SERGIO MAESTRELLI

ESCORREGANDO E TORCENDO O PÉ


O presidente da Câmara, José Carlos José, com verbas provenientes do Casal Amin, anunciou melhorias no Parque Ado Cassetari Vieira. Quiosque, ciclovia e calçadas. Boa notícia. Calçadas são importantes, disse o edil, porque no paralelepípedo ninguém anda. Permita-me discordar de seu posicionamento quanto ao calçamento, Zé. Ninguém anda mesmo aqui em Urussanga, são em nossas calçadas de um modo geral. São verdadeiras faixas de Gaza, terreno minado. Eu prefiro andar no calçamento do que nas nossas calçadas totalmente detonadas, verdadeiras armadilhas para qualquer idade. Recentemente tivemos a oportunidade de ver duas senhoras praticamente se ajoelhando nas calçadas em frente ao Banco do Brasil, escorregando e torcendo o pé. Neste local, o Sangaletti, competente como sempre, mandou dois funcionários da prefeitura esta semana fazer um paliativo nelas. As calçadas continuam irregulares, mas agora temos rampas mais suaves. Em nossa cidade, inúmeros proprietários com residências de primeiro mundo e calçadas impraticáveis. Tem mais gente se “amontoando” nas calçadas do que caindo em calçamento. Também é preciso registrar que querer andar de salto alto no paralelepípedo, convenhamos, é coisa para a top model Gisele Caroline Bündchen que sabe deslizar e se equilibrar em qualquer palco, em qualquer passarela, em qualquer via, em qualquer chão. Ela não se intimidaria com o nosso calçamento, agora com nossas calçadas...


O ROTARY, ALBERT SABIN E URUSSANGA


Albert Bruce Sabin foi um médico e cientista que nasceu em 1906 em Bialystok, na Polônia, um judeu posteriormente naturalizado americano que desenvolveu a vacina anti poliomielite e resolveu não patentear a sua descoberta na área da medicina. Fez isto para que o mundo pudesse produzi-la e assim estar disponível para todas as crianças do globo. Não patenteando “a gotinha que salva”, ele renunciou aos milhões de dólares que os laboratórios lhe proporcionariam com a patente da vacina. E aí milhares de rotarianos entraram em campo para ajudar esse médico com letras maiúsculas na tarefa de combater essa terrível doença que poderia definir o futuro de milhares de seres humanos. Hoje esta doença, a denominada paralisia infantil, está praticamente erradicada. Ele resistiu a tentação dos milhões e em seu testamento escreveu: “Não haverá dinheiro em meu testamento e sim um presente para todas as crianças do mundo”. Homem? Não. Um gigante. Outros três detalhes: 1º- Dr. Sabin teve como esposa uma brasileira. Heloisa Dunshee de Abranches com quem foi casado de 1972 até sua morte em 1993. 2º- A convite do Governador Jorge Bornhausen, o cientista esteve em Florianópolis na década de 70 para começar uma grande campanha contra a pólio aqui em nosso Estado. Emocionado, o cientista havia dito que jamais imaginou um dia ver o seu nome em centenas de escolas, hospitais, clínicas e instituições brasileiras. 3º- A Dona Minerva Bez Batti Simões, na condição de presidente do Hospital Nossa Senhora da Conceição por 30 anos, batizou uma ala do hospital com seu nome: Ala Dr. Albert Sabin. Como benfeitor da humanidade, ele teve a honra de ser convidado para plantar uma árvore na Avenida dos Justos. E hoje o que vemos? Vagabundos e corruptos tentando ganhar milhões com a desgraça dos outros. Veja os escandalosos casos dos respiradores, dos testes Covid-19, e agora do álcool gel falso. Roubando dinheiro, dinheiro este que representa a vida de muitos. “Paredón para eles”. Essa é a vacina que deve ser aplicada. Este texto foi escrito com a colaboração da rotariana Edna Zannin Lopes.


A amiga Nichele Antunes Bez Fontana atuando com boas ideias numa de nossas festas culturais de um passado recente. A prioridade dela hoje é vivendo dias espetaculares com o filho e o marido na Localidade de Rio América Baixo, defronte ao capitel da Madonna Del Caravaggio erguido em 1923. Saudade de suas ideias, de suas ações culturais e de suas conversas, Nichele.




Não faça cerimônias. Utilize você também o varal nas margens do Rio Urussanga. Ele é público. Estenda lá você também a sua sacola plástica. Recuperar o Rio Urussanga é um sonho longe demais para ser concretizado por esta e pelas próximas gerações.


Programação do Cine Vera Cruz. Foram tantos os amigos e amigas que relembraram com saudades o antigo cinema que estamos publicando nesta edição a programação dos filmes em 1973. Retirei essa para o arquivo da vitrine da então loja Santo Antônio de Lauro de Bona e Dionísio Pilotto. Naquela semana em exibição, clássicos do faroeste - O Pequeno Grande Homem retratando a vida dos índios das pradarias norte-americanas, além de “Clint, o solitário” e “O Colt que não perdoa”. Nos chamados filmes de “amor”, “Visitantes da Noite”, “O Preço do Amor” e “Gatas do Inferno”. Naquela época, então com 16 anos, ainda conferindo apenas os títulos. O Cine Vera Cruz nos remete ao eficiente Juizado de Menores na pessoa do Alvir Soares, popular Dego, com sua lendária Harley-Davidson, conforme relembrou Vicente De Bona Filho. Também de Romano Contessi, o homem que entendia das máquinas de projeção. A fita arrebentava, a luz acendia e o assovio e as vaias eram ensurdecedoras. Cine Vera Cruz era também sinônimo de Geraldo Simões de Matos, um homem com uma educação e um respeito pelas pessoas que jamais vi em outro ser humano na mesma intensidade.


PÍLULAS


Com a pandemia que não dá trégua e nada de se ver o fim do túnel com ou sem luz, já tem gente nos mercados da cidade com a curiosidade despertada para saber qual o modelo,o tipo e a cor da máscara do Papai Noel.

Com o Ciclone Bomba, espalhando prejuízos pelo Estado e ceifando infelizmente 13 vidas, o Furacão Catarina de 2004 que fez muita gente correr para os abrigos subterrâneos, virou rajada de vento em tarde de verão seguida de aguaceiro. Furacão e Ciclone eram coisas do 1º Mundo. No início deste século, “furacão” no sul catarinense sempre ocorria em Forquilhinha. Agora, como diria o pesquisador da Epagri Álvaro “Josef” Back, ou o ciclone ficou banalizado ou SC passou a pertencer ao 1º Mundo.

Com relação aos trabalhos de drenagem na Rodovia dos Imigrantes que nos leva ao Rancho dos Bugres, temos lá as nossas ressalvas. Mas vamos aguardar os meses para ver a questão da durabilidade daquelas obras. Já vi essa mesma novela em cores na revitalização da antiga SC-446. Durabilidade tão longa quanto à gestação de uma coelha. Aliás, em termos da rodovia que liga Criciúma-Urussanga-Orleans, o que mudou mesmo foi a sua numeração de SC-446 para SC-108.

Se tem uma palavra hoje na cabeça de muitos brasileiros, essa palavra se chama saudade. Saudade dos encontros, dos passeios, das festas, dos eventos, das reuniões, dos encontros a dois. João Paulo II quando visitou o Brasil afirmou que vinha para conhecer o povo brasileiro e entender a palavra “saudade” que não existe em nenhum outro idioma. Quando se despediu, afirmou: agora sei o que significa a palavra saudade.

Em alguns setores, com ou sem pandemia, “ trabalho em casa” ou “home office”, que é mais chique, vai intensificar o tédio, as discussões, a mesmice, o trivial, a monotonia, o sem sal e sem açúcar com praticamente 24 horas em casa. A persistir por muitos meses esse estado de coisas, os escritórios de advocacia e os cartórios terão bastante serviço com separações, desquites, divórcios, anulação de casamentos, etc...

No primeiro dia deste mês de julho, o calendário do Sagrado Coração de Jesus apontou para o dia da Beata italiana Assunta Marchetti. Por coincidência, aqui em Urussanga também temos uma Assunta Marchetti, ex- colega de trabalho da Cidasc, a Assunta do Agenor Bendo, a Assunta de Rio Caeté. Urussanga em todos os campos em disputa, quando não ganha, empata.

Que pontualidade não é o ponto forte do brasileiro, isso é fato corriqueiro. Somente a Hora do Brasil começa no horário com o seu tradicional “Em Brasília, 19 horas”, tendo ao fundo o som de O Guarani de Carlos Gomes. Chegar atrasado faz parte da nossa cultura, do nosso dia a dia e tudo é encarado com a devida paciência e normalidade. Agora, José Serra ser denunciado pela Justiça por lavagem de dinheiro com 20 anos de atraso, aí é demais. Segundo Beto Simão, Serra teve seus milhões desviados dos cofres públicos depositados na Suíça porque ele não admitia corrupção no Brasil.

Até o presidente da Colômbia reclamou e criticou o modo de atuação do Governo brasileiro no combate ao Covid-19. Segundo ele, a atrapalhada atuação do Brasil prejudica toda a América Latina. Você sabe o por que desse descontrole? Porque é tudo “faz de conta”. Faz de conta que tem medicamentos, faz de conta que mantêm a distância, faz de conta que usa a máscara, faz de conta que lava a máscara todo dia, faz de conta que vai adquirir respiradores, e por aí o trem vai trilhando. Como diria novamente o Simão, eu tenho acesso de riso quando escuto que “oficialmente será reaberto....” quando se sabe que clandestinamente tudo estava funcionando no eficiente jeitinho brasileiro.

Zé Bis anunciou 500 mil da deputada Ângela Amin para o nosso município. Parte da verba está direcionada para obras complementares da reforma do Ginásio Centenário com instalação elétrica, placar eletrônico e assentos. Nestas reformas, esperamos que sejam preservados os azulejos do Ano 100, conforme já alertou o Jornal Panorama. Então que o trio Sérgio Luiz Maccari Júnior, Nevton Bortolotto e Clesinho Fréccia da área turística cultural e esportiva estejam antenados para o devido “attenti ragazzi” à empresa responsável pelas obras.

E o substituto da Regina Duarte na Cultura, o Mário Frias, em rede social postou um texto com um “agradeçe” com cecedilha. Depois lascou um “a poucos anos” sem “h”. Não sei quem entrou numa fria, se o Governo ou o próprio. Nessas condições, começo a desconfiar que teria alguma chance em também ser nomeado como Secretário da Cultura.

Gabriel dos Passos, da antiga Rua da Farofa, a principal via de Santana, hoje o amigo Beléu da Rua do Sapo, integrante do Grupo da 3ª Idade, poderá ser o novo integrante da Irmandade do Senhor dos Passos. Assim sendo, a rua do Sapo teria dois representantes: ele e o Kéio. Se depender do sobrenome será aprovado. É o Passos no Senhor dos Passos.

E o antigo Açougue Municipal, depois Açougue do Povo e na sequência Açougue do Talamini, desde a sessão da Câmara de Vereadores realizada na 3ª feira à noite, tem um outro nome, agora oficialmente: Unidade Satélite de Saúde Dr. Victorio Giaccone. O projeto foi do vereador Marcos Roberto Silveira por sugestão do casal Sérgio e Márcia Costa. Fim de uma novela que se arrastou por longos oito anos. Ganhou a cultura, ganhou a saúde, ganhou a comunidade, foi derrotada a ignorância.


ATTENTI RAGAZZI


O Attenti Ragazzi registra hoje dois nomes femininos da cidade: Bruna De Brida e Letícia Trevisol Apolinário. Elas representam, para os ouvintes, o rosto mais visível da Rádio Marconi. Elas podem não transmitir programas, mas irradiam simpatia, beleza, atenção e gentilezas. Elas representam a alma da emissora, o cartão de visitas.