Padre russo fez palestra anticomunista em Urussanga


Em novembro de 1960, os urussanguenses tiveram oportunidade de conhecer o padre Alagiangian, um jesuíta missionário que foi prisioneiro na extinta URSS - União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e, durante a 2ª Guerra Mundial, foi convocado e enviado para as frentes de batalhas como capelão das Forças Orientais, bloco formado pela URSS e aliados da parte leste e central europeia como Albânia, Romênia, Polônia, Hungria e Alemanha Oriental.

Segundo relatos do Padre Agenor Neves Marques, Alagiangian acabou sendo capturado pelos bolchevistas e permaneceu por 12 anos em prisões russas, de onde conseguiu sair somente em 1954.

Para quem não sabe, bolchevistas defendiam a revolução socialista, a instalação da ditadura do proletariado, com a aliança de operários e camponeses, enfim, acreditavam que o governo deveria ser diretamente controlado pelos trabalhadores. Mas a igreja católica já havia excomungado o comunismo em 1949, sob o papado de Pio XII, quando um padre havia sido condenado na Hungria a prisão pepétua.

Como o padre russo conseguiu sair da prisão em seu país não ficou registrado, mas Padre agenor relatou que Alagiangian percorria o mundo combatendo o comunismo e propagando seu projeto “Igreja do Silêncio”. Ou seja, ele se colocava como exemplo para os fiéis católicos, alertando-os sobre o risco de terem que esconder sua fé caso o comunismo dominasse o mundo.

Entre as ações deste missionário russo, há registros de uma missa no Paraíso da Criança, uma palestra para as freiras que lá trabalhavam, uma missa na igreja matriz Nossa Sra. da Conceição e uma palestra aberta ao público no Cine Vera Cruz, local onde recebeu muitos presentes e também o apoio finaceiro para que continuasse sua jornada em defesa da fé cristã no valor de cinco mil cruzeiros.