MAURO PAES CORREA

O Metaverso

Se você ainda está intrigado com a mudança do grupo de produtos de Zuckerberg para Metaverso, acredite: a ideia parece ser genial e muito arriscada. Metaverso nada mais é que a disponibilização de um “avatar” seu no mundo virtual, que pode ser replicado de várias formas, ou seja, inclusive com um holograma. Se você vê filmes de ficção científica, em muitos você vê a exibição de um holograma. Star Wars por exemplo, tem algumas cenas com hologramas.

O ambiente de desenvolvimento de algum tipo de Metaverso, já era esperado. Ele começou de certa forma, com o Pokemón Go, com a realidade aumentada, o óculos da Google (que foi um fracasso) e agora temos a aposta da maior rede social do mundo.

Vai dar certo? Sinceramente, não vou dar palpites infundados, como Bill Gates deu em um dos seus primeiros livros, dizendo que “256kb de memória são suficientes”. O que posso afirmar é que a tecnologia está evoluindo exponencialmente no segmento de Inteligência Artificial, que é limitado pela velocidade dos equipamentos que há no mercado. Para que tudo virasse Metaverso por exemplo, onde todos nós teríamos uma réplica digital, inclusive depois da vida terrena, é preciso que os processadores (os cérebros) dos dispositivos, tornem-se quânticos. Ou seja, os dispositivos podem ser até cem vezes mais rápidos e podem quase que “pensar” como o cérebro humano. O que há hoje, são simulações bem avançadas, o que permite uma série de inovações.

Olhando para o viés otimista da tecnologia, ela permitirá num futuro próximo, com o armazenamento de imagens, vídeos, textos e tudo o mais, que permita a interação virtual de pessoas que já faleceram, com seus descendentes. Claro, tudo através da IA e obviamente, será apenas uma simulação.

Fora é claro, a preocupação sobre a privacidade das pessoas que entram no Metaverso, o que trará muitas questões éticas sobre o uso destas informações, principalmente com a aplicação das novas leis que protegem dados pessoais ao redor do mundo. No mínimo, será necessário que qualquer aplicação que lide com o Metaverso, capture o aceite (consentimento) do usuário e que haja um dispositivo de delegação (ainda em vida) para um terceiro, como já acontece com os memoriais da rede social. Porém, deverá haver algum tipo de revogação, se necessário, quanto ao uso do avatar dentro do Metaverso.

Há questões curiosas neste assunto. O primeiro deles é que nenhuma big tech (grande empresa de tecnologia), além do ex-Facebook (agora Meta), alardear a tecnologia. Será que Microsoft, Google, Apple, Tesla e Amazon estão deixando Zuckerberg “dar à cara para bater” e ver no que via dar? Uma boa pergunta que o tempo nos dará a resposta, mas em tecnologia, às vezes esperar para ver pode custar muito caro ou a melhor chance de uma empresa despontar no mercado.

Apenas vou citar um exemplo simples: IBM com o seu maravilhoso OS/2, muito mais avançado que o Windows 95, o sucesso da Microsoft que a tornou o que é hoje: mesmo atuando em computadores, continua dominando este segmento quase 30 anos após o seu lançamento. O OS/2 não tinha as famosas “telas azuis da morte” de forma tão escancarada. O que faltou? Atrair desenvolvedores, fabricantes de computadores e outras empresas e pessoas de influência no negócio. Ao invés de usarmos Windows, poderíamos usar o OS/2 hoje. “Esperaram para ver”.

Deu no que deu e a IBM perdeu sua majestade há muitos anos. Bom fim de semana!