SÉRGIO MAESTRELLI

Em defesa do granito


Sua origem

O uso das rochas (granito, mármore, arenito, basalto, ardósia, pedra sabão...) pelo ser humano teve início no alvorecer da civilização, no denominado período neolítico. Casas, pontes, muros, viadutos, aquedutos, ruas, estradas, praças, túmulos, prédios, pirâmides, igrejas, catedrais, monumentos, esculturas... Em nosso município, predomina o granito e, em menor escala, o arenito. Com pedras de arenito construímos a nossa segunda igreja. O termo granito surgiu em 1596 com o italiano Andrea Casalpino. O termo deriva do latim “granun” que significa grão. Ele resulta da solidificação do magma da crosta terrestre.


O granito em nosso município

Assim como o vinho representa o nosso elemento cultural líquido, o granito representa o nosso elemento cultural sólido. Ele foi usado pelos nossos antepassados, artífices da pedra, e está presente nos alicerces e porões de nossas casas, nos engenhos e atafonas, em igrejas e capitéis, nas ruas calçadas, no meio fio ponteado, nos monumentos, ancorando os parreirais. Na arte de lapidar a pedra, a Família Zavarise constitui um grande exemplo, uma referência máxima. Eles sabem cortar a pedra como nós cortamos o pão, o salame e o queijo.

O problema

Temos observado que as últimas Administrações Municipais, independentemente de partido político, vêm maltratando muito este nosso patrimônio cultural, principalmente no tocante às nossas ruas com meio fio ponteado. É inegável que algumas ruas necessitam de asfalto, principalmente aquelas pavimentadas com lajotas e totalmente detonadas pelas péssimas intervenções efetuadas no decorrer do tempo. Nelas, asfalto sim, porém não vemos nenhuma necessidade técnica para que o meio fio seja arrancado e substituído pelos famigerados blocos de cimento broa. Vejamos alguns exemplos de maus tratos com o granito nas obras públicas.

São exemplos inadmissíveis. Eles dilapidam a nossa identidade cultural.



Rua Angélica Colodel Bettiol – O meio fio de granito reto e alinhado foi substituído pelo meio fio de cimento-broa, desalinhado e ondulado. A rua requeria asfalto? Requeria, porém não havia necessidade de mexer no meio fio. Outro erro crasso.


A justificativa do Poder Público

Com relação à Rua Pedro Damiani, a prefeitura divulgou que “o Governo Municipal de Urussanga, iniciou nesta segunda-feira (22), a reperfilagem asfáltica da rua Pedro Damiani, no Centro. E que o meio fio foi substituído, para que uma calçada acessível possa ser construída no local”. Embora respeitemos as opiniões contrárias, a nossa inteligência mediana insiste em contestar, afirmando que tal justificativa do Departamento de Planejamento para a retirada do meio fio de granito não procede, não se sustenta. A argumentação constitui um galho muito fino para se apoiar. Não tem sustentabilidade nem técnica e muito menos cultural. Não resiste a um simples sopro. A argumentação afunda na areia movediça do tema.


Defendendo a pedra

A defesa de nosso patrimônio cultural, no qual obviamente está inserido o granito, cabe à Diretoria de Cultura e à Diretoria de Turismo, guardiãs oficiais da área, e aos integrantes do Movimento Cultural num primeiro estágio e a todo cidadão, num segundo momento. O caminho mais curto para combater a ignorância é perguntar. Quando não se sabe algo, pergunta-se. E perguntar não ofende, apenas esclarece. Afinal, para onde está indo todo esse meio fio de granito ponteado, bem como os paralelepípedos? A preocupação não deveria ser apenas da imprensa, a quem cabe apenas alertar. Esperamos que, nos próximos projetos de asfaltamento de ruas, essa ação de retirada do meio fio de granito desnecessária e nociva à nossa cultura cesse definitivamente. Por que tal afirmação? Porque em alguns aspectos Urussanga insiste em caminhar para trás. E gostaríamos que nossos administradores e servidores públicos, de um modo geral, tivessem um maior lastro cultural. Caso contrário, nós não vamos perder nada. A Cultura irá perder. Portanto, diretores das áreas de Cultura e Turismo é preciso estar sempre no módulo “Attenti Ragazzi”. Lembrando que combatemos ideias e não pessoas.



Ademar Faquin, um dos integrantes do Grupo Amici Della Polenta, na “Tafona do Derdi Maestrelli”, para renovar o contrato de fornecimento de farinha de milho cravo para as polentas sem fim do referido grupo, que nesse domingo, dia 4, celebra no Centro de Pastoral da Matriz, a 9ª Sagra. Ele deu adeus aos serviços de chapeação e pintura e, agora, “o meu negócio é somente polenta”, disse ele.



ATTENTI RAGAZZI

E a tão propalada avaliação e o replanejamento da forma e dos objetivos da Festa do Vinho? Da fervura da chaleira que fazia a tampa flutuar, chacoalhar, passamos para a caneca da água morna, e da caneca da água morna estamos correndo o risco de a água esfriar. Já temos um cronograma das reuniões ou não? A quem cabe puxar o processo? O Poder Público, a imprensa, as entidades? Vem aí 7 de Setembro, Eleições, Copa do Mundo, Finados, Natal Encantado, formaturas, Vindima Goethe... Acho que o assunto “Festa do Vinho” ficará novamente para os últimos 60 dias que antecederão a próxima festa. Torço para queimar a língua, ou melhor, os dedos da digitação.



O Bairro da Juventude dos padres rogacionistas Rua Cônego Anibal Maria di Francia, no Bairro Pinheirinho, em Criciúma/SC, foi sede no último sábado do Seminário Distrital sobre “Clube Eficaz e Imagem Pública”, envolvendo cerca de 80 rotarianos dos municípios do sul catarinense. Do nosso município, o registro da participação das rotarianas Edna Zaninn Lopes, Stela Dagostin Talamini, Everaldo Savi Mondo e este colunista com o Governador do Distrito 4652, Erlon Cimardi, integrante do Rotary Club Pérola do Vale do Município de Timbó-SC, do mesmo clube onde iniciamos a nossa vida rotária. Na volta para casa, tivemos a oportunidade de observar dois símbolos de Criciúma: O tradicional Café Pinheirinho, moendo e torrando café desde 1966, e a Sociedade Recreativa União Mineira 50 anos, na Rua Henrique Lage, bairro Santa Bárbara. Depois, no centro, a tradicional Loja Imperial da família Benedet, que está encerrando suas atividades comerciais depois de 65 anos.