Estiagem pode trazer racionamento de água em Urussanga

Reserva do Rio Maior já está sendo usada para compensar falta de água na represa de Rancho dos Bugres


Represa em Rancho dos Bugres- Urussanga


Em entrevista à reportagem de Panorama SC na manhã dessa quinta-feira 16/4, o Diretor do Samae de Urussanga- Filipo De Brida, informou que a situação doabastecimento de água potável em Urussanga é gravíssima e exige a colaboração da população para que se possa evitar o racionamento caso persista a estiagem que castiga o Sul do Brasil desde o ano passado. Segundo Filipo, “ nós estamos passando por uma situação grave de estiagem. Hoje, estamos operando com a nossa ETA- Estação de Tratamento de Água de Urussanga por 24 horas, uma situação que consideramos muito grave. Estamos usando hoje, para se ter uma idéia, 70% da água para ser tratada e distribuída já vem do manancial de Rio Maior, o qual não nos oferece uma boa vazão como era o seu normal. Diminuiu bastante. Antes trabalhávamos com 50 litros por segundo e agora estamos com 30% para dar conta da cidade. Então, pedimos encarecidamente que toda a população contribua na redução do volume de água a ser utilizado em suas casas e usem conscientemente esse recurso porque a situação é muito grave e nós não queremos que aconteça um racionamento na cidade e nas localidades onde o Samae atende. Vale ressaltar que a falta de água é para todos, em Santana, Rio Carvão, Rio Salto, Belvedere e até onde há poços como Rio Maior e Santa Luzia também estão passando por grave situação” explicou Filipo ao acrescentar que “ as represas estão abaixo do nível, não está mais passando pelo vertedouro, e o nívels das barragens estão em seus crivos. Os crivos são onde estão as tubulações para a captação da água” concluiu o Diretor do Samae urussanguense.


Futuro do abastecimento passa por ampliação do armazenamento e reutilização de água


Resultado da ação humana, seja na extração do carvão mineral, no mal uso do solo pelas atividades do campo ou aumento das áreas reservadas para habitação humana sem os devidos cuidados com a produção do esgoto e lixo, a Região Carbonífera está cada vez mais próxima do “the end” nesse filme de escassez de água, cujas gravações iniciaram ainda na colonização das cidades no século XVIII. Embora se viva num estado cujo o clima predominante é subtropical e os índices pluviométricos são relativamente elevados e bem distribuídos no decorrer do ano, a verdade é que as estiagens prolongadas já causaram muitos prejuízos aos produtores do Estado e não poucos racionamentos de água no sistema de distribuição para a população. Para se ter uma noção, em 2005 o Sul do Brasil amargava a falta de água e era manchete em jornais de circulação nacional com os aviões que produziam chuva no Oeste catarinense. O mesmo aconteceu em 2012 quando, em matéria veiculada na Veja, soube-se que o prejuízo provocado pela seca em Santa Catarina girava em torno de 500 milhões de reais e 80 municípios decretaram situação de emergência, com 489.814 pessoas afetadas pela estiagem. Em 2017 a estiagem ganhava destaque nas manchetes e agora em 2020 volta a assombrar os catarinenses e, em especial, os moradores de uma das regiões mais poluídas do Brasil: nós. Enquanto o trabalho de despoluição dos mananciais existentes não acontece e parece nem estar na pauta das ações governamentais, o caminho para um futuro seguro no abastecimento de água potável à população parece seguir a direção da ampliação do armazenamento desse precioso líquido. A nível regional, poderia ser exigida a reutilização da água em edifícios e condomínios e, a nível municipal, é hora de começar a pensar em barragem para o ainda despoluído Rio Maior e incentivar a popularização do armazenamento das águas da chuva, tanto nas residências urbanas quanto na área rural.