MAURO PAES CORREA

Carro elétrico, compensa?


A resposta é, depende. Os carros elétricos possuem um valor de aquisição muito mais alto que um carro convencional e somente vira um atrativo para seu bolso, se você rodar muito. A conta é simples. Se você roda pouco por mês, o valor de retorno do investimento pode superar os dez anos, muito mais que os até oito anos de garantia que alguns veículos possuem de fábrica.

Para quem roda muito, principalmente em trajetos que não ultrapassem os 200km por dia, como funcionários que precisam diariamente se deslocar de uma cidade à outra, o retorno é rápido e altamente interessante. Façamos as contas. O custo por km de um popular simples movido à gasolina é em média de R$ 0,47 por km rodado, considerando uma média de 14,9 km/l. O carro elétrico, tem um custo médio de 0.06 km por km rodado.

Coloquei uma conta bem racional, pois os carros à combustão possuem uma autonomia média de 600km por tanque (carro popular básico), porém os carros populares elétricos, rodam entre 150 a 300km com uma recarga completa.

Logo, para rodar 10 mil km, você desembolsará a partir de R$ 600 reais, valor bem menor que R$ 4.700,00 para rodar a mesma quilometragem à combustão.

Ainda há outras vantagens dos elétricos, como menor incidência de manutenção, poluição atmosférica zero e maior segurança ao motorista, pois o ruído no interior é quase zero, aumentando a atenção nas estradas.

Para quem se desloca entre a região da AMREC, os carrinhos elétricos prometem. Muitas pessoas se deslocam diariamente para Urussanga, e o trajeto máximo ida e volta, considerando as cidades mais distantes, atinge uma média de 100 a 120 km rodados.

É importante lembrar que os carros elétricos são uma realidade sem volta e com o passar dos anos, os postos de combustíveis tradicionais também oferecerão recargas elétricas (até mesmo para aumentar o leque de clientes) e dependendo da recarga, o tempo é aproveitado para um cafezinho ou colocar alguma atividade em dia, através de um notebook ou smartphone.

Vamos chegar no mesmo nível da Europa? Depende unicamente de políticas públicas incentivando a transição para os carros elétricos. Quem gosta muito do seu carro atual, pode convertê-lo para elétrico, pois há oficinas realizando o serviço no Brasil e inclusive uma grande empresa brasileira (catarinense, por sinal) está fornecendo os motores e alguns outros componentes, e somente a bateria que é importada.

Há Desvantagens?

Algumas além da apresentada inicialmente, quanto a pouca utilização do veículo. Tempo de recarga em tomadas convencionais de 6 a 8 horas, baixa autonomia, necessidade de planejar o trajeto (pois não é um híbrido, acabou a bateria, você fica na mão).

E uma última informação: as baterias perdem poder de carga, em média 2,3% ao ano.