MAURO PAES CORREA

Tecnologia da Incomodação


Uso este trocadilho, que muitos profissionais acabam adotando, uns em tom sério, outros como uma anedota para a realidade do mercado de Tecnologia, diante de tanto estresse e recentes notícias nas redes profissionais de contatos do aumento de síndrome de Burnout e o afastamento de alguns profissionais por questões de saúde mental no mercado de trabalho em áreas correlatas à Tecnologia da Informação.

Trabalho há vinte e quatro anos neste segmento e a melhor dica que profissionais da área podem seguir, é a de possuir um hobby. A pressão por resultados, imediatismo na resolução de problemas, uma vez que chegamos em um momento em que ironicamente, as pessoas e empresas conseguem viver por algumas horas sem energia elétrica e estão ligadas quase que umbilicalmente à um sistema de gestão ou aplicativo, seja ele de mensagem ou rede social.

Como transformar a “Tecnologia da Incomodação” em Tecnologia da Informação, para que os profissionais possam ter saúde mental dentro e fora do trabalho? A resposta não é simples, mas começa com o engajamento dos gestores, proprietários (CEOs) e líderes em reconhecer a importância do trabalho de cada um dos colaboradores e prover uma cultura de compartilhamento de conhecimentos entre a equipe, para que haja auxílio mútuo entre eles, evitando a sobrecarga de trabalho e a sinergia. Facilita imensamente, quanto ao período aquisitivo de férias, pois infelizmente muitas empresas, mesmo que não sejam de tecnologia, transformam o profissional em um “ser insubstituível”. Não sou adepto desta cultura, e acima de um CNPJ, existe vidas, projetos e aspirações que devem ser respeitadas. Um profissional com tratamento de forma justa, “veste” a camisa da empresa e traz resultados que muitas vezes surpreendem a chefia. É interessante aprimorar a cultura da empresa, do que perder aquele profissional que até então era considerado indispensável e impossibilitado de tirar férias. Pense nisso!