SERGIO MAESTRELLI

“NICO”


Nesta semana, o registro de um mês do falecimento de Antônio Silvestrini, o grande amigo Nico.

Amigo meu e de muitos outros. Amigo desde os tempos do curso primário na Escola Isolada de Santaninha, onde minha mãe era professora.

Lá, a família Silvestrini possuía uma propriedade rural. Posteriormente, seus pais José (Bépi) Silvestrini e Ema Maccari, adquiriram a residência de Urbano Gastaldon na Rua César Mariot, imóvel hoje de propriedade de Fernando Volpato.


1968 - 1972

Estamos em 1968 e iniciamos a trajetória inesquecível no Colégio Rainha do Mundo, 5º ano de Admissão e mais quatro anos do curso ginasial.

Nos anos do “Rainha do Mundo”, as lembranças das caminhadas conjuntas. Como morávamos na mesma rua, íamos sempre juntos a pé para o Colégio.

No caminho, em dias leves, os comentários sobre as edições do Zorro e o Sargento Garcia e/ou a Pantera Cor de Rosa do dia anterior na TV Piratini Canal 5.

Os comentários também sobre matérias do Jornal Correio do povo, Revista Manchete, Veja, Fatos e Fotos, O Cruzeiro, também faziam parte de nosso mundo estudantil. Integramos por anos a equipe “John Kennedy”. No rádio e na TV os teletipos da UPI, AP e France Press e Ansa.

Nos dias de tensão, discutindo e tirando dúvidas das aulas ou ensaiando pela décima vez os diálogos em inglês que poderiam ser cobrados em sala de aula com aquele fatídico “You ask him”, do “Hellô Susan”, o “to be – was been” da professora Nelza, sempre a 3ª aula depois do recreio.

Suor frio instantâneo na testa. Era tempos de “matéria dada, matéria estudada” e sem datas pré-agendadas para arguições. Nos 40 minutos da aula, sempre a tensão no ar com a possibilidade de se ouvir nos momentos iniciais, no meio ou no final da aula, a fatídica frase: “Tirem uma folha, nome e data” ou o sorteio de seu número dentro da latinha das “Pastilhas Valda” da Irmã Maria José. O descontrole emocional aflorava em todos nós, em todos os colegas e as reações eram das mais diversas. Alguns preocupados e tensos, outros sentiam algo semelhante como um choque no cotovelo, outros amoleciam os joelhos. As colegas sentiam fraqueza nas pernas e formigamento nas mãos. Alguns sentiam a boca seca, dor de garganta. O stress provocava lábios rachados, outros desenvolviam supostas alergias, coceira na cabeça, dor de ouvido, dor de cabeça. Alguns perdiam a voz por questão de segundos. Em vésperas de provas, uns corriam para a gruta ou subiam o monte Calvário com orações em busca de proteção. Os mais aflitos visitavam os cemitérios, pedindo auxílio para as almas. Vivia-se o período da promoção automática, promoção automática sim, desde que a média fosse superior a 7.0. Muitos, para fortalecer a mente, recorriam a Farmácia Santa Terezinha de Gilson Matos, a Farmácia Santo Antônio de Leão Cassetari ou a Farmácia Santa Rita de Pedro de Brida em busca do organo neuro cerebral, do Biotônico Fontoura ou do Pertônico, o tônico do cérebro e dos nervos. Cada um com o seu controle ou descontrole emocional característico. Registo essas cenas hoje hilariantes num momento triste, porque o Nico era um piadista de primeira linha e tinha tom e grande senso humorístico. Ele sempre foi o número 1, o primeiro da classe, a mente mais preparada, a mais brilhante. Era um porto seguro para os colegas na resolução das tarefas quando as respostas não se encontravam na Barsa ou na Delta Larousse ou em outros colegas.


1973 - 1975

Colégio Marista de Criciúma

O ano de 1972 representou para nós o fim de um ciclo. Para ingressar no Colégio Marista de Criciúma visando trilhar o Curso Científico, era necessário o teste de seleção para o preenchimento das 100 vagas disputadas por alunos de muitos colégios e de vários municípios. Quando um candidato perguntava: De que município que você é, e a resposta era de Urussanga, ele acrescentava: De Urussanga? Do Colégio Rainha do Mundo? Ê, então uma vaga a menos. O Ginásio e Colégio Normal Rainha do Mundo não era apenas um símbolo educacional de Urussanga e sim do Sul Catarinense. Impunha temor e respeito. Tal brilho se devia ao zelo das Irmãs Beneditinas da Divina Providência. Naquele exame de seleção, o Antônio conquistou o 2º lugar e nós, o 7º. Juntos por mais de doze anos, chegava o momento do vestibular, chegava o momento em que a trajetória da vida fez dispersar a nossa turma, cada qual procurando o seu caminho, sendo os mais comuns, Universidade, Banco do Brasil, CEF. Para alguns e algumas também o casamento.


1976 - A UFSC

Formado em Engenharia Elétrica pela UFSC, Nico exerceu o magistério na década de 90 atuando nos colégios Objetivo, Rogacionista, Aplicação, Cedup/Cis, Dom Orione, Universitário e Colegião. De aluno, se transformou em professor do “Rainha do Mundo”. Também abraçou a profissão de bancário. Foi servidor do Banco do Brasil em Criciúma, Içara, Siderópolis e Urussanga. Nos momentos de lazer, veranista do Balneário Rincão. Em sua carteira de identidade era “Antônio”, mas também atendia pelo nome de Toninho do Banco do Brasil, Professor e Nico, o apelido de infância. Ele encontrou a sua “Albertina” desta vida com quem se casou e teve o filho Tiago. Teve a nora Maria e a neta Ana Maria. Nico residia em Criciúma há décadas.


2020

Depois de décadas, nos reencontramos no Banco do Brasil aqui em Urussanga. Eu pagando contas e ele recebendo como caixa. Entre um boleto e outro, fatos relembrados. Constatei que tanto eu quanto ele, durante a vida, mantivemos o tom humorístico na análise dos acontecimentos. Tanto eu quanto ele nos sentíamos plenamente realizados.


2021

Os anos vão, os anos vêm, os dias do calendário avançam de modo frio e insensível e colegas nossos vão nos dando adeus e nos diminuindo de tamanho. Eles seguem rumo à eternidade, mas não seguem sozinhos. Arrastam com eles também parte de nossas vidas, nos momentos compartilhados de alegria, tristeza, tensão, relaxamento, derrota, vitórias, realizações. Relembramos Lévson Damiani, Evilásio Miotello, Dirceu Maccari, Edson Dal Bó e agora Antônio Silvestrini. O Nico do Fusca vermelho cor tomate. Mas nós acreditamos piamente na vida eterna, porque se ela não existir, essa vida terá sido uma grande farsa. E essa vida não é uma farsa. Nico faleceu aos 64 anos, no dia 24 de janeiro. Foi sepultado no cemitério municipal de Urussanga no dia 25, dia do apóstolo Paulo, o apóstolo que juntamente com Pedro formaram as duas colunas do Cristianismo. No dia de seu sepultamento, lá estive no cemitério representando todos os colegas do “Rainha do Mundo” residentes em Urussanga ou fora dela. Nico permaneceu 40 dias no deserto lutando pela vida terrena no Hospital da Unimed em virtude de complicações pós-Covid-19. Assim como o apóstolo Paulo, ele combateu o bom combate, seguiu sereno para a eternidade e está num bom lugar. Este texto constitui uma homenagem dos colegas do inesquecível Rainha do Mundo e do Jornal Panorama.

Tanto eu quanto a editora Márcia Reis Neves Marques Costa, fomos seus colegas de escola.


LIXO NA SERRINHA: GPS PARA ELES, FAMU


A Serrinha confundida com o Aterro Sanitário do Cirsures. A moradora e internauta de Rio Carvão, Jaqueline Trento ou simplesmente Jaque, postou nas redes sociais que resolveu em suas caminhadas pela Serrinha, levar sacolas para recolher o lixo que aqueles que utilizam esse trajeto no sobe e desce jogam pela estrada ou pelas encostas. No “sobe e desce e desce e sobe, o lixo fica”. Não vai e nem vem. Como o brasileiro ainda precisa evoluir! Aconselhamos a FAMU (Fundação Municipal de Meio Ambiente de Urussanga) a colocar por lá um postinho avançado e distribuir GPS para alguns usuários relapsos da rodovia. Eles são péssimos em geografia. Eles têm que entender que estão numa área de preservação permanente e não no Aterro Sanitário do Rio América que fica em Rio Carvão Alto. Este fica um pouco mais adiante, siga em frente sem medo. Você chegará lá. Evidentemente que se trata de uma atitude praticada por uma minoria, cujo adjetivo ou substantivo apropriado não é ignorância e sim safadeza. Não é falta de consciência ambiental, é excesso de sacanagem. Você recolheu lixo na 6ª feira passada. Volte lá Jaque, porque na segunda feira já tinha mais. Divirta-se com suas caminhadas e com suas sacolas.


PÍLULAS

Neste país, como temos exemplos que podem ser encaixados na classificação “com corneta, com trombeta e é só mutreta”.

O programa “Voce Della Benedetta” apresentado por Nevton Bortolotto, Gilson Paúra Fontanella e pelo Edson Kuki Savi Mondo neste último final de semana esteve imperdível. Esteve impecável. O programa foi centrado nos bergamascos. Num dos diálogos hilariantes, Bortolotto pergunta para um ouvinte: “Ti sei Bergamasco? No,No,No. E Bortolotto emenda: Ma non stai mia te preocupare. Dio te perdona”.

“Nas coxas” deveria ser a classificação técnica e também política para definir a vergonha que se chama passeio público da Avenida Marcos Costa rumo ao Pirago. Em poucos anos, totalmente detonado, desnivelado, quebrado, um perigo para os amantes das caminhadas para qualquer idade. É o exemplo perfeito de obra terceirizada mal feita com a total ausência da fiscalização do Poder Público Municipal. Se você não é da velha geração e não entendeu a expressão utilizada, então dá um Google para entender de onde procede o chamado trabalho “feito nas coxas”. E o contribuinte, pagando toda a farra, sempre se comportando como ovelha e nunca como lobo. Esperamos que não ocorram no horizonte público, outras obras desse quilate, dessa bitola.

Quer nos parecer que na Câmara, o denominado trio emedebista da bancada de oposição, por algumas razões que ainda cabe vir à tona e serem analisadas, é na realidade um dueto. Na última sessão que foi comandada pelo vereador Elson Roberto Ramos e que foi prestigiada por vários companheiros de partido, o comentário velado de um deles: “é que dentro do partido, um ou dois que já provocaram outras implosões e saídas, querem agora deixar o Beto Cabeludo careca”. Então “Pédo di prima” diria o referido vereador.

O Vereador “duas vezes José” não se desliga da energia. Ele informou que teve a primeira reunião com a Coopercocal para discutir um projeto de iluminação da Serrinha. Altair Lorival de Mello, o Belha, garantiu apoio. Na realidade esse Belha é uma abelha que anda produzindo muito mel na área da energia, na área da Coopercocal. Ele começou varrendo o chão da empresa e atingiu o topo com méritos.

Neste sábado, na Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, a missa registrando os 11 anos de ordenação do nosso pároco Daniel Pagani, natural de Treviso, com nonos na Vila Nesi, numa casa bem próxima da casa onde nasceu o tenor Aldo Baldin. A Vila Nesi produz bons tenores, padres e agricultores. Produz gente da melhor qualidade, diria o Aires Frosi.


ATTENTI RAGAZZI


Para alguns, o domingo é dia de estar com “A Outra”. A Outra? Sim, “A Outra”. Assim como você está pensando, eu também estou pensando nela, na outra, a cerveja forte, escura, tipo Malzbier, 600 ml com graduação alcóolica de 4%, produto da indústria brasileira que deve ser apreciada gelada e com moderação. E se beber, não dirija e se vai dirigir, não beba.



Na última 6ª Feira, dia 19, foi erguida por funcionários da Empresa, parte da antiga torre da transmissão desmontada lá nos Altos do De Bridão Alto, a torre que fez a rádio permanecer no ar por quase 70 anos na frequência AM 780. A iniciativa faz parte do projeto “Espaço Memória” da Rádio Marconi que terá lugar de destaque na ampliação das instalações físicas da emissora.



Em tempos de pandemia, o negócio é ficar em casa e fazer queijos no porão. É o que estão fazendo Darvino Périco e Iva Nesi na Rua do Sapo. E o bom dessa história é que produto não é destinado para venda. Apenas para o consumo próprio e dos amigos.