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  • Foto do escritorJORNAL PANORAMA SC

Chapam - indústria urussanguense é homengeada na Câmara


Na noite da última terça-feira 31/05, a Câmara de Vereadores de Urusssanga prestou uma homenagem a empresa Chapam Motopeças que, neste mês de maio, completa 83 anos de atividades.

Representando a Família na cerimônia, Jaimar Meneghel foi quem recebeu a Moção de Aplausos das mãos do vereador proponente da honraria - Fabiano De Bona.

Em seu pronunciamento, Fabiano enalteceu o arrojo da família Meneghel que, há várias gerações, vem investindo na cidade de Urussanga e atualmente é uma referência neste setor a nível estadual e também nacional.

Jaimar, em seu pronunciamento, agradeceu a homenagem recebido do Poder Legislativo e fez um relato da história da família Meneghel e da Chapam Motopeças.


DA HISTÓRIA


A família Meneghel iniciou sua história no Brasil com a vinda do imigrante Giovani Batista Meneghel, oriundo da aldeia de Cison de Valmarino, província de Treviso, norte da Itália, vindo com a primeira leva que se estabeleceu no sul de Santa Catarina em 1878, em especial Urussanga.

Em terra recém demarcada pelo governo imperial, Giovani foi designado para ocupar terras situadas ao longo do Rio Urussanga na região conhecida por São Pedro de Urussanga Baixa.

De origem trevisana, Giovani teve seus filhos aqui e, entre eles, Giorgio (Jorge) Meneghel, que viria a ser o pai de João Meneghel, fundador da futura Chapam.


O fundador



JOÃO MENEGHEL, filho de Jorge Meneghel e de Petronílla Teodoro Zanivan, nasceu em Urussanga Baixa, hoje São Pedro, município de Urussanga em 7 de novembro de 1906. Realizou seus estudos primários na Escola Pública Estadual de São Pedro. Em 1928 e 1929 prestou seu serviço militar no 14º Batalhão de Caçadores em Florianópolis, (14º B.C). Casou com Maria Frasson em 22 de junho de 1932 e desta união tiveram os filhos Jahir, Jorge Jaime, Agenor, Petronillia Zenir, Darci Maria e Everton Luiz

João Meneghel, aos 20 anos de idade. sonhava em ter uma atividade extra, alem da agricultura, e então floresceu a veia metalúrgica dos antepassados na Itália. Com o auxilio do pai e dos irmãos, construiu uma pequena ferraria na localidade hoje chamada de Linha Espanhola atendendo as necessidades dos agricultores pela dificuldade de conseguir as ferramentas necessárias ás atividades agrícolas e pecuárias. Toda movida pelas águas do rio Cocal, finalizou e inaugurou em 1º de maio de 1939 uma ferraria agrícola. O senhor João Meneghel não foi feliz com o empreendimento visto que neste mesmo ano explodiu a Segunda Guerra Mundial na Europa e a matéria prima que era o ferro e o aço, se já estava ruim, ficou muito pior visto que todo o aço consumido pelo Brasil era importado da Europa.

Foram tempos difíceis que se seguiram. O senhor João quando necessitava de aços tinha que comprar em Laguna-SC e as vezes retirar de navios afundados na costa. Ele se especializou-se em ferramentas agrícolas e foi assim até 1978 quando mudou o segmento para a linha automotiva, em especial as motopeças.

Mas na década de 1950, já superando as dificuldades de matéria prima e a normalidade da paz mundial com o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, sentindo a necessidade de ampliar os negócios e se posicionar em uma região mais estratégica, o senhor João Meneghel decidiu se estabelecer a pequena industria nas cercanias de Urussanga, mais precisamente no Bairro De Villa, mas tinha tudo por fazer, desde estradas e acessos diversos e com uma dificuldade muito grande pela falta de máquinas, foi decidido represar o rio Urussanga, desviando por um valo paralelo ao rio, tudo feito na pá, na picareta, no carro de boi, no carrinho de mão, um desvio de aproximadamente 500 metros com leito rochoso e tudo mais o que o solo pudesse apresentar de dificuldades.

Conseguido superar essas primeiras dificuldades que a natureza apresentava então foi a vez de reconstruir a pequena indústria novamente movida pela energia hidráulica, agora por um volume de água maior, naquela época, pois hoje seria totalmente inviável pois a natureza está totalmente modificada visto que o volume de água atual é irrisório para mover qualquer roda d’água.

Outro grande entrave na pequena indústria foi referente a estradas que não existiam. Com um pouco de auxilio do poder público municipal, um projeto de estrada que margeasse a margem esquerda do rio foi construído o que viria a ser a futura hoje Avenida Longarone.

Então, já em meados do ano 1950 com as estruturas já montadas e continuando na fabricação de ferramentas agrícolas, o senhor João Meneghel, agora com a participação dos filhos Jahir, Jorge e Agenor Meneghel iniciou a fabricação de arados e carpideiras movidas por força animal, o que muito alavancou o empreendimento chegando a exportar para as regiões de Laguna e Florianópolis SC na década de 60, o que já foi um avanço. Ia tudo bem, até que houve a mecanização agrícola. A chegada dos tratores trouxe para a agricultura um avanço considerável pois a agilidade na plantação deixou os agricultores encantados. Então houve o declínio e a extinção gradativa do arado puxado por bois e das ferramentas agrícolas. Tudo que a empresa produzia artesanalmente foi decaindo uma vez que o mercado começou a suprir vindo de outras regiões do país, claro, preços melhores e em escala industrial.

Então, em 1978, o sr. João Meneghel e filhos tiveram a ousadia de investir na recém instalada indústria motociclística no Brasil, pela HONDA e YAMAHA inicialmente, em 1976, e visando suprir uma demanda de peças de reposição iniciou gradativamente nesse ramo e a empresa hoje é referência em qualidade de motopeças. Já bem conhecida no mercado interno nacional e uma marca já consolidada, a empresa iniciou um processo de registro da marca CHAPAM junto ao INPI-Instituto Nacional de Propriedade Industrial, do Ministério da Industria e Comercio.

Após 10 anos de trâmites, enfim, em 31 de dezembro de 2009 obteve em definitivo o registro da marca, que é um marco para uma empresa pela dificuldade que é um registro desse. Os produtos da marca CHAPAM hoje são sinônimo de alta qualidade no mercado de reposição. Atualmente a indústria trabalha com nove marcas de motocicletas sendo HONDA, YAMAHA, SUZUKI, BMW, TRIUMPH, KAWASAKI, DUCATI, DAFRA E SUNDOWN , além de peças sob encomenda.

A HONDA representa 70% das vendas, seguida pela YAMAHA.

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