SÉRGIO MAESTRELLI

CRÔNICA PARA RIO CAETÉ



Vamos galgando a Avenida Marcos Costa. No topo do Morro do Peraro, avistamos a Birra Del Nonno. Passamos pelo belo portal de granito da antiga propriedade da família Zavarise, a antiga propriedade do Nonno Manera, exímio artesão e benzedor. Circulamos no Pirago, espaço da Madre Paulina. Depois do término do asfalto e dos eucaliptos brancos, contemplamos as cenas da antiga propriedade de José Donadel, a belíssima propriedade da família Marcon com sua enorme lagoa, coqueiros e casa de madeira, a residência-museu da família Brognoli, guardiã da história, as pequenas casas de madeira enfileiradas margeiam a rua e, finalmente, a pracinha de Santo Antônio. E, assim, chegamos ao Rio Caeté. No sábado, tivemos a procissão motorizada saindo da Casa de Valmor Rosso, em Rio Galo. Cantos do “Grupo Ministério Unidos em Cristo” e “Cantato Dominum” no domingo. O som dos sinos e o som da roleta. Sons afugentando a Covid-19. Festa de Santo Antônio é para mim o sinônimo de Jeep, geada, frio, missa, e italianos falando alto. Os fiéis começando a chegar e as conversas animadas em grupos. Fui direto para o Campo Santo fazer uma oração por todos os falecidos daquele cemitério e que todos estejam num bom lugar. Depois, fixei meu olhar na placa com os nomes dos pioneiros fundadores da localidade. O fogo começava a ser aceso pelos churrasqueiros, Gustavo de Pellegrin Rosseti, Dorvalino Perdoná, Alberrto Rosseti e Valdemar Albônico. Nos três dias, colocaram no fogo 750 espetos. Toninho Brognoli e a esposa Maria Pícoli chegam para conversar e neles dei um susto, dizendo que um ônibus havia estacionado para visitar o museu, bem no horário da missa. Ele respondeu com um “não acredito”. Lenda de Cocal do Sul, Aldo Furlan, do Rio Perso, devoto sempre presente, ao lado acrescenta: “Com esse recado/susto ao Toninho, tu sei próprio il fiol de Virgínio Maestrelli”. E vamos para o interior da bela igreja. Sentando na escada que dá acesso ao coro e à torre, Ildo e Gerson Copetti, acompanhado da neta Amabel Copetti Bif. A dupla já preparando a escada que os levará a torre paro o repique dos sinos, uma missão de décadas. No início da celebração, a ministra Cacilda Bez Fontana recebe os presentes com um Santo Antônio, Santo forte, pregador do evangelho de Cristo: quantos escutaram a tua voz e que Santo Antônio rogue a Deus por nós. Padre Miro De Bona entra com um “ em nome do Pai , do Filho e do Espirito Santo. Estamos nós aqui reunidos...”. Zuleima Tezza e Valcir Roque com seus cantos sacros. Em sua homilia, afirmou Pe. Miro que a porta de entrada é a Eucaristia. No milagre da mula faminta e ajoelhada, ele afirmou que Santo Antônio acreditava em seu poder como padre e que combatia os ateus e as “atoas”. No milagre da mula, há três dias sem comer, e estando à frente do capim fresco e do ostensório com a hóstia consagrada, a mula primeiramente optou pela hóstia e se ajoelhou perante ela. As pregações de Antônio arrastavam multidões e que com Santo Antônio nada estava perdido e tudo seria encontrado, sejam pessoas ou objetos. Se os humanos não querem ouvir, os peixes sairão do mar e dos rios e ouvirão atentos. Que o mal vá para o abismo dos abismos. Padre Miro lembrou que muitas pessoas podem se libertar mediante as nossas constantes orações. Nas pinturas restauradas, o quadro “Vinde benditos de meu pai” e “Afastai malditos”. Quem reza se aproxima de Deus e próximo a Deus vencerá seus problemas. Depois da procissão, no caminho para Rio Deserto, cujo andor foi conduzido pelos colegas de infância Eucrésio de Jesus e Jucerlei Bendo, a frente do santo, e Valdecir Cittadin e Luiz Copetti, na retaguarda e com o repicar dos sinos, houve a distribuição do pão bento, coordenado pela ministra Rosalba Marcon Zuchinalli. Neste horário, o aroma do churrasco já envolvia o ar. Lembrei-me que estive em Santo Antônio de Pádova na Itália em 2001. De todos os lugares sagrados deste planeta que visitei, aquele local foi o que mais me senti próximo do ambiente celestial. Há algo sublime pairando sobre o ambiente. Aquela igreja é mais celestial do que terrena. Pertence mais ao céu do que à Terra. Nem no Vaticano, nem em Francisco de Assis, nem na Catedral São Paulo Extra-Muro tive tal sensação. Santo Antônio, Santo forte. Que a sua fraqueza não duvide disso. Santo Antônio de Rio Caeté. Que graça estar por lá mais uma vez sempre no seu dia, 13 de Junho. Rio Caeté com três dias de festa e oração... Que Santo Antônio nos proteja, proteja os jovens, socorrei os doentes e com o seu amor nos sustentai na luta diária. Mantenha-nos a paz e conservai na serenidade. Livra-nos dos erros desta vida incerta e confusa. Ele nasceu português, nasceu em Lisboa, nasceu Fernando (1195). Morreu italiano, morreu em Pádua, morreu Antônio (1231). Meu bisnonno era de Rio dos Americanos, meu nonno e meu pai de Rio Carvão. Nasci na Rua do Sapo, vivi a primeira infância em Belvedere na Vila Nesi-São Miguel, São Donato e a segunda infância no Paraíso da Criança, no cercado do Pe. Agenor. E tenho um grande fascínio por Rio Caeté e Rio Deserto. Muitas pessoas da comunidade exclamaram: “Faça um bom registro de nossa festa”. A comunidade pediu, o Jornal Panorama atendeu.


PILULAS

  • Que a querida e valente Valentina Contessi, 4 anos, chamada por Deus, receba a grande luz e que viva a felicidade eterna ao seu lado, e que seus pais e familiares superem os dias vividos com grandes dificuldades. A nossa mente e o nosso coração não entendem por que às vezes o ser humano precisa passar por tamanho sofrimento. Como interpretar os desígnios do Senhor? Misteriosos são para os homens os caminhos do Senhor.

  • Você sabe por que o pão é o símbolo do alimento dos homens? Porque o trigo e a cevada foram os primeiros cereais cultivados para o consumo. O pão é o primeiro alimento preparado para o consumo que a história registra. É a receita mais antiga do mundo.

  • Numa dessas manhãs frias, encontramos um grupo de amigos ao sol. Um deles diz: “15 minutos todo dia no sol faz muito bem à saúde”. Logo, outro acrescenta “15? Por que não 11?” E o outro afirma: “15, por que não 13?”. O último retruca: “Por que não 45, 55?”. Estava nascendo mais uma polêmica na Benedetta. Essa discussão ainda vai acabar num consultório médico, para saber realmente qual o tempo ideal para a formação da distinta e importante vitamina D. Que todos discutam e que, no final, todos fiquem com Deus.

  • E na conturbada Benedetta com seu momento político incerto e confuso a frase da semana que pode resumir as Operações Benedetta e Hera foi esta: “Vai cair todo mundo”. Desconhecemos a abrangência da expressão, mas a frase correu nas redes.

  • Semana Doce, no Salão de Eventos da Marconi, e Semana Salgada, na sede do Jornal Panorama. Aniversários em série: Edi Carlos de Rezende, Joel Bernardo, Bruna de Brida. Nega maluca, bolo de morango, bolo de chocolate, bolo de cenoura e cróstoli, o brasileiro cavaquinho. Só faltou o popular pudim Medeiros, que não vimos mais no mercado. Já na sede do Panorama, o aniversário de Sérgio Costa, dia 22, “O Pirata da terra firme”. A Márcia largou o teclado e preparou uma mesa salgada: copa ou sacol como queiram, torresminho, queijo, salame, espumante, vinho tinto, branco e rosé. Sobre a doçura, lembramos da frase que a Irmã Eva Michalack, polonesa e especialista de ervas e chás no município de Rodeio/SC, espalhava: “Depois dos 50, o excesso de doçura leva você mais rápido para a sepultura”. Já com relação ao sal, só encontrei a frase de Cristo: “Vós sois o sal da terra”.

  • Quando você pensa que já aconteceu tudo, que já viu tudo, eis que uma ponte cai com prefeito e vereadores, durante a inauguração, e deixa feridos. A ponte suspensa, que já não está mais, localiza-se na cidade de Cuernavaca, no México. A ponte fica no Parque Porfírio Diaz, sobre um dos muitos córregos da região, e faz parte de um passeio fluvial. Não foi informado nada sobre o projeto e execução. Se foi da própria Prefeitura, se foi uma empreitada no estilo público-privado, ou se foi uma empresa que ganhou a licitação sem as devidas habilitações técnicas em termos de equipamentos e mão obra. O certo é que Porfírio Diaz deve estar profundamente irritado com a cena que ocorreu. Brasil e México tem semelhanças no quesito.

  • “Se existe político corrupto é porque existe eleitor corrupto”. Vereador Fabiano Murialdo De Bona, ressuscitando uma velha máxima política.


ATTENTI RAGAZZI

32 partidos políticos e 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral. Isso sim reflete o dito popular “Saco sem fundo”. Você acredita mesmo que é preciso todos esses números para manter a democracia no Brasil? Dinheiro em demasia torrado pelos políticos somente em benefício próprio e dos grupos que os elegem. E o povo? A situação é essa. Todos numa fila para tentar entrar na fila.



Não foram campeões de xadrez. Mas tentaram. No recinto “restrito e reservado” do Antigo Ponto Chique, tradicional espaço dos tempos de namoro dos nossos tempos de juventude. Foi sede do Fórum, Bar do Caroço. Hoje é o espaço do Edifício Aliança. Na imagem, Artidônio Ramos Fortes, cujo DKV ficou na garagem. Almir dos Santos Pinheiro, apelidado carinhosamente de “O Botinha” da CCU, mexendo as peças. Na outra mesa, Defendi Damiani, o homem do Banco Inco e Arnaldo Escaravaco, o funcionário da Prefeitura Municipal e escritor. Espiando a movimentação das pedras, Daniel Bilk Costa, um dos homens da DBO, orientando os agropecuaristas de todo o Brasil. Ao seu lado, Murilo Felippe, servidor do Fórum, e o homem da Cinderela. (Sem ciúmes, Néia. Estamos nos referindo à “Cinderela Calçados). A imagem foi guardada por Dalton Davis Damiani, o urussangunse do City Club de Criciúma.



CORPUS CHRISTI - Tudo começou em 1264 em Liège, Bélgica com as visões da freira agostiniana Juliana de Mont Cornillon sobre as visões de Cristo com o mistério da Eucaristia e em Roma com o papa Urbano IV. O primeiro Corpus Christi brasileiro ocorreu com o padre Manoel da Nóbrega, em 1549, com a procissão em São Paulo de Piratininga. A tradição dos tapetes surgiu em Portugal. Ouro Preto-MG foi a primeira cidade brasileira a confeccionar os mesmos. No sul do Brasil, a solenidade dos tapetes teve como pioneiros os imigrantes açorianos. Para esta grande solenidade religiosa São Tomás de Aquino compôs o hino “ Tartum Ergo Sacramentum”, o conhecido “Tão Sublime Sacramento”. Na imagem, pode-se observar a última procissão em Urussanga antes da pandemia. Se os humanos não estão dispostos a rezar, os animais estão dispostos a acompanhar.



Padre José Benjamin Cipriano, o nosso Padre Zezinho, 50 anos puxando o arado sem olhar para trás e espalhando o Evangelho de Cristo. No último sábado à noite, na Igreja Matriz, a celebração da missa dos 50 anos do Padre Zezinho, urussanguense de Rio América Alto. Ordenado sacerdote, em 1972, rezou sua primeira missa na Paróquia Santo Antônio dos Anjos (Laguna). Ele afirmou que nunca esteve nos primeiros lugares do seminário. Era dono das notas mais baixas. Deus Seja Louvado. “Minha qualidade e defeito se chama paciência”. Disse ele ser grato a Deus que o deixou ser como ele é. Grátia Plena e empolgado encerrou com um grande grito: “Viva a nossa Comunidade”. Viva Pe. Zezinho.