SERGIO MAESTRELLI

A ÓPERA O GUARANI, O ÁPICE DA MÚSICA CLÁSSICA NACIONAL


O Guarani, uma das óperas do compositor brasileiro Antônio Carlos Gomes, se transformou no ápice da nossa música clássica. Ela estreou no Teatro Alla Scala de Milão, na Itália, no dia 19 de março de 1870 com estrondoso sucesso. Foi uma criação romântica de Carlos Gomes, nascido em Campinas/SP, em 1836, com grande destaque nos teatros europeus. Ele iniciou seus primeiros passos artísticos na Banda Musical de Campinas formada pelo seu pai e irmãos, dividindo o tempo entre a banda e o trabalho numa alfaiataria costurando calças e paletós. A vida do compositor foi marcada pela dor. Ainda criança teve sua mãe, Fabiana Jaguari Gomes assassinada aos 28 anos. Seu irmão José Pedro de Sant”Ana Gomes foi seu fiel companheiro nas horas amargas. Namorou com uma moça da família Correia do Lago e para ela escreveu “Quem sabe”, cujos versos são famosos com “Tão longe de mim distante..”. Foi escolhido pelo Conservatório de Música do Rio de Janeiro para ir à Europa com custos pagos pelo Governo Imperial. Dom Pedro II preferia que Carlos Gomes fosse para a Alemanha, onde pontificava o grande Wagner, mas a imperatriz, Dona Teresa Cristina, napolitana, sugeriu-lhe a Itália. Em 1863 o estudante partiu a bordo do navio inglês Paraná. Levava cartas de recomendações de Dom Pedro II para o Rei Fernando de Portugal e para Lauro Rossi, diretor do Conservatório de Milão. Neste conservatório, sua primeira peça musical foi em dialeto milanês. Em 1867 ouviu um garoto na praça do Duomo gritando “Il Guarani, Il Guarani”, do romance de José de Alencar e assim compôs a sua ópera com sabor bem brasileiro que o imortalizou, embora a obra “Fosca” foi considerada a mais importante pelos críticos. A Ópera foi representada por toda a Europa e América do Norte. Giuseppe Verdi teria assim se pronunciado sobre Carlos Gomes: “Questo giovane comincia dove finisco io!” Este jovem começa onde eu termino. Em solo brasileiro a Ópera O Guarani estreou no dia 2 de dezembro de 1870, aniversário do Imperador D. Pedro II, uma noite de grande consagração e emoção para o autor. Na Itália, Carlos Gomes casou-se com Adelina Peri, que devotou toda sua vida ao maestro. Do casamento nasceram cinco filhos, muito amados pelo compositor. Todavia, um a um foram morrendo em tenra idade, tendo restado somente a filha Ítala. Abalado por seguidos e profundos desgostos, doente e desiludido, não mais perseguia a glória e sim a ideia fixa de voltar para o Brasil. Na Bahia, compôs o hino oficial do 4º Centenário de Camões. Ainda na Itália, Carlos Gomes compôs a ópera Condor e a grande ópera “Lo Schiavo”- “O Escravo”, feita em homenagem à Princesa Isabel, a Redentora. As dores físicas ainda não lhe haviam quebrado a resistência, mas as desilusões, mágoas e decepções da vida, sim. O exílio de D. Pedro II foi uma delas. Outra foi o ambicionado cargo de diretor do Conservatório de Música. Com a proclamação da República, o governo lhe ofereceu a quantia de vinte contos de réis para que compusesse o novo hino nacional e o maestro e compositor, por respeito ao imperador, recusou. Em 1895, mediante convite do Governador do Pará, ele passa a viver em Belém, onde assume a direção do Conservatório de Música. Cercado de amigos paraenses, Carlos Gomes morreu no dia 16 de setembro de 1896. Um tumor maligno o levou ao túmulo. Em seu velório na capital paraense teve o carro fúnebre desatrelado dos animais e passou a ser conduzido pelo povo sob os acordes de “O Guarani”. Na Catedral da Sé teve a sua missa de réquiem. Seu corpo embalsamado sai do porto de Belém para o Porto de Santos sendo transportado pelo vapor Itaipu com honras militares. Foi sepultado em Campinas/SP, sua terra natal. Sua efígie foi retratada na moeda de 200 réis em 1938 e na nota de cinco mil cruzeiros em 1990. Carlos Gomes é também o patrono da cadeira de número 15 da Academia Brasileira de Música. O compositor foi maçom e o Guarani Esporte Clube de Campinas, fundado em 1911 por jovens de ascendência italiana e um jovem de ascendência alemã, foi batizado em sua homenagem.

O maestro, que sempre conservou o seu grande espírito de brasilidade, a quem os italianos haviam apelidado de “testa di Leone” devido à farta cabeleira, não morria, apenas cruzava os umbrais da fama. Teve o nome inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, em 26 de dezembro de 2017. Não sei por que o povo brasileiro cultua tão pouco seus heróis. Você conhece pelo menos a abertura da ópera O Guarani? Não? Conhece sim. É impossível que você nunca tenha ouvido. Ela, há várias décadas, abre o programa “A Voz do Brasil” com o seu tradicional “Em Brasília, 19 horas”.


A REPÚBLICA DE FLORIANÓPOLIS


Era considerada a República de Florianópolis, mas por que não a “Monarquia de Florianópolis? Na edição anterior, registramos o “Rumo a Pelota, rumo à Derrota” dos tempos de estudante. Mas este colunista, César Delayti o nosso Camelô, Vicente de Bona Filho e Rodolfo Henrique De Bona, o “Ike”, também tiveram uma passagem por Florianópolis com estadia na Pensão da Ninna, na Praça Getúlio Vargas, conhecida como a Praça dos Bombeiros. Estávamos no Cursinho Pré-Vestibular Barriga Verde em 1976 no ano sem rumo. Vamos contar uma de cada um do trio para sermos imparciais. A do Camelô, sempre de roupão até às 11 horas da manhã. Só estava impecavelmente vestido nas manhãs bem cedinho quando o Tenente Osmar Delayte saía de Urussanga para visitá-lo e logicamente deixar algum dinheirinho. A nossa foi essa. Depois de uma semana na Pensão da Capital, num sábado de manhã na Sociedade Comercial Santo Antônio, fomos comprar uma mala preta, meias, pijama, etc. O seu Lauro De Bona nos perguntou: “e aí, como está em Florianópolis?” E eu respondi: “Ah, seu Laurinho, eu não estava preparado para esta vida”. Tive o azar de o Ike ouvir a conversa e espalhar para todos. E o Ike sempre com dor de cabeça. Uma tarde fui com ele no então denominado Posto de Saúde para uma consulta sobre essa dor de cabeça que não passava nunca. O médico indagou: “Em Urussanga você não tinha dor de cabeça? Não doutor. Começou assim que eu vim para Florianópolis.” E o médico respondeu. “Não se preocupe. Não é nada. É que você não está acostumado com o barulho da cidade grande. Logo vai passar.” E não é que passou mesmo. A do Vicente: ao descer a escada da Pensão da Ninna rumo ao subterrâneo, um prego na escada rasgou a calça dele. O Vicentinho murchou pelo resto do dia e só dizia: “como é que eu vou falar para minha mãe que eu rasguei a calça nova de veludo? Rimos três semanas. E para encerrar, outra nossa em parceria com o Ike. Num final de semana de volta a Urussanga, nós dois fomos cortar o cabelo na Tita do Vânio. E ela nos disse: “Ike e Serginho, vocês não fiquem chateados, mas vocês dois estão com piolho.” O Ike disse: “então é por isso essa coceira, essa dor de cabeça...” E eu disse: “Bem Tita, fazer o quê. Se pegamos piolho, pelo menos não é um piolho do interior. É um piolho da Capital.” Que tempos!


No dia 20 de setembro, dia em que os gaúchos comemoram a Revolução Farroupilha, o Criciúma Esporte Clube foi a Erechim/RS , não passou pelo “Posto Ipiranga” e se afogou no Colosso da Lagoa.

- Cartão vermelho para mim. Corrigindo e também completando a matéria: “Rumo a Pelota, rumo à derrota” da edição anterior. Na República de Pelotas da década de 70, o hoje engenheiro civil da Terra dos Condes, Hélio Antônio Pizollatti era conhecido como Hélio Pizollatti Filho, em virtude do pai ser Hélio Pizollatti. Como afirmava o Lucafo, Hélio Pizollatti bom é o pai, o filho nem tanto. E completando que também fez parte desta República, além do Claris Damiani, o Douglas Corrêa. O Douglas era membro da velha guarda do apartamento da Andrade Neves 1237, o apartamento da Dona Percília. Era o único da odontologia no time da agronomia. “O frio era tanto que as paredes azulejadas e o calçamento de paralelepípedos vertia água. Mas que saudades. Era feliz e não sabia”, registrou o Douglas. É verdade Douglas, aquele clima de Pelotas com 110% de umidade não dá para esquecer.

- “Se pegar a senha, venha”. É o recado e o lembrete do nosso pároco, Pe. Daniel Pagani, aos fiéis para as missas dos domingos na Igreja Matriz Nossa Senhora da Imaculada Conceição.

- Na 6ª Feria passada, por problemas “técnicos”, não ocorreu a Live Cultural do Bauco Ma No Tanto direto do Restaurante Pirago. Ficou para dia 2 de outubro essa grande realização cultural que envolveu na coordenação dentre outras pessoas, o trio formando por Nicola Gava, Gilson Antônio Fontanella, o Paúra, e Nevton Bortolotto. Foi divertido aguardar a live e observar a Terezinha Possenti dizendo que iria endoidar com a voz do Valmor Marasca, o Lucafo mandando um “svelto, svelto Paúra” e o Amauri Bez Batti observando a tela “Dentro de instantes, iniciaremos a nossa transmissão” afirmando pelas redes sociais o seu italianíssimo “Avanti, Avanti”.

- Meu nome é home office, mas pode me chamar de tédio. Muitos e muitas não irão aguentar a mesmice de ficar em casa cinco ou mesmo sete dias por semana. Muitos relacionamentos serão literalmente arrebentados. Os psicólogos que se preparam porque o campo de trabalho será enormemente ampliado.

- A professora Marizete Martins Concer, a mulher do amigo Miraldo, é a nova presidente da Apae. Então nomeia o Miraldo como assessor sem remuneração e coloca o mesmo no lavoro, Marizete. Desejamos a você uma eficiente gestão nesta causa tão nobre de conduzir com o apoio de todos os funcionários e colaboradores esta entidade.

- As Gotas que salvam. Está em andamento a fase inicial da batalha de 50 dias pela vacinação anti-pólio que se estenderá por todo o Brasil até 30 de Outubro. Para animar, o personagem Zé Gotinha Digital. No distrito 4652, estarão envolvidos nesta batalha cerca de 3.500 rotarianos.

- “A reforma política não pode ser feita por políticos. Por nenhum deles. Porque eles vão apenas reproduzir os seus interesses”. Do Professor Valdecir Rampinelli, professor de História da UFSC, nativo de Nova Veneza, a filha caçula da imigração italiana.



ATTENTI RAGAZZI

“Lugar de mulher é aonde ela quiser” – De Rodrigo Hilbert, de Orleans, Terra dos Condes, em seu programa Tempero de Família no GNT. Antigamente vigorava a máxima: “Lugar de mulher é na cozinha”. Tem razão o orleanense. As gerações se sucedem, os pensamentos mudam e os tempos também.


A Igreja Católica de Urussanga agora com duas secretárias e com duas “Roses”. A Roseana da Silva, a Rose da Aparecida do Bairro da Estação e a Roselita Locatelli Vendrame, a Rose da Imaculada Conceição.


E na residência da Rua Alfredo Gazzolla, 233 em tempos de pandemia, a Neca delimitou o piquete e autoriza o marido Juvenal Barbosa a no máximo ir para a varanda. Sair para a rua, como diria aquela propaganda do presunto “nem a pau Juvenal.” Saudades de Santana, da CCU e do Clube dos Treze, diria o amigo Juvenal.