SERGIO MAESTRELLI

ENTRAMOS EM 2021


Entramos em 2021 com a graça de Deus. Registro a mensagem dos rotarianos emitida pelo tesoureiro Roberto Lopes, o “Peixe”. “Dizem que antes de um rio entrar no mar, ele treme de medo. Olha para trás, para toda jornada que percorreu, para os cumes, as montanhas, para o longo caminho sinuoso que trilhou através de florestas e povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto, que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. Somente ao entrar no oceano o medo irá desaparecer, porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas de tornar-se oceano”. Não podemos viver 2020 novamente, mas 2021 é nosso oceano possível. Então, sem medo de entrar no mar.


AS NOSSAS BENDITAS VINDIMAS

Vindima é o termo utilizado para designar a colheita da uva visando a produção do vinho.

A palavra tem origem no latim: “vinum – vinho”. Salvo raríssimas exceções, onde há italianos, há uva, onde há italianos, há vinho.

No processo de colonização italiana no Sul Catarinense com implantação da Colônia Azambuja /Urussanga em 1877/78, polenta seguramente desde o primeiro dia, mas a colheita da uva somente depois de alguns anos. Os primeiros registros de produção de vinho datam de 1881 com os imigrantes Fornasa e Macaloce. Em 188, dez anos depois já há registros de produção de vinho em torno de 20.000 litros, cujo produto era destinado aos casamentos e festas de igreja. Por volta de 1900, surge a variedade Goethe com Giuseppe Caruso Mac Donald. De 1910 a 1940 surgem as grandes cantinas: Uru, Cadorin, Samos. Azambuja, Rancho dos Bugres, Rio Caeté, Rio Carvão, Rio dos Americanos eram as grandes localidades produtoras do vinho branco que encontraria a sua fama. A história registrou que o primeiro plantio de uva Goethe de Urussanga ocorreu na propriedade dos imigrantes Adamo Ceron e Teresa Pasqualotto em Rio Carvão. As nossas vindimas que ocorrem no mês de janeiro podem ser consideradas não apenas como um fato econômico em si, mas um fato social de relevância para os nossos imigrantes. Janeiro reunia vizinhos e mais vizinhos para a colheita dos parreirais. Mergulhado no processo de colheita, as conversas, as fofocas, as alegrias, os cantos. Minha nonna Rosina Scarabelot Maestrelli, que faleceu a poucos meses de completar 100 anos, afirmava que o mês mais triste de Rio Carvão era o mês de maio que lembrava a peste e os dois meses mais alegres do ano eram novembro e janeiro. Novembro, 21, era a festa da padroeira da localidade, Madonna Della Salute, e janeiro pela colheita da uva branca, a Goethe e da tinta, a Tercy, a Bordô. E assim, de vindima em vindima, ano após ano, chegamos em 2005 com a criação da ProGoethe e depois de muitas batalhas, a conquista da IG Vales da Uva Goethe em 2011. Tem início, então as Vindimas Goethe, as vindimas de nossa era. Em 2008, com técnicos, autoridades, turistas e produtores foi aberta a vindima com uma oração no pequeno Capitel dedicado a Madonna Della Grazie na Pousada Mazon. Em 2009, na centenária Igreja de São Pedro, tem início a missa da vindima que foi celebrada pelo Pe. Evaristo De Biase. Em 2010, a segunda missa da vindima – “a missa das mãos que colhem” - comemorando-se no dia 22 de janeiro o dia de São Vicente, padroeiro dos vitivinicultores. No evento, os padres Carlos Weck e Pedro Paulo Custódio. Na sequência, os padres Jiovani Manique Barreto e Daniel Pagani. Naquele ano, surgiu numa reunião da ProGoethe a ideia de institucionalizar a Festa da Vindima. Com o enólogo Stevan G. Arcari, procuramos o vereador Jucemar Sangaletti, que representava os agricultores, e ele entrou com o projeto do Dia Municipal da Uva e do Vinho Goethe, oficializando deste modo a Vindima como festa oficial de Urussanga ao lado da Festa do Vinho e da Ritorno Alle Origini. E assim já ocorreram 13 vindimas e a cada ano, janeiro chegando e com ele a vindima. Em alguns anos, uva em abundância, em outros, nem tanto, mas a alegria da colheita permanece inalterada. Durante a vindima, a uva colhida se transforma em vinho, que derramado nas taças e no tintim delas, faz nossa alegria permanecer e neste momento relembro a frase do nonno João Trento. “Quem 100 anos bebeu, 100 anos viveu”. E neste ano um novo brinde à nossa história, aos nossos antepassados, à nostra Benedetta e a nostra Azambuja, ao nosso tempo, com a vindima no parreiral da Rua do Sapo. Fizeram uso da tesoura, Ademir Fontanella, Sérgio Costa, Derdi Maestrelli, Paúra, Nicola Gava, Bortolotto, Aldo Biz e o nosso Cristo do Rio Perso, que já transforma farinha de milho em polenta. Mas água em vinho, ainda não.



“A Voz dos Vinhedos” - ZYT 22 - Difusora ZYH 200, “A Furiosa” - Marconi AM 780- FM 99.9 - Andorinha Mensageira – Ano 1 ,3 ,9, 17, 19, 21, 22, 39, 45, 57, 66... Ano 70. Nesta quarta feira, 10 de Fevereiro, a Rádio Fundação Marconi completa 70 anos no ar. Do auto falante na torre da Igreja Matriz à FM 99.9. E a 4ª feira se transforma num domingo. Após a oração da Ave Maria, a programação abre com a Kaiserwalzer (A Valsa do Imperador) com o som das aves brasileiras gravadas nas matas brasileiras por Johan Dalgas Frisch. Vai ao ar o programa dominical de Andorinha Mensageira, um dos mais antigos programas do rádio catarinense ainda no ar. Na sequência, a missa de Ação de Graças. À noite após a transmissão de “A Voz do Brasil” com o seu “Em Brasília, 19 horas”, a Live 70 anos - 70 prêmios a ser transmitida das escadarias da Igreja Matriz. Gerações se sucedem para manter a Marconi no ar. Um dos exemplos está aqui na imagem. Luiz Carlos Frasson Marques, o escudeiro do padre Agenor, o homem das transmissões numa das missas da Madonna Della Salute em Rio Carvão no início do século. E no colo, o filho Gustavo Sprícigo Marques, hoje repórter esportivo e produtor de programas radiofônicos.


PÍLULAS

A 1ª pílula de 2021 teve origem numa observação do jornalista Sérgio Costa. No alvorecer do segundo dia de 2021, estávamos carregando a caminhonete para a Esplanada quando eis que surge de máscara em sua caminhada habitual, ele, o caminhante Sérgio Costa. E aí comentou: vão descer todo mundo para a praia? Não, afirmei eu. Só vamos nós três (eu e dois filhos) para cortar grama. Nisso o neto quis interromper a conversa e eu retruquei: “Eduardo, o Vô já falou para você que quando a gente está falando com alguém não é para interromper”. “Mas o Vô errou. Não são três, são quatro que vão para a praia. Eu também vou”. Olha aí o medo de ficar em casa.

A receita do último natal das lojas Benoit precisa entrar para o universo das “Pílulas”. Este empreendimento comercial sorteando entre seus clientes 20 prêmios de 13 mil, sendo 10 mil para você e 3 mil para a entidade assistencial que você escolher, merece aplausos. Corro então para elogiar e parabenizar os autores desta ideia super original.

“Existe um investimento que suplanta qualquer investimento. É você investir em você mesmo.” Do bilionário Warren Buffet, investidor desde os 9 anos.

A Pandemia está popularizando algumas palavras que não circulavam em sua mente. Agora circula. A comorbidade é um dos exemplos. É o termo médico para se referir a situações em que uma pessoa possui alguma doença em conjunto com outras, ou seja, a coexistência de doenças.

Ouvido na esquina. Desde que o ser humano surgiu no planeta, diferenças fazem parte de sua história. Com o advento do banheiro, não foi diferente. A “base, a planície” puxando a cordinha da caixinha d’água e a “nata, a elite” apertando a válvula Hydra.

Um lado afirma que Pazuelo, o ministro da Saúde especialista em logística, por causa da questão das vacinas, vai quebrar o bico e o presidente, em termos de pandemia e vacinas, é apenas uma questão de tempo para entrar numa sinuca de bico. – Vacinas anti-coronavírus – Para nós o ministro da Saúde já quebrou o bico. E nós ficamos apenas e somente com o grão de bico aí nas prateleiras dos mercados.

A Família Cristã, tradicional revista brasileira das Edições Paulinas circulando desde 1934, portanto há 86 anos, a partir de janeiro de 2021 vai mudar de visual, de formato, e buscar novos caminhos impostos pelos tempos que mudam. Dezembro/2020 foi a sua última edição mensal impressa e vai se tornar Família Cristã Digital. Foi responsável pela 1ª edição no Brasil a Ir. Stefanina Cillario, falecida em 2006. Foram 1020 edições. Circulou em muitos países europeus. Na Itália, a revista chegou a ter dois milhões de leitores. O mundo sempre foi de mudanças em todos os níveis.

2020 - Ano de muitas perdas de muitos amigos. Foram marcas do que se foi, ou melhor, marcas que não se foram. E todos fazem falta em nossa caminhada, em nossa história.

Sentimento de dever cumprido. “Dei o meu melhor para a população e eles me concederam uma aprovação de 80 %,” Hélio Cesa, o Alemão, ex- prefeito de Siderópolis “ Concluo meu mandato com a disposição do primeiro dia. Dei o máximo de mim. A curto prazo volto para a Unesc com o mesmo vigor e disposição.” Do ex -prefeito de Içara, o urussanguense Murialdo Gastaldon.

Em assembleia geral ordinária e de modo virtual foi eleita a nova diretoria do Comitê da Bacia do Rio Urussanga, bem como aprovado o Plano de Trabalho do referido Comitê para 2021. Assumiu como presidente o representante da Epagri, Engenheiro Agrônomo Fernando Damian Preve Filho, na condição de vice, Miriam Conceição Martins da Unesc e secretária executiva Lara Possamai Wessler do IMA.

Da série como diria o...

Como diria o Sérgio Costa ao nos ver deslocando para a antiga propriedade dos nonos, fazenda é quando você ganha dinheiro no meio do mato e gasta gostosamente com mordomias na cidade. E sítio é quando você gasta o dinheiro ganho na cidade no meio do mato. É vero.

Como diria o Edi Carlos de Rezende, os prefeitos foram empossados no dia 1º. E nós acrescentamos. Empossados significa que tomaram posse ou também que alguns entraram na poça d’água e vão ter que drenar o banhado das finanças. Parece que o município de Treviso, salvo melhor juízo, é um deles.

Se teve um personagem que a grande mídia tentou implodir nos 365 dias do ano de 2020, esse personagem foi o presidente Jair Bolsonaro. E ele termina o ano provocando aglomeração do povo por onde passa com um turbilhão de pedidos de selfies e autógrafos e com a popularidade em alta. O lema da campanha eleitoral era: “É melhor Jair se acostumando”. Parece que a grande mídia ainda não se acostumou.


ATTENTI RAGAZZI

“Maestrelli, sempre que puder, dê um coice violento contra o preconceito, seja ele qual for”. Monsenhor Agenor, numa das correspondências a nós enviada quando universitário em Pelotas/RS no final da década de 70. Nunca me esqueci deste conselho, meu grande amigo. Já disparei dezenas de coices nesta direção. O mundo anda ruim devido à ação dos maus e torna-se ainda pior com a omissão dos bons. Como diria Dante Alighieri, o lugar mais quente do inferno está destinado aos muristas. Aqueles escondem a opinião e estão sempre numa boa, uma hora na esquerda, outra hora na direita, conforme a direção do vento. Se necessário for irão para o centro.