Sergio Maestrelli

O PAÍS EM CÂMERA LENTA No período pré-coronavírus em 2019, o país, em termos de obras públicas, nem caminhava, apenas engatinhava. Veja alguns exemplos do nosso sul catarinense: algumas manchetes dos jornais nos mostravam o motivo pelo qual vivemos num país em câmera lenta. A rodovia Olívio Cechinel, curtíssima em quilômetros, começou a ser revitalizada em 2014. Estamos em 2020 e ainda se aguarda a conclusão das micro pontes da ciclovia. Há anos o mato viceja nas laterais e nos canteiros centrais dessa rodovia, a qual é entrada dos Vales da Uva Goethe. Esse matagal irá completar o seu ciclo natural e terá a felicidade de não conhecer o fio de uma roçadeira. O Governo Moisés anunciou uma ponte para Araranguá, em meados de 2019. A assinatura do convênio estava programada para ocorrer em março deste ano, depois de quase seis meses do anúncio. Na sequência, vem o processo de licitação. Se já tá difícil imaginar a data do início da obra, imagine o término. Sobre a autorização estadual para o asfalto para o Rio Carvão, niente. A resposta numa cartinha ainda não veio. Vão botar a culpa nos Correios. Pelo tempo transcorrido, um jegue já teria feito o percurso Florianópolis-Urussanga dezenas de vezes. Nesse assunto, nenhum tico tico pia. Enquanto isso, os chineses constroem um mega hospital em 10 dias intercalado com chuva. Entramos em 2020. Acabou janeiro, o ensolarado mês da praia com corpo bronzeado naquele tom do pecado... Acabou fevereiro e com ele as festas do feijão e suas polêmicas... Acabou o carnaval, e quando o país, o estado e o município pensariam em começar a engatar a marcha do trabalho e das obras, eis que surge, como imigrante totalmente indesejável proveniente della nostra Itália, o coronavírus-Covid-19. Ele chega e de cara dá a ordem: “tutto fermo” e com um “restare a casa”. Tutto é fermato nesses tempos difíceis de Coronavírus, para a saúde de milhões de pessoas e para a economia. O país que já era o da câmera lenta agora entrou definivamente em “stand by”, ou seja, em compasso de espera. As obras públicas, que já vinham num ritmo de torneira pingando, agora vão se transformar em conta gotas. Se as ações governamentais já andavam no ritmo de tartaruga com a pata engessada, o corona tratou de travar tudo. O Mundo, o País, o Estado, o Município, todos em câmera lenta, ou em compasso de espera, ou para os adeptos do colonialismo cultural, os dependentes culturais, o Brasil e o mundo em “stand by” e em “slow motion”. Soa mais chique.




Um voo de 45 anos - Neste domingo, 19 de abril, Rosa Miotello completa 45 anos voando como co-piloto e, posteriormente, como piloto de Andorinha Mensageira. Ela começou a trocar algumas palavras pela Andorinha com o Padre Agenor, ainda no século passado. Foi no ano de 1975. Dizem que todas as rosas tem espinhos, com exceção da Rosa Miotello. É o que afirmam seus amigos e amigas. Parabéns, “Rusina”, pela dedicação, persistência e competência em não deixar silenciar um dos mais antigos programas do rádio catarinense. A nossa amiga, colega e presidente da Academia de Letras irá comemorar a data em prisão domiciliar. Nada a ver com a Operação Lava-Jato.Tem a ver com o coronavírus-Covid-19. Ter o seu nome inscrito e escrito no nosso livro das Amizades Inesquecíveis nos deixa imensamente ricos e é uma grande honra e um grande privilégio. As nossas relações de amizade com a grande família Miotello vêm de longe, muito longe. Pelos 45 anos no ar, Rosa, uma homenagem do Jornal Panorama e de seus colegas da Academia de Letras de Urussanga.



“Deu zebra” na nossa rua. Circulando pela Rua César Mariot, o amigo e parente Ubelino Canônica, bergamasco de São Donato. O Zebra já tocou um Bar em Itanema, o Sucata Bar, o Restaurante Seringueira, Pizzaria em Criciúma... Dizem que ele começou com bar e cozinha desde pequeno, nas festas de São Donato, em Belvedere. Ah!. Você sabe o porquê do apelido “Zebra?”. Eu acho que sei, mas prefiro que você pergunte o motivo diretamente a ele. Dizem que ele enfrentou alguém famoso no jogo de bocha na cancha do Sucata Bar do João Octávio De Pellegrin e ganhou a partida, deixando rival com os olhos arregalados. E aí todos gritaram o refrão da loteria esportiva: “Deu zebra”. E zebra ficou. Um pouco mais tarde, a família se ampliou, e o José Vicente Canônica sumiu e, em seu lugar, surgiu o Zebrinha, outro devoto de São Donato. Mas eu não confirmo, pois dizem que a história é outra.



A segunda-feira, dia 13, não começou como as últimas. Com a imprensa totalmente voltada para o coronavírus, teve um diferencial: o aniversário do amigo e colega da Marconi, Gustavo Sprícigo Marques. Parabéns a este profissional que, a exemplo de seu pai, vai construindo sua história na rádio. Eu que presenciei e fotografei “este guri” no colo do pai, o grande amigo Luiz Carlos Frasson Marques, cujo apelido de guerra é Didjo Marques, nas gravações de Andorinha Mensageira, com o Padre Agenor. A imagem da Andorinha Mensageira é esta. Um microfone, uma cesta de cartas, Padre Agenor, Rosa Miotello e Didjo Marques. Com eles, ninguém segurou o voo da Andorinha.


PÍLULAS

Não vi, mas ouvi. O que era aquilo na Praça Anita na segunda-feira. Aqui na nossa rua, pela janela, observei que não havia mais lugar para estacionar um carro. Depois, para atravessar a rua e ir para a casa de minha mãe, senti a falta de uma passagem para pedrestre. O que era aquilo? Imagem parecida com os gloriosos dias das memoráveis Festa do Vinho. Urussanga, de modo irresponsável, saiu da toca para valer. A pé, de moto, de bicicleta, de automóvel. Saiu da toca, mas é na toca que se deveria e se deve ficar, salvo necessidade inadiável. Caso contrário, vai nessa. Vai nessa que você vai bem... Bem mal! Covid-19 não toma conhecimento da idade. Ataca a faixa etária de 2 semanas a 105 anos. Todos são grupos de risco. Equilibradas são as intervenções, na imprensa, do policial Salvaro, da PRF, acompanhadas de comentários lúcidos e equilibrados. Transmite segurança, bom senso, bons conselhos. “Covid-19: hanno bisogno di un miracolo” - Esta é uma das frases mais pronunciadas na Itália. A 6ª Feira Santa amanheceu com a cidade vazia e um silêncio total. De um local distante, ouvimos somente o som de um cachorro solitário, uivando como um lobo solitariamente. Aqueles mesmos latidos que minha nonna Rusina se assustava e dizia que não era um bom sinal. Nem o galo canta mais ao amanhecer aqui no centro. Eles sumiram. Os poucos que existiam em alguns pontos da cidade, a vigilância sanitária, a pedido de vizinhos incomodados, mandou silenciar. Num passado não tão distante assim, teve um funcionário público que veio de fora que solicitou o fim do som dos sinos da matriz às 6 horas da matina, porque perturbava o seu sono. Agora a história se repete. O cantar do galo também perturba o sono de alguns. Há que se implantar um corretivo. Precisam de uma chibata. Geraldo Custódio implantaria a sua receita de um “relho no lombo”. O nonno usaria um fuero. O Zorro usaria o seu chicote californiano que assoviava no ar. O papai usaria a cinta. A Dona Sinhá, uma vara de marmelo. O serrano e o gaucho usariam a famosa “çoiteira” para resolver definitivamente o problema. Eu diria a esses ilustres incomodados: é frescura demais. Ouço muito as pessoas dizerem que: “Devemos nos desapegar”. Agora quem deve desapegar mesmo é a classe política. Essa sim tem um enorme desapego em qualquer época, seja ela de crise ou não, seja de calmaria ou de tormenta. Postagem de um internauta na rede social da semana passada afirmou que quem vai se dar bem nessa pandemia é o INSS, com a morte de tantos idosos. Dessa forma, haveria menos aposentadorias, aliviando o défict. Ele deveria era rezar para que também consiga ficar idoso. Laranjas bichadas tem queda antecipada. Desse comentário se deduz que é uma injustiça a pessoa morrer por velhice ou por uma doença qualquer. As pessoas deveriam morrer pela dose de ignorância que possuem. Acho que esse critério seria bem mais justo. Quanto mais besteira diz ou faz, menos vive. Senhor passe para mim a paciência bíblica de Jó. Na Via Crucis em Roma, o Papa Francisco deu o alerta para o perigo das pessoas se acharem poderosas e que foi necessário apenas o menor e o mais sem forma elemento da natureza, um vírus, para lembrar que somos mortais e que o poder e a tecnologia não são suficientes para nos salvar. Ele também afirmou que “a escuridão e a morte não têm a última palavra”. O humor faz girar melhor as engrenagens da vida. Veja três exemplos: o primeiro, de Urussanga. Estava pela manhã, cedinho, no gramado de casa, quando pela calçada passou uma pessoa conhecida. Olhou para mim e disse: “Maestrelli, preciso aproveitar bem o dia de hoje. Quero andar por tudo quanto é lado. É o meu último dia. Amanhã faço 60 anos e entro na 3ª idade, no grupo de risco, e aí será só do quarto para a sala e da sala para o quarto”. O segundo, do Rio de Janeiro. Uma carioca, em casa, há mais de 15 dias, disse: “Hoje é o meu dia de levar o lixo e estou com uma dúvida: nem sei com que roupa eu vou”. O terceiro, é de Nova Iorque. Segundo o Simão, o tigre com coronavírus é do grupo de risco, porque era um tigre de bengala. E, por aqui, um comentário de um amigo da área do esporte “O Coronavírus é realmente poderoso. Tão poderoso que chegou até a impedir que o Criciúma continuasse perdendo partidas de futebol. A turma “são fogo”. Humor marrom, quase negro. Abençoado esse mês de abril com pessoas queridas da Avenida Presidente Vargas com bolo no pratinho. Lúcio Olivier Ghisi comemorou 95 anos no dia 10 e neste domingo, Olinda Bettiol comemorando seus 98 anos. Já na rua Osmar Cunha, a rua do Campo, no dia 15, Zulma Maestrelli Fontanella, 80 anos, também com bolo no pratinho. Como diria o Monsenhor, “Tudo cerne”. E mais um final de semana se aproxima. Domingo é dia de rezar contra as tentações presentes e futuras e se redimir pelos pecados e erros do passado. Coronavírus, o tirano, suspendeu as três manifestações religiosas de Urussanga neste final de semana. As festas de Santo Expedito, no capitel de pedra em Rio Carvão, no Bel Recanto e a festa centenária de São Jorge em Palmeira Baixa. Tomara que, depois da pandemia, não venha o caos na economia. ATTENTI RAGAZZI Não faz assim, Dony, disse eu para o nosso cachorro. “Vô, o Dony é assim. Deixa ele. Cachorro é assim. Cada um tem o seu jeito. As pessoas também. A professora disse que ninguém muda ninguém e que cada um deve cuidar do seu nariz. Então, Vô, deixa o Dony cuidar do nariz dele. Não se mete.” Foi o que me disse meu neto de 5 anos. E agora, Sérgio? Sai dessa saia justa e desse sapato apertado.