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Sergio Maestrelli

ANNO DOMINI DE 1880, A PESTE. ANNO DOMINI DE 2020, A PESTE.


Vírus, fungos e bactérias Há 140 anos, nossos antepassados também tiveram seus dias de aflição e desesperança. Vírus, bactérias e fungos há milênios vem acompanhando o homem na sua trajetória sobre a Terra e ceifando vidas. Alguns desses vírus, bactérias, fungos são inimigos mortais invisíveis. A raça humana já foi vítima de grandes epidemias que mudaram o curso da História. Na história de Urussanga, logo no início da imigração uma epidemia de origem não muito bem identificada causou mortes, desesperanças e tragédias provocando um futuro mais incerto ainda do que ele naturalmente é. Nesse ambiente de terror em que eles viveram e neste ambiente esquisito em que nós também estamos carregados de incertezas e desconfianças, um fator pelo menos ajuda a nos tranquilizar. O inimigo é invisível, mas nós sabemos de onde vem, quem ele é, e o que nos causa. Nós que estamos vivendo essa pandemia, estamos apreensivos e inquietos, mas pelo menos temos conhecimento de onde vem o inimigo. Já nossos antepassados não tiveram essa sorte. O inimigo que ceifava vidas misteriosamente era também invisível, porém com um detalhe: nossos imigrantes não tinham noção de quem era ele, de onde vinha e portanto, a aflição era bem maior. A epidemia nos registros do Padre Agenor Monsenhor Agenor Neves Marques em seu livro “História de Urussanga” editado na 1ª administração do ex- prefeito Vanderlei Olívio Rosso ( 1989-1992), na gestão da colega da Academia de Letras, Ester Zanellato, na Secretaria Municipal de Educação e Cultura, faz um registro sobre a peste e a posterior “Missa da Peste”, o termo largamente utilizado pelos colonos. Disse o Monsenhor que a religiosidade do imigrante italiano deixou na nossa história um grande testemunho de fé viva e operante. A religião foi o antídoto para que os imigrantes pudessem superar sofrimentos e tragédias. A peste de 1880 de origem incerta enlutou numerosas famílias. No auge da epidemia, uma grande peregrinação foi feita rumo à Nossa Senhora da Saúde em Rio Carvão e naquele local surgiram as orações, preces, cânticos e a primeira edição da Missa da Peste, na intenção das almas dos falecidos. Doentes com febre alta eram envolvidos em lençóis molhados e amarrados em seus leitos para evitar quedas nas convulsões. Doentes eram envoltos em roupas molhadas com água fria. Outros eram colocados deitados na margem dos rios, em fontes e nos banhados. Num mundo de raras fotografias, uma ilustração retrata o difícil momento vivido por nossos antepassados. Muitos cruzaram o Atlântico apenas para vestir uma mortalha antecipada. 11 de Maio - Um dia sem roça. 11 de Maio - Um dia sem roça, um dia que não se mexe na enxada. Uma doença desconhecida espalha o terror, o horror, ceifa vidas e semeia a desesperança entres os imigrantes em toda a colônia, principalmente na localidade de Rio Carvão. Nossos antepassados em aflição, elevam preces para o céu e rezam para as almas do purgatório dizendo, entre um Pai Nosso e uma Ave Maria, “danosa peste/ Mande la via/ La malatia mai ritornar”! Esse canto ainda hoje é entoado nas missas de Rio Carvão no dia 11 de maio que marca o fim da epidemia e no dia 21 de novembro, dia da padroeira da comunidade. A peste provoca dias vividos de tênue esperança, dias sucessivos de sepultamentos. E onde não se vislumbra o futuro, não há presente. Não existe um único lar sem luto. No dia 11 de maio de 1880 cessam as mortes. A partir daquele ano, neste dia, carros de boi, enxadas e foices permanecem no paiol. Os colonos não trabalham. É dia santo. O “11 de Maio” é venerado como dia santo, como dia de missa, de cantos e de oração do terço, um dia tão sagrado quanto à 6ª Feira Santa, Finados, Natal. Guardar o dia 11 de maio como um dia santo, com uma missa, foi uma promessa assumida pelos antepassados e um compromisso anualmente honrado pelos filhos, netos, bisnetos e tataranetos de seus descendentes na referida comunidade. Minha nonna Rosina Scarabelot Maestrelli, falecida em 2001 aos 99 anos, nos confidenciou que ouvia de seus pais que a cada dia, uma nova morte, um novo golpe. As pessoas iam para a roça com enxadas e praticamente em silêncio. O ânimo e a esperança haviam sumido. O desânimo tomava conta de todos e em alguns se implantava o desespero e a dor. Eram dias de medo, de paúra. Ninguém sabia explicar o motivo das mortes. Um tiro no escuro contra o desconhecido. Para cada um deles, poderia ser o último dia. Enxada numa mão e terço na outra, dizia ela. Minha nonna comentava essa história todo dia 11 de maio. Nos 130 anos de Madonna Della Salute


Pe. Jiovani Manique Barreto celebrou a missa que anunciava os 130 anos de devoção à Madonna Della Salute em Rio Carvão, no ano de 2010. A comunidade delegou a honra do toque dos sinos a Adão Bettiol, sempre uma presença marcante na comunidade. Na véspera do evento, a Rádio Fundação Marconi transmitiu a novena em latim cantada pela Associação Coral Santa Cecília. Jornal Panorama, através de Sérgio e Márcia Marques Costa em viagem pela Itália, presenteou a comunidade com uma imagem da Madonna Della Salute (foto) obtida e abençoada na Catedral de Santa Maria Della Salute em Veneza, a mesma em que o Papa Francisco no mês passado rezou pelas vítimas do coronavírus-Covid-19. Na entrega do quadro religioso em 21 de novembro de 2010, Márcia Marques Costa registrou que o símbolo unia as comunidades de Veneza e Rio Carvão depois de 130 anos da partida dos imigrantes. 11 de maio do Anno Domini de 2020

O imigrante chegou alicerçado no trinômio: Família, Trabalho e Religião. A comunidade de Rio Carvão reunida sob o manto protetor de sua padroeira Madonna Della Salute honrou este compromisso religioso do 11 de maio desde o início da imigração. A religiosidade do imigrante italiano deixou na história do município de Urussanga um grande testemunho de fé viva e operante, na crença no futuro e na vida eterna. Um dos exemplos marcantes desta característica é a devoção à Madonna Della Salute em Rio Carvão, cuja história de seus habitantes se divide em uva, vinho, carvão, canto e religião. E em Rio Carvão, nesses tempos de restrições e isolamento social determinado pelo coronavírus- Covid-19, Padre Daniel Pagani lá estará na próxima segunda feira, 11 de maio, para manter a tradição religiosa mais antiga do interior de Urussanga. Apenas com alguns ministros, rezará na igreja com portas fechadas para os fiéis, a denominada “Missa da Peste” na linguagem de nossos antepassados e que a Igreja a transformou num termo mais suave denominando-a de “A Missa da Promessa”. Uma oração que varre séculos no tempo Oração à Nossa Senhora da Saúde - Virgem Puríssima, que sois a saúde dos enfermos, o refúgio dos pecadores, a consoladora dos aflitos, na minha fraqueza corporal e espiritual apelo para os tesouros de vossa misericórdia e bondade. Atendei- me em minha enfermidade, dai-me a saúde do corpo para que eu possa cumprir os meus deveres com alegria e disposição. Olhai por mim vós que sois a Saúde dos Enfermos. Madonna Della Salute, rogai por nós. Amém.



Rotary Club de Urussanga- 220 máscaras confeccionadas pelas companheiras rotarianas que foram doadas à Prefeitura Municipal por intermédio do CRAS.


PÍLULAS Faltam respiradores, faltam respiradores, faltam respiradores. É só o que se houve. Este aparelho, suporte e tábua de salvação para muitos doentes, é um aparelho de tão grande grau de sofisticação tecnológica assim que a indústria brasileira não pode ser adaptar e passar a produzi-lo? Será que não temos projetistas, nem engenheiros, nem tecnologia para produzir? É preciso aguardar os ditos cujos da China, no outro lado do mundo? Mais uma sessão legislativa ocorreu sem o uso da tribuna e das explicações pessoais, ou seja, com a ausência de debates e apartes, a essência da democracia. Mais uma fatura a ser debitada na conta do Covid-19. Presidente José Carlos José afirmou que a próxima sessão será presencial, porém com o acompanhamento vedado ao público externo. Em sessões com trabalhos limitados, vereadores aprovaram a doação por parte do Grupo Amici Della Polenta ao Poder Público Municipal de materiais visando a montagem de uma atafona na entrada do Parque Municipal, onde antes se localizava o Quiosque da Epagri.O Grupo Amici della Polenta representa um verdadeiro regimento alpino na defesa e manutenção da nossa cultura. O poder de fogo não é de um tiro de espingarda. É tiro de canhão. ATTENTI RAGAZZI No momento de espiritualidade da sessão legislativa desta semana, o vereador Odivaldo Bonetti extraiu da bíblia e citou o versículo mais do que apropriado para os nossos dias com ou sem pandemia. “Amai a Justiça, vós que governais a Terra”. Está cada vez mais difícil praticar este princípio bíblico. O dia a dia de nossos governantes está carrego de exemplos que vão de encontro e que afrontam essa frase.


O ARAME FARPADO O arame farpado cerca o gado, mas não consegue cercar muitos que insistem em desrespeitar o isolamento social imposto pelo Covid-19. Por falar em arame farpado, você conhece a sua origem? Então perca 1 minuto e fique conhecendo. Ele foi criado em novembro de 1868 pelo inventor Michael Kelly. Em 1873, o fazendeiro Joseph Glidden visitou uma feira rural no estado de Illinois, no meio-oeste americano. Ele viu a demonstração de uma cerca de arame normal com tábuas pontiagudas que impedia que o gado escapasse e decidiu aprimorá-la. No ano de 1874, Glidden inventa uma máquina capaz de fabricar arame farpado e, a partir daí, o seu uso generaliza-se . A origem do arame farpado remete aos Estados Unidos. Dois arames enrolados juntos, com partes pontiagudas. Ele patenteou sua invenção, que foi batizada de ‘barbed wire’ ou ‘barbwire’, em 1874. Vivia-se o ano de 1876 quando o jovem americano John Gates construiu um curral em San Antônio no Texas com uma nova cerca de arame, o arame farpado. E as cercas com este tipo de arame transformou o Velho Oeste. Gates começou a vender o arame que segundo ele, era “mais leve que o ar, mais forte que uísque e mais barato que poeira”. O arame farpado surgiu na mesma época em que Graham Bell patenteava o telefone. Duas grandes invenções da época. O telefone mudaria as comunicações e o arame farpado se tornaria um símbolo de delimitação da propriedade privada, um símbolo do Capitalismo. O designer criado por Glidden é usado até hoje em terras ao redor do mundo: arames pontudos que se retorcem ao redor de arame liso. E altamente eficiente, segurando um animal com qualquer peso. Antes do advento do arame farpado, a contenção do gado provocada enormes dores de cabeça. Seguramente Gates e Glidden ao criarem este tipo de arame para cerca, estavam realmente estressados com o manuseio do gado em campo livres, pelas enormes pradarias norte americanas. Quando os animais que viviam em liberdade total batiam numa cerca de arame farpado, ficavam feridos e tristes. O povo protestava e alguns religiosos chegaram a condenar o uso do arame farpado e a chamá-lo de obra do diabo. As vendas explodiram em todo o planeta com os fazendeiros encomendando toneladas e toneladas do produto. Os barões do arame, incluindo Joseph Glidden, ficaram milionários. No ano em que Glidden obteve a patente de seu arame, foram produzidos 51 km do produto. Apenas quatro anos mais tarde, sua fábrica entregou 423 mil km, o suficiente para dar dez voltas ao redor da Terra.

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