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  • Foto do escritorJORNAL PANORAMA SC

SÉRGIO MAESTRELLI

ESPERTOS OS MANEZINHOS DA ILHA



Em Florianópolis, os manezinhos dando uma lição cultural. Mais vida para a história, mais vida para o Centro Histórico. As obras de revitalização não só estão mantendo os paralelepípedos antigos, mas também aumentando a área. Em frente à catedral, onde havia asfalto, o mesmo está sendo retirado e as pedras históricas estão retornando. A pedra reconquista ruas como a rua João Pinto, Tiradentes, Praça Fernando Machado. Esperto, muito esperto o prefeito Topázio Neto. Acesse o vídeo e tire suas conclusões.

Além do paralelepípedo, o Poder Público também arranca o meio fio de concreto-broa e recoloca o meio fio de granito. Aqui na Benedetta, pensa-se o inverso. Como já afirmamos, dormir ou dar um cochilo Urussanga pode, agora hibernar e passar muito dos limites. Insistem em cobrir a nossa identidade cultural com o manto preto. Lembrando que detonar as ruas calçadas com pedra é uma forma muito eficiente de conduzir a opinião pública para o imprescindível “queremos asfalto. “Pore noi trapatoi”. Não sei por que Urussanga teima, em alguns setores, em dar marcha à ré. Acho que é o efeito Marzano. Só pode ser.


SOBRE O PRONUNCIAMENTO DO VEREADOR

Nesta semana, no uso da tribuna, o vereador Jailton De Bona Sartor mirou o fuzil no granito e afirmou que iria pedir ao Prefeito e aos próximos para acabar com essa coisa horrorosa do paralelepípedo. Seus colegas de bancada silenciaram e o edil recebeu aparte contundente do vereador Luan Varnier. Agora, quem pede um aparte também é o “Attenti Ragazzi”. O granito faz coisa. O pronunciamento do vereador Jailton De Bona Sartor deve ter arrepiado o Conselho de Cultura e seus 30 e poucos membros. Foi uma postura totalmente fora do nosso contexto cultural. O granito, já registrou o Jornal Panorama em 1999, é a pedra fundamental de nosso turismo e de nossa cultura. Somos batizados na fé católica numa pia de pedra, nossa gruta é de pedra, a cruz de nosso calvário é de pedra. Nossas igrejas são de pedra. Nossa praça é composta por pedra e por verde, nossos vinhedos são sustentados por palanques de pedra. Nosso açúcar surgia de um engenho de pedra. Nossa polenta vem de uma atafona de pedra e tomamos nosso vinho em porões de pedra. Nossas ruas estão vestidas de pedra. O vereador teve o seu momento grandemente infeliz num sempre acalorado legislativo. É preciso pegar um avião e ir à Itália, França, Alemanha. Pequenas cidades europeias arrancam o asfalto e repõe o calçamento.

Pegar o carro da Câmara e ir a Florianópolis. Observar que diversas ruas centrais com o asfalto sendo arrancado e repondo-se calçamento e meio fio. E Urussanga nessa área pode até dar um cochilo, dormir no ponto, mas hibernar nesse tema é demais. O que também surpreendeu na noite legislativa foi o silêncio do vereador Zé Biz, ele que integra o Conselho de Cultura.

O vereador perdeu uma excelente oportunidade de abrir os microfones. Talvez, arrependido, o faça na próxima sessão. Oh, progresso! Quantos crimes cometem em teu nome! Combatemos ideais e não pessoas. O Movimento Cultural agradece o posicionamento contundente do vereador Luan em defesa da cultura e acreditamos que alguns membros da cultura irão procurar o vereador De Bona Sartor para clarear as ideias. Temos certeza que o mesmo mudará o seu posicionamento totalmente equivocado.

Respeitamos as ideias e o direito do edil de expô-las, mas reservamos o direito de não concordar em 100% com o seu pensamento. A cultura em Urussanga, se depender da maioria de nossos representantes públicos, vai “muito mali, Manueli” e isso vem de vários governos municipais, todos desprovidos do devido lastro cultural. Trata-se de uma lástima, seguida de uma lasca de pedra. Realmente a cultura em Urussanga está mais prensada que o torresmo na Atafona do Derdi. Então, Santa Clara,clareai.


COMO SE PRESERVA A CULTURA?

A cultura se preserva com cabeças pensantes e um exemplo nos foi remetido pelo amigo Dante Bonetti, urussanguense que esteve em Timbó, no Verde Vale do Itajaí, visitando seu filho que lá reside e aproveitou para visitar o Memorial Cine Municipal de Timbó. Por lá, fez história o Cine Mogk, que encerrou suas atividades em 1986. Rápido no gatilho, o então prefeito Ingo Germer adquiriu os equipamentos para a Casa da Cultura, montou um auditório e permitiu que os timboenses continuassem convivendo com a denominada 7ª arte. Surgia assim o Cine Municipal de Timbó. Naquela época, atuávamos como engenheiro agrônomo extensionista da Acaresc de Timbó e colaborávamos com Elisabeth Germer, grande defensora da cultura timboense.

O primeiro filme projetado foi “Os Miseráveis” de Victor Hugo. Você, Dante, esteve lá neste ano de 2023 e nós estávamos lá em 1986. Os verdadeiros miseráveis, Dante, não foram os miseráveis de Victor Hugo. Os verdadeiros miseráveis são todos aqueles que de um modo ou de outro esnobam e destroem a cultura.

Lá o Cine Mogk de Timbó foi para um belo espaço contando a sua história. Aqui, o nosso Cine Vera Cruz e os cinemas de Rio América e Santana foram para o lixo, para uma boca de mina abandonada. Urussanga maltrata de modo satânico a sua cultura, a sua história e o seu passado. Ainda bem que teve alguém que veio da Palhoça para salvar uma parte dela, não é mesmo Pe. Agenor?

Nunca devemos nos esquecer que um povo domina o outro não pelas armas e sim pela destruição de sua cultura. Um povo sem cultura é um povo cabresteado.

E, historicamente, os nossos dirigentes são desprovidos de lastro cultural e não se vislumbra mudanças num horizonte próximo. O amigo Dante Bonetti compara muitas coisas entre as duas cidades e começa a tirar conclusões interessantes.

Obrigado pela lembrança, Dantelino.



Em sua marcenaria no Bel Recanto, o carpinteiro Itamar Martins Marques produzindo inúmeros bancos para a Igreja Nossa Senhora Aparecida do Padre Miro. Segundo o Itamar, vivemos numa época em que é preciso menos bancos de bar e mais bancos para rezar. Então, “andiamo” a orar.



Jane Ceron, faça sol ou faça chuva, com seu amigo cão pelas ruas da cidade e numa indumentária para agradar vermelhos e azuis.


PÍLULAS

  • Conversando numa dessas manhãs com a amiga Salute Cancellier Damiani, uma das mulheres da Pastoral da Saúde, três pérolas ditas por ela: A 1ª é que para os visitantes, quando as ruas da cidade estão sujas, elas não falam do prefeito, falam do nome “Urussanga”. A 2ª é que “Quem quer, faz, não manda e nem pede”. E a 3ª é que com a modernidade, na realidade uma mulher num dia trabalha por dois. Alguém, por acaso, duvida dessas três afirmações?

  • Muitos analistas acreditam que os discursos do Presidente Lula, em suas intermináveis viagens pelos foros internacionais tecendo críticas à Europa e Estados Unidos, tem como eco o mesmo eco que teria no Brasil se o presidente da República do Burundi, país encravado no continente africano, lá onde nasce o Rio Nilo, teria ao formular críticas ao Brasil. Ou seja, eco nenhum. Por enquanto, somente queima de querosene de aviação. Baseado nesta realidade é que o ex-presidente francês Nicolás Sarkozy registrou: “O Brasil é suficientemente poderoso para ser um aliado útil e suficientemente fraco para se transformar em dominador em nossa relação bilateral”.

  • Vamos entrar na primavera, e logo, logo, num verão prolongado. Então que o Deco faça o devido planejamento, reforçando a sua equipe para treinada, enfrentar o verão. O que não pode ocorrer é atuar com a denominada equipe de inverno. Segundo alguns, a Equipe do Deco no início já esteve mais dinâmica e atuante. Parece que perdeu um pouco do gás.

  • “Effathá” é a palavra aramaica dita por Cristo ao curar o surdo-mudo relatado no Evangelho de Marcos. Effathá quer dizer “Abre-te”. Muitos políticos precisariam dizer “Effathá” para a Cultura.

  • Alguém entra numa biblioteca e solicita algum livro sobre investimentos em educação e em cultura no Brasil. O bibliotecário calmamente responde: desculpe, mas não temos livros de ficção científica aqui. É mole ou é duro. É mole, mas vai endurecer.

  • Mário César Martins de Camargo, do Rotary Club de Santo André/SP, poderá ser eleito o novo presidente do Rotary Internacional para o ano de 2025/26, um clube de serviço presente em mais de 200 países. Ele será o 4º brasileiro a comandar esta organização internacional. Já assumiram o clube: Armando de Arruda Pereira (RC - São Paulo/SP - 1940-41), Ernesto Imbassahy de Melo (RC – Niterói/RJ - 1976-77) e Paulo Viriato Corrêa da Costa (RC de Santos/SP - 1990-91). Estados Unidos é o país com o maior número de ex-presidentes (64).

  • “Mais vale o bom nome do que o ouro e a prata”, afirmou na plateia da Câmara o assessor parlamentar Braz Cizeski. É isso aí Braz, e pode incluir também o bronze nessa história.

  • Esses dias li na Revista Super Interessante quais as profissões mais promissoras do futuro no planeta. Acho que pelo menos em termos de Brasil, a revista se esqueceu de uma. A de ser cabo eleitoral de político, independentemente de partido. Essa profissão, se é que se pode chamar de profissão, conduz o vivente a postos com vencimentos top na área pública. E com uma atenuante. Não há necessidade de nenhum conhecimento técnico onde atuará, pois bastará ao mesmo mandar. Enquanto persistir essa realidade, o Brasil não sai do atoleiro e nem da poeira.

  • E o vereador Fabiano Murialdo De Bona continuando com a sua filosofia legislativa: “Para um hipócrita, é a aparência que é importante”.

ATTENTI RAGAZZI


E no Pórtico idealizado pelo Mestre Bortolotto no trevo da Estação, na Rodovia SC-108, duas placas: Uma verdadeira e outra falsa. A falsa é aquela que diz “Início das Obras” e a verdadeira é aquela que diz “Fim das Obras”. Finalmente uma placa de obra pública falando a verdade para a população.


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