MAURO PAES CORREA

Pseudotecnologia



Vamos com calma: a palavra pseudotecnologia não tem nada de escabrosa ou imcompreensível. Pseudotecnologia, nada mais é que a falsa tecnologia. Porém, hoje vou usar este termo para definir de certa forma, a falsa sensação de que a evolução tecnológica traz consigo a evolução de outros métodos antigos de aferição ou armazenamento de informações, como no jornal impresso. A tecnologia, para quem ainda não sabe, é sempre algo que em algum dia, será obsoleta. Que utilidade tem o seu celular de dez anos atrás? Para os atuais, nenhuma. Da mesma forma os discos rígidos de computadores, que armazenam informações. Surgem novas tecnologias e muitas delas não possuem compatibilidade com as tecnologias do passado.

Qual o grande efeito deste problema? Você corre o risco de perder informações e obviamente suas informações tem que acompanhar esta tecnologia. Você precisa fazer backup do dispositivo antigo, para o novo. E se surgir outro mais novo, fará o mesmo, muito possivelmente durante toda a sua vida.

A minha preocupação não é voz no deserto: outras pessoas se preocupam com o assunto, inclusive no aspecto histórico. Uso o Panorama como exemplo: modernizou-se, traz suas edições digitais nas redes sociais, vídeos ao vivo e toda e qualquer tecnologia para manter seu público informado.

Mas e as informações do passado? Da nossa história? Vamos ficar dependendo da Wikipedia e das informações dos buscadores, como Google e Bing ?

As bibliotecas, inclusive a de Urussanga, está recheada de informações, através de livros e assim como jornais, são informações que sobrevivem inclusive à nossa vida na terra. Nossos filhos e netos até podem procurar informações na Internet sobre o que fomos no passado e possivelmente vão encontrar várias menções, pois as redes sociais, mesmo que acabem (como o Orkut), sempre deixam algum tipo de legado.

Os livros não tem o charme de serem modernos, tecnológicos, ao menos os impressos, mas tem uma vantagem: não dependem de energia elétrica para manterem suas letras de tom forte impressas em suas páginas, dependem unicamente de zelo, preservando a história não só do nosso povo, mas das tradições, dos eventos, das catástrofes e das boas conquistas.

Você até pode dizer que os livros digitais são a grande onda do momento e que seria interessante digitalizar todos os livros antigos. Posso concordar totalmente, mas se algum dia você ficar por mais de cinco dias sem luz, onde você pode encontrar qualquer tipo de informação, inclusive sobre sobrevivência ou cuidados médicos? Em um livro impresso ou edições antigas de jornal, certamente. Tudo que está no ambiente digital pode ser transitório, o mantenedor pode encerrar o serviço (quem garante que o Facebook, WhatsApp e outros meios ficarão eternamente online)? Uma boa questão para pensar, não?