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  • Foto do escritorJORNAL PANORAMA SC

Mandioca: Valores e demanda em alta mantém a cadeia produtiva animada

Por Eng. Agr. Dr. Eduardo da Costa Nunes




A manutenção e em alguns momentos a alta no valor pago aos produtores de raízes de mandioca, bem como aos produtos da indústria obtidos a partir desta matéria prima (farinhas, fécula e polvilhos) desde a safra anterior, colhida a partir de janeiro de 2022, faz com que as perspectivas para esta próxima safra sejam bastante promissoras.

Aliás, expectativa que vem sendo confirmada desde janeiro deste ano, com muitos produtores antecipando a colheita de lavouras de produção de segundo ciclo (dois anos), aproveitando os preços recordes.

Valores registrados aproximados permitem estimar que os valores pagos aos produtores tiveram elevação acima de 70% no valor da tonelada comercializada, quando comparamos os dados de janeiro de 2022 aos praticados mais recentemente.

Os valores praticados em janeiro de 2022 em Santa Catarina giravam em torno de R$ 600,00 a 700,00, sendo que em alguns momentos de alta demanda acima destes patamares e que atualmente estão acima de R$ 1.000,00 a tonelada.

Esta realidade não se restringe somente a Santa Catarina, mas é realidade também nos maiores centros produtores de mandioca.

A exemplo do Paraná, onde segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) há registros que indicam um aumento de 77% no valor da tonelada da mandioca, sendo que em janeiro de 2022 a tonelada era comercializada a R$ 603,00 na média e mais recentemente estava sendo vendida a R$ 1.080,00.

A explicação para este fato (valores mantidos e/ou em elevação), se restringe ao mais simples entendimento de economia associado ao balanço entre “oferta e demanda”.

Para entendermos esta dinâmica, vamos aos fatos que tem causado desequilíbrio nesta balança e permitido a manutenção dos preços elevados e/ou em crescimento:

Nas últimas duas safras, a ocorrência de eventos climáticos (estiagens, geadas e mais recentemente, no segundo semestre de 2022 o prolongamento do período com temperaturas reduzidas e excesso de chuvas) prejudicaram a produtividade dos cultivos aptos a colheita, bem como o plantio e crescimento das plantas em novas áreas.

Desta forma, os produtores para reduzir os riscos de perdas, na sua maioria reduziram as áreas plantadas e em muitos casos optaram por usar suas áreas de cultivo com culturas aparentemente mais lucrativas, como milho e soja.

Estes fatos, em maior ou menor grau, tiveram como consequência imediata uma redução bastante significativa da oferta de raízes produzidas e obviamente de produtos comerciais obtidos a partir da polpa destas.

Por outro lado, a demanda e disputa das indústrias pelas raízes produzidas, que já tinham atingido patamares elevados e recordes na últimas safras, permanece e provavelmente continuará em crescimento para as próximas safras.

Mesmo se considerarmos que ocorra um pequeno aumento de área de plantio, tem-se hoje uma demanda muito forte de matéria-prima (raízes), sendo que a disponibilidade de mandioca não somente em Santa Catarina, como em todo Brasil deverá ficar abaixo das expectativas dos agentes do mercado, apara atender as demandas associadas tanto ao consumo de produtos no mercado interno, bem como pela conquista e expansão de alguns mercados internacionais de exportação.

Este cenário nos permite intuir que os preços deverão se manter nestes patamares, considerados elevados, por pelo menos mais esta safra, tanto para o produtor que entrega suas raízes à indústria, quanto para os produtos derivados da indústria que chegam aos consumidores.

Em resumo: com demanda fortalecida e disputa na procura pelas raízes produzidas, mesmo considerando um aumento considerável no volume de colheita antecipada por parte de alguns produtores, permanecerá uma oferta limitada de raízes e de seus produtos derivados (farinhas, fécula e polvilhos), consequentemente haverá pouco espaço para quedas significativas nos preços de entrega da raiz pelos produtores à indústria e dos produtos derivados de mandioca ao consumidor, que também terão sua produção limitada a atender minimamente o mercado doméstico, com poucas possibilidades de aberturas de novos mercados internacionais.


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