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  • Foto do escritorJORNAL PANORAMA SC

Dr. Giacone - primeiro médico a fixar residência em Urussanga será homenageado


Na foto acima, da esquerda p/direita: Privato Damian e Dr. Giacone


Na sessão da terça-feira 9/06, o vereador Marcos Roberto Silveira afirmou que, quando assumiu a Secretaria de Saúde em julho de 2019, um dos compromissos assumidos pelo Prefeito Gustavo Cancellier foi construir uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no centro da cidade para atendimento principalmente de idosos e pessoas com algum tipo de dificuldade de locomoção.

De acordo com o Vereador ficou definido que um casarão público e centenário em frente a Secretaria da Agricultura, na Avenida Presidente Vargas, no centro da cidade, era o local ideal para a nova UBS, que passará a contar com consultório médico, sala de enfermagem, cozinha e banheiro com adaptações para acessibilidade desafogando outros postos de saúde.

Essa edificação faz parte da história de Urussanga, tendo servido inclusive de presídio em determinada época, com histórias bastante engraçadas armazenadas nas entrelinhas do tempo.

Segundo Marquinhos, o projeto de revitalização arquitetônico vai preservar as características históricas com ampliação das instalações nos fundos do prédio.

O Vereador informou que o sistema de saúde possui 21.000 pessoas cadastradas, com média de quase três mil para cada Unidade Básica, sendo necessário um novo zoneamento e redistribuição da população.

A nova UBS no cento da cidade vai se chamar Doutor Vitório Giacone em atendimento a sugestão dos proprietários do Jornal Panorama Sérgio Costa e Márcia Marques Costa.


Da história


Urussanga já era comarca, tinha jornal impresso, fábrica de vinho, mina de carvão, e farmácia no ano de 1927. Mas ainda não tinha um médico que pudesse ser procurado em sua residência em situação de emergência.

As pessoas que ficavam doentes, recorriam ao farmacêutico e, quando podiam pagar e as condições físicas permitiam, iam em busca de auxílio em centros maiores como Tubarão, Laguna e Florianópolis, em viagens desconfortáveis e longas.

Quem não podia se dar a esse luxo, ia se tratando com os remédios disponíveis e aguardando a visita de algum médico que, esporadicamente, passava por Urussanga.

Por isso o mês de agosto de 1927 foi de grande festa para os urussanguenses: chegava o médico italiano Dr. Vittorio Giacone para morara na cidade.

Segundo a escritora Marcia Marques Costa em seu livro Tanti Anni Dopo, “no dia 27 de agosto de 1927, quando Dr. Vittorio Giacone chegava a Urussanga para fixar residência, foi chamado às pressas para atender o imigrante Ferdinando Bettiol, o qual se encontrava gravemente doente e veio a falecer.

Dr. Giacone, como passou a ser historicamente conhecido, saiu de sua longínqua Itália trazendo na perna uma bala de arma de fogo (resultado de sua participação em uma batalha na 1ª Guerra Mundial) e deixando para trás o seu grande amor- Michelina.

Depoimentos de urussanguenses que vivenciaram essa época, dão conta de que Michelina era casada quando conheceu Dr. Giacone. Ambos se apaixonaram e, quando Michelina soube que ele viria embora para o Brasil, prometeu que logo estaria com ele.

E realmente veio.

Dr. Giacone e Michelina (Lina) viveram em Urussanga por quase seis anos, trazendo tranquilidade para a população, que podia contar com um médico que chegava rapidinho com sua moto ou seu cavalo.

E isso era uma grande conquista para uma comunidade que recebia esporadicamente a visita de um médico e que, nas emergências, precisava colocar o paciente em uma carroça para levá-lo a Pedras Grandes, de onde pegava o trem até Tubarão.

Em 1933, o médico resolve voltar a Itália para fazer uma cirurgia para retirar a bala da perna. Chegando em Turim-IT, no dia 26 de setembro, o ex-marido de Michelina vai ao seu encontro e lhe dá o tiro fatal. Morre o médico tão amado por Lina e por todos os urussanguenses.

Desse homem, que saiu da Itália para viver seu breve caso de amor em Urussanga, e que se doou pelos seus “contadini” nas horas mais difíceis, restou um respeito que permanece até os dias atuais, com a imagem do médico andando à cavalo com seu amigo Privato Damian, ou na lembrança de seu falecimento carinhosamente guardada pela neta de Ferdinando - Adélia Bettiol.

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