Imigraçao italiana - catarinenses querem o pioneirismo da vinda de imigrantes


Uma lei federal sancionada em 2018 pelo ex-presidente Michel Temer, conferiu ao município de Santa Teresa-ES o título de “pioneiro da imigração italiana no Brasil” e deu início a um debate entre as comunidades italianas de Santa Catarina e do Espírito Santo.

A lei, de autoria do deputado federal Sérgio Vidigal (PDT-ES), foi contestada pelo historiador Paulo Vendelino Kons. Segundo o brusquense Kons, 132 imigrantes católicos trazidos pelo então Reino da Sardenha chegaram ao Desterro em 1836, fundaram a primeira colônia de italianos no Brasil, denominada “Colônia Nova Itália”, localizada no Vale do Rio “Tijucas Grande”, hoje município de São João Batista, a 74 quilômetros de Florianópolis. Já o o início da colonização italiana no Espírito Santo ocorreu 37 anos e 11 meses após, em 21 de fevereiro de 1874, quando o navio La Sofia chegou no porto de Vitória, com 388 camponeses trentinos e vênetos. Desde esta contestação, uma batalha vem sendo travada para que Santa Catarina fique com o título de pioneira da imigração italiana.

Na sexta-feira da semana passada 19/02, uma comissão formada pelo historiador Paulo Vendelino Kons representando também Associação dos Descendentes e Amigos do Núcleo Pioneiro da Imigração Italiana no Brasil, o secretário de Desenvolvimento e Meio Ambiente de São João Batista- Plácido Vargas e o jornalista Daniel Rufatto estiveram em Curitiba, no consulado italiano, pedindo apoio ao cônsul Salvatore Di Venezia para que a história seja reescrita.

Mas, talvez, esta discussão ainda leve muitos anos para mostrar um veredicto. Isso porque historiadores italianos, a exemplo de Renzo Maria Grosselli, explicam que tanto o grupo que chegou a Santa Catarina em 1836 quanto os que chegaram no Espírito Santo em 1874 não eram verdadeiramente italianos juridicamente. Os que vieram para o sul brasileiro eram pertencentes ao Reino da Sardenha numa época em que a Itália não existia como um país unificado. Os que foram para o sudeste do Brasil eram tiroleses que chegaram em território brasileiro com passaportes austríacos.Enquanto o mérito é discutido, Santa Catarina vai em busca de apoio junto aos órgãos ligados ao setor, a exemplo do Comites – Comitato degli Italiani all’Estero, bem como da classe política brasileira.