Bocha na grama - uma tradição que sobrevive pelos campos do interior


Trazido pelos imigrantes italianos, o jogo de bochas tornou-se uma distração para as famílias que residem nas áreas interioranas e que, por muitos anos, tinham neste esporte a única forma de se reunir com amigos nos finais de semana.

Diferente da prática de futebol, que exige agilidade e boa forma física para correr em campo disputando uma bola durante 90 minutos seguidos, a bocha é um esporte mais suave e democrático, permitindo que seja praticado por crianças, jovens e até idosos e pessoas com deficiências físicas.

Em Urussanga, é difícil não ter uma cancha de bocha nos centros comunitários das capelas ou sedes de associações comunitárias, onde são promovidos campeonatos.

Mas há uma outra modalidade de bocha que se tornou tradição e reúne amigos de Urussanga e região todos os anos para disputas nos finais de semana. Trata-se da Bocha na Grama, ou Bocha do Campo.

Diferente da jogada em canchas de areia, a bocha de grama acontece ao ar livre, em pastos de propriedades rurais e a tradição vai passando de geraão em geração.

Um exemplo disso é o urussanguense Wilson Cittadin que, em entrevista à reportagem de Panorama, disse: “meu pai hoje está com 82 anos e começou a jogar bocha de grama ainda criança. Eu fui levado por ele para este esporte e iniciei aos 16 anos, quando faltou um jogador e eu fui substituí-lo” explicou Wilson ao acrescentar que cada Equipe tem seu Presidente, que é a pessoa responsável por entrar em contato com as demais equipes para organizar as datas dos jogos.

“Em Rio Salto, onde resido, o presidente da nossa equipe é Ricardo Bonetti. Então, ele conversa com os presidentes de outras equipes em Urussanga e municípios vizinhos para organizar as datas e locais dos jogos. Nós, na verdade, somos como uma grande família, que cultivamos a amizade e mantemos a tradição da bocha de campo.

A única recompensa nestes jogos é o almoço. Quem ganha come de graça e quem perde paga a conta. Isso serve até de estímulo para fazer jogadas calculadas e criar estratégias para vencer o jogo que, normalmente, é em duas etapas.

Só para ter uma noção do que é o gosto por este esporte, basta dizer que nós temos o senhor Joventino Pravato que, com 79 anos ainda joga e ensina as novas gerações. Outro exemplo é um amigo de Rio Maina - o José Scaini, que há mais de 20 anos vem para Urussanga jogar. E neste tempo todo ele só faltou um jogo porque precisou fazer uma polenta em evento comunitário de sua cidade.” afirmou Wilson.

Atualmente a disputa está acontecendo entre as equipes de Urussanga, Armazém/Isaía, Pirago, Linha Rio Maior, Rio Salto, Rio Carvão, Coxia Rica, Rancho e Goti/ Armazém. De municípios vizinhos participam uma equipe de Oratório- Lauro Muller, uma de Morro da Fumaça e outra de Içara.