MAURO PAES CORREA

Goodbye, IPod


Quem leu a biografia de Steve Jobs, percebeu claramente que o IPod (tocador de músicas), anterior aos smartphones touchscreen, como o próprio Iphone, foi a grande sacada da Apple. Primeiro, por ajudar a empresa a encher o caixa de dinheiro, junto com outros produtos de sucesso que foram lançados no início dos anos 2000, como o iMac. Segundo, pelo conceito pós botão circular, onde o IPod acabou na onda do touch, junto com o Iphone 1.

Estamos dando adeus a um produto que glorificou Jobs, chamado novamente à Apple para salvá-la literalmente da falência, depois de anos sem pisar na sede da empresa. Como o mercado e o conselho diretor perceberam, tudo o que ele fez fora da empresa, tinha um toque de Midas. Havia retorno financeiro e sucesso comercial em cada um de seus negócios. Com a volta triunfal e o lançamento de um tocador de músicas compacto, permitindo armazenar milhares de músicas e a facilidade de comprar uma determinada música, encheram os olhos e acabaram com o domínio do mercado fonográfico.

No passado, comprávamos um CD ou LP de um(a) artista, apenas para ouvir uma ou duas faixas. O IPod acabou com as táticas das gravadoras e obrigou-as a fazer acordos com a Apple. Era melhor perder parte do faturamento, do que perder tudo. Afinal, os americanos e europeus estavam enlouquecidos pela febre do IPod.

Lá se foram vinte anos e até 2007, o produto predominava como tocador de músicas e era um dos carros chefes da Apple. Quando surgiu o Iphone 1, a ideia era que ele substituísse o IPod e tornasse-se o computador de mão do usuário. Conceito que deu certo e foi replicado para outras plataformas, como o Android. As vendas do IPod foram decrescendo e os usuários, migrando para o Iphone.

O problema para o brasileiro, por anos, sempre foi o alto preço. A Apple vende qualidade e monetiza o lucro sob sua marca, tornando inviável a aquisição do finado tocador por parte de grande parcela dos brasileiros.

Neste meio tempo, tocadores chineses alternativos ou até mesmo réplicas descaradas, tentavam “enganar” o consumidor, que inseria as músicas através do computador no tocador no formato MP3, baixadas de forma totalmente pirata.

Com o surgimento dos serviços de streaming de música, estratégia inteligente para acabar com a pirataria de músicas e ao mesmo tempo monetizar as gravadoras e artistas, o modelo de negócios empacou de vez. Não havia serviços de assinatura, você precisava comprar a música que desejasse (por um preço módico, obviamente), para turbinar o IPod.

O serviço de assinatura decolou em várias frentes, o modelo de negócios original do IPod não mais condiz com a realidade atual de mercado, pois a Internet evoluiu exponencialmente, a ponto do usuário sequer precisar baixar as músicas, bastando ouvi-las de forma totalmente online, dispensando o armazenamento interno, que virou opcional.

Deixará saudades? Certamente, afinal tecnologia envolve aperfeiçoamento de produtos e o IPod cumpriu com maestria sua jornada.