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  • Foto do escritorJORNAL PANORAMA SC

SÉRGIO MAESTRELLI

PÍLULAS


- No último domingo, dia 25, na missa de 7º dia de Roberto José Campos, celebrada pelo Padre Valdemar Carminatti, ocorreu uma bela cerimônia religiosa cantada pelo grupo “Cantato Dominum”. Tendo por foco o livro sagrado, uma das integrantes do grupo, Lylian de Souza Zanin, entoou um emocionante e marcante canto sacro com sua belíssima voz. Foi fortemente aplaudida pelos fiéis. Lylian, colega de escola do Colégio Rainha do Mundo, também é integrante do Clube dos Treze, clube este que o Betão também fez parte.


- Deu no G1, o portal de notícias da Rede Globo. Um em cada cinco deputados duplicou o patrimônio em 4 anos. Acho que esse avanço patrimonial foi subestimado. Os outros devem ser bem mais logicamente.


ATTENTI RAGAZZI

“Memoria de ressentido é digestão que não termina”. Friedrich Nietzsche, filósofo alemão, o mesmo que disse: “se pode morrer de sede no meio do mar”.



A placa “Obras na Pista” chegou à Serrinha em maio, mas as obras efetivamente só começaram no dia 19 de setembro. Registramos que a equipe do secretário Jucemar Sangaletti efetuou um trabalho eficiente, com obras de contenção de encostas e fechando canais de drenagem construídos de modo totalmente equivocados e incompletos. Infelizmente, está sendo necessário um retrabalho e um replanejamento da obra. Agora em ação a Diretoria de Meio Ambiente. Que seja promovida a rearborização dos locais mais afetados, bem como que se torne realidade e saia do papel o plantio de flores ao longo da rodovia, conforme anunciado no Paço Municipal, no dia do lançamento das obras de asfaltamento, para que a Serrinha se torne o que foi denominado de um “cartão postal”. A sociedade civil já efetuou o plantio em alguns trechos. Esperamos que essa ação seja ampliada pelo Poder Público Municipal a curtíssimo prazo. Na imagem, com uma máquina “prima irmã” da “Marion”, Pedrinho, Varnier e Ceron. Se as obras mediante serviços terceirizados pudessem ser evitados e todos os serviços realizados com equipe própria como ocorreu na Serrinha, teríamos obras com o selo da qualidade requerida e as reclamações seriam bastante reduzidas.



Feira Cultural e Científica Monsenhor - observamos todos os trabalhos, as explicações dos alunos e o empenho dos professores. Passamos pelas salas onde há 54 anos havíamos sentado em suas carteiras. Em cada sala, uma grande surpresa. O antigo Colégio Rainha do Mundo, hoje Monsenhor, está em excelentes mãos. E a Nossa Senhora com o título de “Rainha do Mundo” continua por lá abençoando todos. Alunos “por demais”, muito bem preparados, professores e demais funcionários são heróis, e as professoras e demais funcionárias são heroínas. Somente pelo caminho da educação teremos uma grande nação. O assunto “Abelhas” foi o tema da professora Sônia e seus alunos do 2º ano. No “Eu te desejo” deixei um: “Que todas as crianças do Monsenhor tenham a feliz infância que eu tive”. Todos os alunos deram um banho cultural, e nós saímos impressionados. Lá, num quadro, lemos: “Aprecie as pequenas coisas”. Tivemos a oportunidade de apreciar grandes coisas.


NILTON, VADE ONDE ADESSO?


No entardecer do primeiro dia de janeiro de 2019, os sinos da matriz anunciavam a Hora da Ave Maria. Uma hora antes, no banco do jardim, o único “banco” que realmente está disponível e atende bem o cidadão, conversamos com o Nilton Manarin, urussanguense que já rodou milhares de quilômetros pelos Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. Ouvimos com atenção um Manarin com suas histórias interessantes, cujo número não tem fim. Começamos no banco da Praça Anita em 2019, paralisamos com a pandemia Covid-19, continuamos a conversa no banco da gruta em 2021 e concluímos no banco da Praça Longarone.


O início

Ele nasceu em Rio Maior, num 13 de agosto de 1943, azar para os supersticiosos, sorte para ele. Toda a família Manarin, a “Manarinzada”, como ele mesmo se referiu, nasceu no Rio Maior/Barro Preto. Todos têm aí as suas raízes. Filho de Hermínio Manarin e Gracia Mazzucco. Seus nonos paternos: João Manarin e Hermínia Mazzucco. Seus nonos maternos: Mariano Mazzucco e Tereza Bonetti. Com o falecimento de sua mãe Gracia, ele foi criado por sua segunda mãe, Amália Furlan. Seus irmãos: Dorvalino, Jerci, Janice, Nilza e Terezinha. Sentou nos bancos da Escola de Rio Maior por 4 anos com caderno, lápis e bolsa de pano. No lanche havia batata doce. Adolescente, resolveu partir. De Rio Maior foi para Jupiá, interior do município de São Lourenço do Oeste. Aos 14 anos, começou suas aventuras intercalando viagens a pé, a cavalo, de ônibus, de caminhão, de carro. Foram milhares de quilômetros em busca de seu destino.


Num F-600

Num F-600 de propriedade de Paulo Furlan Cechinel carregado com abacaxi e banana passou por Timbé do Sul, subindo a Serra da Rocinha e alcançando os Campos de Cima da Serra em Bom Jesus. Rumou para Vacaria, Sananduva, Erechim, Cotegipe, Getúlio Vargas. Atravessou de balsa o Rio Uruguai, passou por Xanxerê, Galvão, Novo Horizonte, chegando, então, ao Oeste Catarinense, no coração de São Lourenço do Oeste. Naquela época, para se chegar a São Lourenço do Oeste, era preciso entrar pelo Paraná, pois não havia estradas. Assim, passou por Palmas, Clevelândia, Mariópolis. Em São Lourenço do Oeste, lança suas raízes em Jupiá, então distrito do referido município.


Jupiá

Jupiá, na década de 50, resumia-se a poucas casas, muitas matas. Casas cobertas com tabuinhas de madeira de pinheiro. Praticamente não havia telhas. Lá, Nilton conheceu a Família Hack, de origem alemã, o velho Guilherme Hack, Edemar Hack e a esposa Norma Mocelin que teve os filhos Cairu Hack e Caiçara. A mãe, de origem indígena, registrou seus dois filhos com nomes indígenas. No futuro, Cairu Hack trilharia ao caminho da política. Eleito e reeleito prefeito de São Lourenço do Oeste, eleito e reeleito deputado estadual, candidato a vice- governador na chapa de Amílcar Gazaniga e ex- Secretário da Agricultura de SC. Cairu faleceu em julho deste ano, aos 68 anos, em Florianópolis. Nilton trabalhou com Guilherme Hack, com um Jeep-1954. Na época, eram comuns juntas de boi que deslizavam com suas toras no barro vermelho. Nilton afirmou que Jupiá ficou em suas memórias “como sendo o lugar dos suínos, do porco à vontade, do milho, do leite, da polenta, do queijo e do conforto quase zero, nem geladeira havia”. Ele fez questão, em tom humorístico, de efetuar um paralelo entre Urussanga e São Lourenço do Oeste, um paralelo entre Jupiá e Rio Maior. Disse ele que “em Rio Maior, havia na mesa polenta à vontade com um pequeno toco de salame e formai. Em Jupiá, polenta à vontade e, também, queijo e salame à vontade. Não era preciso cortar o queijo e o salame fininho”. Jupiá é topônimo indígena e significa redemoinho de água. Saber algo mais sempre faz bem para a saúde.


De Santa Catarina ao Paraná

Depois de um determinado tempo seguindo seu sangue cigano, rumou para Concórdia, onde permaneceu por dois anos e pensou em ser aprendiz de veterinário prático. Trabalhou com Atílio Fontana, o homem que construiu a Sadia. Andarilho e aventureiro, rumou para Francisco Beltrão, Pato Branco, Palmas, Mariópolis, Clevelândia, Toledo, Maringá e Palotina. Por lá, durante três anos, trabalhou numa plantação de hortelã, produto este que era adquirido pelos japoneses de Maringá. A origem do nome Palotina é uma homenagem aos padres palotinos, que marcaram presença no município. Além de hortelã, em sua vida, cruzaria no futuro a Brahma.


No Rio Grande do Sul

Rumou para o estado gaúcho em 1963 e se estabeleceu no município de Muçum como ajudante de agrimensor e, nas horas vagas, começou a se dedicar à pintura dos antigos caminhões ingleses na Indubrás (Cia de Indústrias Gerais Obras e Terras). Voltou para o Paraná e desempenhou atividades profissionais na cidade de Maripá, na empresa Rio Paraná Madeiras, madeireira e colonizadora juntamente com Nei Mazzucco, filho do Primo Mazzuco. Em Toledo/PR, e integrou a equipe da Auto Mecânica Toledo com o Primo Meneghel.


Ritorno Alle Origini

Voltou para Urussanga dominando a técnica da pintura de veículos e passou a integrar a equipe da Sociedade Mecânica Netto, dos Irmãos Valmir e Vilmar Nesi em 1965. Trabalhou com Vilmar e Valmir Nesi, Silvino Candiotto, Narciso Mondo, Carlo Nesi e Neno Candiotto. Em 1971, foi admitido na Dimasa (Distribuidora de Automóveis Araranguá) atuando no setor de pintura de veículos. “Deu uma mão” para o seu irmão Dorvalino e tocou o Restaurante Cantina Belvedere, no início da década de 70, bem no centro da Praça. Além de almoço, à disposição dos snooker e bolão como diversão. Atuou na Transportes May Urussanguense a partir de 1974. Esteve na revenda de bebidas de propriedade de seu cunhado Raulino Volpato e assim entrou para a história da distribuição da Brahma em Urussanga, na Rua César Mariot. Chega de óleo de hortelã, agora é só Brahma, disse ele. Teve oficina própria de chapeação e pintura na Travessa da Imigração. Na sequência, serviços idênticos na Oficina Técnica Urussanguense, na Rodovia Ivo Silveira, encerrando o ciclo em 1994, na Oficina do Palhinha. Trabalhou com seu irmão Dorvalino que gerenciava o Restaurante “Catingueira” em Criciúma. Com a recomendação médica para não se incomodar, largou a empreitada. A partir de 2003, por problemas cardíacos, desacelerou tudo. A cabeça mudou na marra, disse ele. Desde 2003, dedica-se exclusivamente à família, à esposa Amábile Canônica, que conheceu na localidade de Treviso, e aos filhos: Niltinho, Ronise e Graciângela, nome que surgiu para homenagear duas mães: Grácia Mazzucco e Ângela Canônica.


No banco da praça

Nos últimos anos, eram comuns as longas conversas com seu Olympio que, de acordo com Nilton, era pessoa inteligente e muito rica sim, do ponto de vista financeiro, mas também era bem mais rico em termos de simplicidade. Algumas dessas conversas se prolongavam e iam além do banco da praça. Continuavam com um almoço na Serra do Doze, lá pelos lados de Bom Jardim. Olympio tinha grande visão de tudo e era grande empreendedor. Ele dizia: “precisamos investir sempre em tudo na vida para não se ficar para trás”. Depois em 2011 infelizmente perdi o amigo das conversas.


Idas e Vindas

Há cerca de 4 anos, ele voltou a percorrer os caminhos de Foz de Iguaçu com seus familiares. Disse ter se sentido emocionado ao comparar o que aquela região é hoje e o que era quando por lá esteve nos tempos de “novo”. Uma mudança que fica difícil acreditar. A vida de Nilton foi de muito movimento, porque a vida é movimento. Nada pode ficar parado. Sua vida foi de inúmeras idas e vindas. Quando voltava, dentro de pouco tempo, o seu espírito se agitava mais uma vez em busca de novos lugares e de novas aventuras. Então surgia a conversa com os comentários de sua mãe Amália dizendo: “Nilton, vade onde adesso? Tu sei compagno al porcel di Santo Antônio. ( Diz a tradição que Santo Antônio possuía um porco que andava com o santo por todos os lugares) Hoje, Nilton Manarin, aposentado, diariamente faz suas caminhadas pela Praça. Ele mora no edifício Bordô, na rua do fundador de Urussanga, na Rua Joaquim Vieira Ferreira. Toda a descrição de uma história tem suas falhas. E nós cometemos uma. Esquecemos de perguntar ao Nilton qual foi a quilometragem percorrida. Seguramente deve ter virado o velocímetro.

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