SÉRGIO MAESTRELLI


PÍLULAS

  • Integrantes do PP de Cocal do Sul fazem apelo ao líder do Governo Moisés para que seja concluída a pavimentação Cocal do Sul /Morro da Fumaça. Fazer um apelo? Devem é exigir! Políticos do norte catarinense exigem ações do Governo, políticos do sul pedem, apelam. Por isso, o norte catarinense coloca o sul no bolso. Enquanto os outros exigem, nós pedimos.


  • “O que se vê é turismo no Estado para entregar uma máquina, fazendo lobby como se tivesse saído do bolso daquele deputado ou secretário fazendo campanha, quando o dinheiro é dos nossos impostos. Político não está preocupado com o povo. Está preocupado em se eleger. A coisa não anda. A política é feita para enrolar”. Do urussanguense Losivanio Luiz De Lorenzi, presidente da ACCS – Associação Catarinense de Criadores de Suínos, reportando-se à apatia dos políticos com relação à crise da suinocultura. Ele tem razão! A maioria dos políticos estão apenas preocupados em se manter no poder, via reeleição, atendendo seus interesses e no máximo do grupo ou dos grupos que ele representa. Raramente eles representam os interesses legítimos de uma comunidade.


  • A abelha, um dos insetos mais espetaculares da natureza, atua na polinização de centenas de plantas úteis ao homem. Ela já foi classificada pelos botânicos como a heroína. Sem elas, a fome.


  • Os vereadores, de um modo geral, estão criminalizando as lajotas. Elas estão soltas, causando transtornos, mas elas não são culpadas. Como perguntar não ofende, apenas para esclarecer, fui atrás da opinião de quem entende. Conversei com Dilnei Pereira e este afirmou que não se assenta lajotas com martelo. Martelo é para prego. O segredo das lajotas que não se mexem está na base e na marreta. “Bem assentadas, Maestrelli, elas são muito preguiçosas. Não se mexem mais.Trabalhei 33 anos no assentamento do paralelepípedo de granito e nas lajotas e sei o que estou falando”. Você provavelmente não conhece o Dilnei Pereira, mas conhece o Bigorrilho.


Viemos ao mundo no mesmo ano: 1957. Blumenau em Cadernos comemorou 65 anos de circulação ininterrupta, registrando a história e a cultura do Vale do Itajaí. Pela longevidade, um fato bastante raro: Sou assinante e leitor desde 1981, quando lá cheguei. A publicação foi idealizada pelo pesquisador José Ferreira da Silva, e a diretora Sueli M.V. Petry não deixou a peteca cair. Blumenau em Cadernos, numa de suas edições, registrou o topógrafo Emil Odebrecht, efetuando medições em terras urussanguenses.


  • Correto está o colunista Prates: “Tem muitos que se parecem com “produtos” de fim de feira”. É vero.

  • “Eu vivi um tempo em que o cachorro cuidava do lagarto. Agora, ainda sem acreditar, estou vivendo o tempo em que é o lagarto que cuida do cachorro”. Raulino Eleodoro, o Brizola, filósofo de Santana, que agora mora em Santaninha, mas que anda com uma grande saudade de sua antiga propriedade no Santo Expedito.


  • O superintendente da Secretaria de Infraestrutura no Sul afirmou em entrevista que a água é o maior inimigo do pavimento asfáltico. Permita discordar de seu posicionamento, superintendente. O maior inimigo do pavimento asfáltico é a obra pública feita sem um padrão de qualidade, obedecendo sempre o padrão feito “nas coxas” , o padrão “meia boca”, o tão falado, comentado, adorado e endeusado “paliativo”. A água vem depois.

  • Rotary Club no mundo comemorou 117 anos. Rotary Club no Brasil comemorou 100 anos. O primeiro clube rotário no Brasil foi fundado em 1922, no Rio de Janeiro. Rotary Club de Urussanga, Ano 63, foi fundado em 1959 e teve como primeiro presidente o lembrado “Dr. Raul”.


  • Na Casa Del Popolo: ventos, raios, trovões, tremores, faíscas, erupções, descargas elétricas, fios desencapados... De ambos os lados, correndo de ouvido a ouvido, na plateia da última sessão, a frase “Muitos santos irão cair do pedestal”. Anda todo mundo nervoso. Até as lajotas estão cada vez mais soltas e irrequietas.

  • Arborização e flores na Serrinha: segundo o Albano, ex-presidente da Amosan, a comunidade de Santana começa a se movimentar para o plantio de flores na parte norte. Será que Rio Carvão assumirá a parte sul com a Acric? A iluminação, plantio de flores e arborização são ações públicas previstas no projeto, de acordo com o anúncio para a imprensa no seu lançamento. Com relação à arborização das margens feridas, por enquanto, o projeto está sendo executado apenas pela Mãe Natureza. Como se percebe, a noite ela está iluminada, mas o dia, ainda, não está florido, um ano e meio após o encerramento das obras de engenharia.



ATTENTI RAGAZZI


No dia Mundial da água, a estrela foi a cerveja. Vamos misturar, em nossas festas, uma taça de vinho Goethe, um caneco de cerveja Birra Del Nonno, um tóco de polenta, formai radiche e salám e viva Urussanga. Parabéns à nonna Marli Cechinel Peraro, e ao seu neto Ivan Damiani, pela conquista da medalha de prata em evento cervejeiro nacional, em Blumenau/SC. A Cerveja Birra Del Nonno tem suas raízes em Rio Carvão e no Morro do Peraro. Um bom momento para “La Nostra Benedetta”.





No último sábado, dia 19, dia de São José, que na linguagem hebraica significa “Deus cumula de bens”, após a missa do patrono do Paraíso, quatro voluntários deram o início à edificação do Paraíso da Criança, no Parque Municipal Ado Cassetari Vieira. Lucas Jiusti, Darvino Périco, Romualdo Tezza e Marcos Antônio Ferreira. Em ação o lema “Fé e Obras”. Orar e laborar. Com eles não tem tempo ruim.



Adília De Pellegrin Damiani, 93 anos, chegando ao Paraíso da Criança, dirigindo seu veículo e se reencontrando com o Padre Jiovani Manique Barreto, no dia de São José, o padroeiro daquela entidade, cujas paredes já abrigaram mais de 1000 órfãos. Desde o ano de 1948, São José não tem nos braços apenas o menino Jesus. Tem, também, em seus braços, todos os pequeninos e pequeninas do Paraiso da Criança.



E o sistema de drenagem da Praça Anita no seu extremo oeste próximo à Biblioteca Municipal “Presidente Castelo Branco” continua há mais de 20 anos desafiando a engenharia nacional. No decorrer do tempo, já foi empregado tijolos, madeira, novamente tijolos e, por último, concreto. Deveria estar resolvido, mas utilizaram uma tampa de concreto broa, aquele que não é sólida e se desmancha no ar. Converse com o Nicanor Zavarise, Sangaletti, e encomende uma tampa de granito na medida exata, e teremos o que os romanos denominam de “consummatum est”.


CARMINATI DE BERGAMO



Concluímos a leitura do livro de autoria de Celso João e do Pe. Valdemar Carminati, ambos “Carminati Di Bergamo”. Eles registram o nascimento do livro como o nascimento de um filho. O livro apresenta a saída do casal de imigrantes Pietro Carminati e Rosa Minati da Itália, oriundos da província di Bergamo, para “il paese dela cucagna”, estabelecendo-se em Montagnú onde Pietro foi capelão da igreja de São Paulo. Depois, ele rumou para o Rio Kuntz, atualmente município de Bellun - Siderópolis, atrás de trabalho num pedaço de terra. São registrados, no livro, as fortes emoções do embarque no Porto de Gênova, e o desembarque no Brasil, em 1892. São apresentadas as dificuldades nos primeiros meses com índios, feras, cobras, insetos que não davam sossego, bem como o desconforto com os barracões improvisados. O livro relata as pesquisas do Padre Valdemar na Itália na ânsia de desenrolar o novelo de lã que o levaria para um passado distante em busca das raízes e fatos vividos por seus antepassados. Carminati significa cardador, trabalhador que desfiava a lã de carneiros e ovelhas, originários do Vale Brembilla, Bérgamo. O padre teve a oportunidade de visitar o monumento em homenagem aos mortos das duas grandes guerras, em que soldados da família Carminati também tombaram em defesa da Pátria. Escrever o livro deu sede, e o Pe Valdemar não resistiu e retornou para tomar a água benta do Rio Kuntz, que passava pela propriedade dos Carminati, atual propriedade da família Inocenti. Não satisfeito e, ainda, sedento, ele foi, também, tomar água no poço de Montagnú. Um dos filhos de Pietro, Francesco, registrou que, na Itália, se comia pêssego com polenta. Cuidou de uma atafona e viveu 74 anos no Brasil. Está sepultado no chão sagrado de Montanhão. Ele gostava de um bom vinho, de uma boa água e de uma boa pinga. Quando visitava parentes, ou outros lugares, não tinha pressa em regressar para casa. Gostava de um bom sono no porão. Não era muito afeiçoado ao serviço braçal. Era muito lerdo no manuseio da enxada. Gostava mesmo era de cantar. Seria o que se denomina hoje de um “bon vivant”. Foi casado com Josefina Grasi, uma nonna cheia de energia e disposição para o trabalho. Vacas de leite, roça, trabalho artesanal com lã, ótima memória, retinha tudo o que via e ouvia. Ela cismava que iria morrer na idade que sua mãe havia morrido. E, assim, chegando próximo dessa idade, visitou os filhos e parentes. No dia de sua morte, o marido lhe pediu perdão por algo mal feito e ela retrucou com um “tudo perdoado”. Pediu o livro preto das orações e lentamente foi adormecendo, aos 63 anos, no mesmo dia em que falecera sua mãe. São os mistérios e os desígnios do Senhor. O livro também é o registro da vida do Pe. Valdemar, um sacerdote brasiliano que retorna a Bergamo. O menino camponês com oito anos, conduzia uma junta de bois pelas horríveis estradas de Nova Veneza e plantava cerca de gravatá na nova propriedade dos pais. Destaca-se uma passagem marcante: quando ele se decidiu pela vocação religiosa, seu pai retrucou com um conselho e uma advertência: “Não vais pensar que te salvarás mais fácil, sendo Padre. Vai ser mais difícil”. Em 1964, ocorreu o momento de colocar a batina, um sonho realizado, porém logo desfeito, em virtude da onda de tirar a batina com o Concilio Vaticano II. Ordenado padre em 1972, começou a sua caminhada, evangelizando por diversos lugares no sul catarinense. Em seu período de estudos em Roma, conseguia umas folguinhas para tomar banho no Mar Egeu. Posteriormente, já em 1995, contentaria-se com o banho na praia de Jaraguaruna. Desde 6 de fevereiro de 2021, convive com o povo urussanguense. Sorte nossa. Neste ano ano Pe Valdemar viverá o seu jubileu de ouro sacerdotal. Padre Carminati em suas misas diz: que alegria quando me disseram que iríamos à casa do Senhor. E eu digo. Que alegria em poder ter tido a oportunidade de ler este livro.


NÃO DEIXE DE LER ESSA


Em 1562, um grupo de vereadores da Bahia enviou uma carta a Sebastião I, rei de Portugal, relatando um fato grave que estaria se passando na capitania.

Segundo denúncia, Mem de Sá usou do cargo para se apropriar da escravização de indígenas e do comércio. Preocupados, eles pediram ao monarca que nomeasse um novo governador, de preferência um homem “fidalgo”, “virtuoso” e que não fosse “cobiçoso”.

O documento é considerado um dos primeiros registros oficiais de desvio de conduta e enriquecimento ilícito na história do Brasil. Quatrocentos e sessenta anos depois, tudo igual.

(Publicado na Revista Veja – 10/03/2022).