a missão de comandar o Escritório Local da Acaresc/Epagri. Mais importante que cultivar plantas, foi cultivar amigos e que legião romana de amigos conquistamos.

Durante o já longo e esticado período da Pandemia e principalmente nestes dias, está difícil concluir qual o local mais solitário e deserto. Se o Cemitério Municipal, a Rodoviária ou a Praça Anita Garibaldi.

O fusca, que para os brasileiros se tornou o carro mais famoso depois do Jeep, continua demonstrando fôlego. Agora um deles é objeto de uma “Ação entre Amigos”, aí no Bozello no Bairro das Damas. Compre o seu bilhete.

Como disse o professor Waldir Rampinelli, com esta pandemia “estamos perdendo muitos amigos e sentindo no ar o cheiro da morte”. Observação bastante real e bastante próxima. Seja aqui ou no Alaska.

E o amigo Kuki, recém-nomeado para coordenador do Conselho do Bem Estar Animal (COMBEA), que em nossa opinião iria promover vários “concertos caninos” visando afinar o mundo dos humanos com o mundo dos animais aqui na Benedetta “ saltou de banda”, como diria o açoriano. Voltará a movimentar o Ventuno em Rio Maior e ficou sem tempo hábil para tal missão. Então amigo Kuki, que nesse retorno logo ocorra grandes espetáculos.

A constante dança das cadeiras não é algo benéfico para a população e para nenhuma administração. Cria períodos de inatividade, seguido de vácuo e do famoso período de “preciso tomar pé da situação”. Normalmente ações desta natureza resultam de pressões humanas. Será que essa do Kuki foi “pressão canina?” O melhor que se pode fazer nessa área, salvo melhor juízo, como ação primeira é apoiar a Dona Maria de Santaninha. Tem experiência, tem o saber fazer como, ou como diria os amantes do colonialismo cultural, tem “know how”. Dizem, mas eu não confirmo, que Dona Maria em tempos idos teria declarado que é mais fácil conviver com seus cães do que com os humanos. Não duvido disso.

Marco Aurélio, ministro do STF, critica decisão que libera cultos com a pandemia em ascensão: “O maior altar é a nossa casa”.

Procede o pensamento do ministro.

Ex-vereador Marquinhos nos informou nesta semana que o Deplan, definido pelo ex-vereador Tita num passado recente “como sendo a casa mais complicada da cidade”, insiste em deslocar a Casinha Preta do Rio América em virtude da implantação de uma rua. Está errado o setor. É ingerência indevida. O assunto diz respeito à Cultura, ao Turismo e ao Movimento Cultural. Que se desloque a rua, não a casinha. Estão procurando cavar uma solução complexa para um problema de natureza tão simples.

Promessa de asfalto nos três caminhos. A intenção é boa. A intenção é asfalto “per tutti i cantoni”. Vamos ver qual será o padroeiro que verá o asfalto sem sair da Igreja.

Vamos ver se será Nossa Senhora da Saúde em Rio Carvão, Santo Antônio em Rio Caeté ou Madonna Del Caravaggio ou Santa Terezinha em Rio dos Americanos, hoje rebatizado para Rio América Baixo.


ATTENTI RAGAZZI


Tempos muito incertos estes que estamos vivendo em que muitos telhados podem cair. Por enquanto não caiu o meu telhado e nem o seu, mas caiu, e não foi ontem, o do Restaurante San Gennaro, aquele santo padroeiro de Nápoles, terra da pizza e da tarantela. Então Cultura e Turismo, sarrafo, prego, martelo e telhas nos devidos lugares. O visual é deprimente.