SERGIO MAESTRELLI


“Aspectos Históricos da Extensão Rural no Brasil e em Santa Catarina” é a mais recente publicação da Epagri que retrata a fundação da Extensão Rural em SC através da antiga Acaresc, atual Epagri. O documento retrata a realidade vigente nos antecedentes da Extensão, a instalação e trajetória dos primeiros 25 anos deste serviço pioneiro que mudou radicalmente o meio rural catarinense, transformando-o no que ele é hoje e o que ele representa na economia do Estado. Analisa seus impactos e resultados de 1956 a 1991, ano do fim da Acaresc e do surgimento da Epagri. Tudo isso relatado e escrito por alguém que fundou este serviço e que até hoje dele, o Dr, Glauco, o setor não pode prescindir. O projeto que desembocou na criação da Acaresc foi denominado de Projeto ETA-17. “Eta” projeto hein!, Grande Glauco. Estou falando do companheiro e extensionista rural da Acaresc, Engenheiro Glauco Olinger, 97anos, cuja trajetória teve início em 1948. Sem a sua atuação, o meio rural catarinense não seria o que hoje ele é: rico, pujante e respeitado no cenário nacional e mundial.

O Dr. Glauco, este lageano alemão esbanjando otimismo, dedicação, vitalidade e com quase um século de vida e publicando livros.

O nome Glauco é a forma latinizada do grego Glaukos, o qual significa “verde”, “esverdeado”. Só podia ser mesmo assim, simbolizando o verde, a cor predominante do meio rural. Ele que suspendeu sua participação num importante evento fora do Estado para naquele dia 25 de julho do ano de 1988, Dia do Colono, estar em Timbó no Médio Vale do Itajaí para nos prestigiar no evento de lançamento do livro “A Extensão Rural na História de Timbó”. A obra que retratava os agricultores e a ação do Escritório Local da Acaresc de Timbó, o 3º mais antigo do Estado, apenas atrás dos escritórios de São José e Rio do Sul. Temos orgulho de ter participado desta história e de ter vivenciado o seu ciclo final de grandes conquistas e realizações. O companheiro Glauco também este aqui em Urussanga, em 2004, nas comemorações dos 40 anos de abertura do Escritório Local da Acaresc de Urussanga, cuja primeira equipe foi composta por Euclides Mondardo, Anna Zim Pilotto e Marli Galli Fréccia.


PROJETO RECUPERAR

A imprensa regional divulgou mais um capítulo da interminável novela do Projeto Recuperar em sua “pretensa e ambiciosa” missão: tapar os buracos das rodovias da Amrec. O último capítulo divulgado informa que “alemão- italiano” Hélio Roberto Cesar, prefeito de Siderópolis e presidente do CIM-Amrec, o convênio com o Governo do Estado. O prefeito foi sincero e humilde ao admitir que “estamos atrasados quase um ano e meio”. Eu diria: não quase um ano e meio e sim um ano e nove meses. O Projeto Recuperar deitou e rolou na burocracia por quase meio Governo Moisés. Ele prevê a execução de serviços de sinalização com pinturas e colocação de placas por uma empresa. A operação Tapa-Buracos fica com outra. E o serviço de roçada com uma quarta, já que a anterior iniciou o trabalho e desistiu do contrato. Tem ainda o da fiscalização em fase de licitação. Que o cidadão não se assuste se numa próxima etapa haverá uma licitação para uma empresa erguer a placas caídas pelo lado esquerdo e outra licitação para uma empresa erguer as placas caídas pelo lado direito e outra empresa para recolher o lixo jogado às margens da rodovia pelos bípedes sem respeito ao meio ambiente. “Virgi Maria”, diria o caboclo, onde vamos parar. É muita empresa para pouco serviço. Fazer piadas neste país está cada vez mais difícil. É muita concorrência da realidade, eu diria até uma concorrência desleal. E o VAR não se pronuncia.



Ficamos contentes com a reforma iniciada da antiga residência da Família Amaral, leia-se João Amaral, Íria Damiani e Filhos na Rua do Sapo, sempre movimentada pela política desde os tempos do PTB. A casa era uma referência da arquitetura da nossa rua na dourada década de 60, com a sua varanda em arco e sob ela, muitas conversas entre vizinhos nas longas noites de verão antes da chegada da TV Piratini Canal 5 e TV Gaúcha Canal 12.



Dos “Arquivos Históricos do Vicentinho”, nós dois, ele e eu no dia 20 de setembro de 1978, em Pelotas/RS, tendo ao fundo a rica arquitetura açoriana e portuguesa no dia em que os gaúchos anualmente param para reverenciar os heróis da Revolução Farroupilha, liderados por Bento Gonçalves. A tribo de urussanguenses na Capital do Charque e da Cultura com grande influência da França, com vários cinemas e teatros impecáveis como o Teatro Sete de Abril e o Teatro Guarani. Formavam o pelotão: Vicente De Bona Filho, Idelson José Miranda, Ivan Zanellato Silva, Dalton Damiani, Harilton Bez Batti, Norberto L. Bez Batti, Marcos Ricardo Mariot, o “Nanau”, Jailor Souza Miranda, Sérgio Roberto Maestrelli, Ernani De Villa, o “Toco”, Domingos Rogério Donadel, Arnaldo Zanatta Contessi, Roberto Contessi, o “Betinho da Dona Juvelina”, que tinha pouco interesse no vestibular, o interesse dele é comprar um par de pés de pato. Encontrou, comprou e voltou satisfeito, Alvir Matiolla, de Morro da Fumaça, e os representantes da República de Orleans: Cleb Zomer, Amauri Correia, Samuel Sandrini (Runi), Hélio Pizolatti Filho. Foi em Pelotas que o “Nengo” foi batizado e recebeu o apelido definitivo de Lucafo, de Hélio Pizolatti Filho. Uma noite depois de uma festa para espantar o desânimo, a chuva, o frio e o tempo nublado, o vento Minuano que nas esquinas soprava cortava queijo em fatias, depois de várias caipiras em cuias de chimarrão, alguém que até hoje não descobrimos quem foi, escreveu nas malas de todos, a inscrição: “Rumo a Pelota, Rumo à Derrota”. Quase todos deserdaram, e da última turma ficamos apenas eu e o Jailor até o fim da batalha. Como aquele Passat 0 KM voava naquelas retas dos pampas, hein Toco... E os endereços inesquecíveis: Rua Uruguai, 2159, Andrade Neves, 1237, Tiradentes, 3080, Hotel Fonseca, Álvaro Chaves, 212, Rua XV de Novembro – Edifício A.R. Lavrador- AP -631-A. Um grupo de amigos se deslocou para São Leopoldo na Unisinos: Telmo do Amaral, Rodolfo Henrique De Bona (Ike), Marquinhos Bez Birollo (e seu “ai Lizete, que longe!”), Wolney Roberto Schmitz (“não vai Wolney, não vai”. “Mas eu tenho que ir. Eu sou obrigado”, dizia ele para a namorada Janete de Brida, da janela do ônibus da Empresa Santo Anjo ou São Cristóvão rumo a Porto Alegre/RS). Na Universidade do Vale do Rio dos Sinos também as mulheres: Márcia Amaral, Vera Schmitz, Rose Sandrini. Na imagem dos tempos dos filmes Kodak -12 poses preto e branco, nós dois, o Vicente e eu. Eu com o cabelo sob a influência dos “The Beatles” e Rolling Stones e o Vicente tentando se parecer com o Tony Tornado, o cantor da famosa música: “A gente corre e a gente morre na BR 3”, e também com o jogador Nunes do Flamengo, segundo o Ike. Nós dois com as famosas calças boca de sino, na época na moda ditada pelo Dener e pelo Clodovil. Como diria a costureira Marta Costa, se quiserem calças com boca de sino é preciso comprar mais tantos centímetros de fazenda. Convém destacar que foi o amigo Daniel Bilk Costa que alguns anos antes, nos tempos gloriosos do Ginásio e Colégio Rainha do Mundo, introduziu este traje em seu uniforme de camisa branca C.R.M. e calça marrom com lista azul que escandalizou as freiras daquele educandário. Inicialmente proibido, depois de muita discussão na Associação de Pais e Mestres, o mesmo foi liberado, com ressalvas, pois era preciso respeitar a largura máxima permitida de ‘xis” centímetros. Tem coisas que aconteceram em Urussanga que nem o diabo acredita. Mas que tem, tem.


PÍLULAS

O diálogo entre dois amigos numa mesa de bar/lanchonete entre uma dose de uma branquinha e de uma amarelinha aqui na Benedetta: Se a banana é verde ou amarela, por que o consumidor pergunta: tem banana branca? Afinal quem é mesmo que põe a mão na massa: é o padeiro ou o pedreiro, ou alguém mais?

“O ser humano precisa ser reestudado, infelizmente.” Raphael Faraco, apresentador do Bom Dia Santa Catarina, sobre o comportamento de alguns nesse período de pandemia com relação ao desrespeito, às autoridades, a eles mesmos e aos seus semelhantes.

Lula defende Bolsonaro sobre interferência na PF: ‘Mentira de Moro’. Eu vejo tudo e não morro, Sérgio Moro. Então só resta dizer como diriam os franceses: Bonjour à tous.

Enquanto isso no Centro Oeste e Norte brasileiro, as multas antigas do Ibama para os grandes destruidores do Meio Ambiente nunca foram pagas. As que não foram apagadas dos computadores são proteladas na Justiça. E as multas novas do atual governo despencaram. E o fogo vai queimando tudo alimentado pelo clima propício e pelos atos criminosos dos grandes. Que desastre total a política ambiental do atual Governo. Vai para casa Sales, ou vai para o Exterior. A resolução do problema começa por aí. O país e a natureza penhoradamente agradecem. A questão ambiental no Brasil parece que está a caminho de um desastre, de uma hecatombe. Você sabe por que o ser humano vive em média 60-70 anos? Porque é o máximo que a natureza pode aguentar.

De Santana, dois registros: 1- A sede do Minerasil literalmente no chão. Um símbolo histórico da localidade que infelizmente sumiu. A velha geração construiu, a nova não teve condições de mantê-la. 2- O Monumento aos Mineiros, uma homenagem àqueles que pereceram na tragédia da CCU. Lembrar que tanto a ideia do monumento quanto a denominação de Rodovia dos Mineiros, a estrada que liga Urussanga- Rio Carvão-Santana, foram projetos do então vereador Luiz Carlos Cardoso, o Nariz. Teve faro e foi feliz o vereador e ex-presidente da Câmara nessas suas ações. Por suas brigas pelo asfalto dentro do seu partido rosso-nero ele foi apelidado de “O Patinho Feio”.

Mais que a varíola, a gripe espanhola, a pólio ou a peste negra, H1N1, AIDS, o Coronavírus literalmente chutou o balde e demoliu o “modus vivendi” do ser humano.

O Coronavírus não sabe ler, não sabe escrever, mas mandou o maior recado para o homem por enquanto neste século XXI. O recado de que você, ser humano, não é nada. Você é apenas mais um ser vivo criado pela Mãe Natureza, e somente isto. Você está em pé de igualdade com todos os demais seres vivos. Essa de registrar seres vivos inferiores ou superiores é uma classificação meramente dos homens. E tem mais. Se você achava que a Covid-19 assustava, você vai ver que daqui para frente o que vai assustar mesmo, além da Covid-19, serão os preços nos supermercados.

Moro contra-ataca. É o que diz a imprensa nacional. “Moro pede, Mello concede, Aras ajoelha e Bolsonaro vai ter que rezar”. STF assegura ipsis verbis ao Senhor Sérgio Fernando Moro, afirmou o jornalista José Manuel Diogo da Revista Isto É. Weintraub, Sales e Moro. Bolsonaro acertou em cheio em tirar o ministro da deseducação, erra feio em manter o Sales e derrapou olimpicamente em forçar a saída do Moro.

E a Globo é somente CQ. Controle de Qualidade? Não, não, somente Covid-19 e Queimadas.


ATTENTI RAGAZZI

Pelo nosso interior em conversa com uma nonna num desses dias nublados e parados: “a minha neta não sabe plantar um pé de alface e nem fazer uma maionese, mas de záp entende tudo”, disse a nonna Pina num mistura de orgulho e desalento ao mesmo tempo. É nonna Pina, os tempos são outros. São deles, não mais nossos.