Barão - oito décadas moldando o futuro


No ano em que Urussanga comemora as oito décadas da Escola de Educação Básica Barão do Rio Branco, uma equipe formada pela diretora Simone das Graças Nogueira Feltrin, os assessores de direção Bruna de Fátima Goulart Miot e Juliano Carrer e mais 60 colaboradores, são os responsáveis pelo bom funcionamento do ambiente que abriga 681 alunos entre 6 e 18 anos que frequentam os cursos de ensino fundamental e médio nos períodos , matutino, vespertino e noturno.

Segundo a diretora Simone, atualmente há vários projetos sendo desenvolvidos pela escola e que vem merecendo destaque na AMREC, obtendo parcerias com universidades como UNESC, UNIBAVE e empresas.

Entre eles, podemos citar:


EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: O referido projeto está sendo desenvolvido desde o ano de 2013 com o Ensino Médio, implantando, organizando e conscientizando a comunidade escolar sobre a importância de zelar pelo patrimônio cultural material e imaterial, especificamente o seu patrimônio educativo e, neste caso, o patrimônio da Escola de Educação Básica Barão do Rio Branco, em função do seu significado para a cidade e região. Neste projeto, busca-se envolver funcionários/as, professores/as e alunos/as na preservação da história e da memória da escola, tendo como professora responsável Juliana Geraldi Yamaguti.

Desde 2017, existe a parceria com a Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC, por meio do Grupo de Pesquisa História e Memória da Educação – GUPEHME e Centro de Memória e Documentação - CEDOC a fim de conhecer, catalogar, classificar, organizar, higienizar, guardar e preservar o acervo escolar referente ao arquivo permanente/histórico, contando inclusive com uma bolsista pelo Programa de Iniciação Científica Jr, do CNPq da Escola Barão do Ensino Médio. O Centro de Memória e Documentação (CEDOC) da Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC), por meio da equipe que atua no Laboratório de Documentação, Conservação e Restauro, ofereceu oficinas para professores e estudantes, a fim de sensibilizar a comunidade escolar a respeito da importância da guarda, conservação preservação dos documentos que fazem parte dos arquivos escolares.

Em 2017, foi implantado o Centro de Memória EEB Barão do Rio Branco, espaço que abriga o acervo permanente/histórico da escola e configura-se como um local de pesquisa e de preservação da memória e do patrimônio escolar, tendo salvaguardado em seu acervo os fundos documentais do Grupo Escolar Tibúrcio de Freitas e da SLE, além do fundo documental da EEB Barão do Rio Branco. Através do Centro de Memória EEB Barão do Rio Branco a comunidade escolar está conhecendo sua própria história através dos documentos históricos, pois há registros do dia-a-dia das atividades da escola; que são “pistas” para se compreender, por exemplo, como era a estrutura, a que tipo de público atendia, qual era o perfil do corpo docente e dos funcionários, disponibilizando-os à consulta de pesquisadores, estudiosos e interessados em geral, além de preservar a memória da escola urussanguense e catarinense.


BARÃO SUSTENTÁVEL: O projeto Barão Sustentável busca sensibilizar todos para com o cuidado do patrimônio escolar, o consumo consciente dos materiais de limpeza e de papelaria, bem como, da água e energia elétrica. Neste sentido, implantamos a horta escolar, no ano de 2016, na qual os pais dos estudantes de 1º ao 5º ano preparam os canteiros, para que seus filhos possam plantar, colher e levar as hortaliças e legumes para a casa, incentivando a agricultura familiar. Em 2019, através deste projeto, com aula prática na horta, a professora Bruna de Fátima Goulart Miot, recebeu o Prêmio Educador Elpídio Barbosa, que tem por objetivo, reconhecer boas práticas para a melhoria da qualidade da educação de SC. Atualmente a horta possui alface, aipim e laranjas. Tem como professoras responsáveis: Sabrina Zanin e Bruna Miot.


LENDO NO BARÃO: Este projeto está sendo desenvolvido em toda a Unidade Escolar, na qual a leitura é fundamental para o conhecimento. Ler é muito mais que viajar nas palavras. É viajar na imaginação! Assim os estudantes da escola estão sendo protagonista da própria história. Professora responsável Janete Sorato Martins Benincá.


EMPREENDEDORISMO: O projeto de Empreendedorismo & Qualidade de Vida iniciou este ano (2021) e tem como objetivo realizar a “Feira de Produtos e Serviços”, e promover nos discentes o espírito do empreendedorismo, valorizar os produtos do meio rural e incentivar a cultura local, além de fomentar a importância da alimentação saudável. A feira possibilitará que os alunos valorizem o processo de cultivo e plantação e vivenciem a experiência do empreendedorismo das vendas de seus próprios produtos e oferta de serviços. Nesse âmbito propõe-se a partir deste projeto, que aborde-se de forma interdisciplinar a disciplina de língua portuguesa a partir dos conceitos textuais e estruturais sejam contemplados, a disciplina de história, arte, matemática e inglês (definir objetivos por área) onde o objetivo é colocar nossos alunos como protagonistas em todas as ações e proativo ao produzirem seus produtos e terem a responsabilidade de terceirizá-los. Conclui-se, portanto, a importância dos os discentes estarem diretamente ligados ao projeto em todas as etapas, imersos em meio às instruções da EPAGRI acerca dos processos de pós-colheita e embalagem, compreendendo as possibilidades financeiras por meio das palestras da CRESOL e incentivados por meio das palestras de empreendedorismo que acontecerão no decorrer do ano. Destaca-se que o projeto tem como objetivo a ampliar a capacidade empreendedora que é dos próprios discentes produzirem e comercializarem seus produtos, além da experiência de cultivar, plantar, regar e adubar em contato direto com a terra e o campo. Ato tão simples, mas que é rarefeito nos dias atuais. Além disso, busca-se por meio desta ação, gerar em nossos discentes a reflexão acerca de alimentação saudável e dos malefícios que podem causar a ingestão de agrotóxicos, e como isso afeta a saúde do ser humano de forma direta.

O pensamento de se ingerir aquilo que é produzido sem inúmeros processos agrotóxicos, reflete em uma vida muito mais saudável a longo prazo, além de que, realizar o processo de ensino-aprendizagem fora da sala de aula, ajuda no desenvolvimento da capacidade de trabalho em grupo e viabiliza o contato direto com o meio ambiente em diversos aprendizados com aulas de campo sobre educação ambiental. Tem como professora responsável Isabella Lunardi.


UVA GOETHE NO BARÃO

Dentro do espírito de preservar os bens materiais e imateriais da cultura local, a professora Sabrina Zanin criou um projeto que incluiu o plantio de videiras do tipo Goethe dentro do espaço escolar. Além do plantio desta espécie que é simbolo do Vale da Uva Goethe, do qual o município de Urussanga faz parte,também são repassados aos alunos técnicas de manutenção e poda, além de conhecimentos referentes à produção de vinho e a importância da certificação geográfica conseguida para este produto.


LIBRAS EM SALA DE AULA

LIBRAS é a língua materna da pessoa surda. No Barão temos a professora instrutora surda Luana Thomaz que leciona de 1º ao 5º ano, uma vez por semana ensinando língua brasileira de sinais, além de atender os alunos surdos da região. LIBRAS, ainda não, uma disciplina curricular, por isso em nossa escola é um projeto que tem por objetivo, a inclusão escolar coordenado pela Orientadora Educacional Talita Cechinel Zanette e pela Assessora de Direção Bruna Miot.


Entrevista


Neste momento de comemoração, Panorama SC entrevista a diretora da escola Barão do Rio Branco - Simone das Graças Nogueira Feltrin, para saber como ela está vivendo esta data tão especial para toda a comunidade.


Panorama SC: Diretora, como foi entrar para a Família Barão e hoje estar dirigindo esta instituição em momento tão especial?

Simone: Eu me efetivei no Barão em 2003, como professora de Educação Especial para lecionar aos alunos surdos, saber e ensinar LIBRAS (língua brasileira de sinais) sempre foi, e continuará sendo um desafio para nós ouvintes, porque aprender a falar, a ler, a escrever e a contar é, com certeza, o desejo de todas as crianças e aspiração de todos os pais. Será que nós estamos preparados para a inclusão? São várias as questões, dúvidas e incertezas que envolvia o meu trabalho, e confesso que não havia aspiração para ser Diretora Geral. Meu caminho foi trilhado por pessoas do bem, que perceberam em mim, o espírito de liderança, incentivaram-me e ensinaram-me a valorizar a escola pública e de qualidade: Barão do Rio Branco. Escola, colégio, educandário, Barão, sim Barão. Um dos desafios era mostrar para a comunidade escolar o meu trabalho, pois o fato de não ser natural de Urussanga, chamava a atenção das pessoas, entretanto, me tornei uma Urussanguense de coração, casei e aqui constitui a minha família, já se passaram 22 anos.

Fui acolhida como filha pela família Feltrin. Escolhi viver neste município, com inúmeros potenciais, e o que mais me chama atenção são os casarões, nele há muitas histórias e memórias que devemos valorizar e ensinar aos estudantes que não são velhos, e sim históricos. Mas, como cheguei à gestão do Barão? Fui assessora de direção, de Lisiane Marley Bonetti Fenili e Joselane Vicentini, na qual tenho gratidão pelos ensinamentos recebidos. Posso aqui nomear inúmeras pessoas que me apoiaram para conquistar a Direção, dentre elas, em especial a professora Maristela Fabro, Josiane Savi Mondo Back, Daniela Piacentini e Sabrina Zanin. Em 2017, foi o ano em que decidi ser Gestora da escola, abri mão de ser professora universitária e do doutorado.

Mas como na minha vida, nada vem fácil, o pedido para eu assumir a direção foi negado, por eu ter participado de movimento de grave dos trabalhadores em educação, em 2015. A comunidade escolar foi às ruas, se mobilizou, chamou atenção da mídia local e regional. E eu fui à justiça, e os advogados provaram que este direito legal e incontestável do movimento grevista, jamais deveria ter sido empecilho para assumir a direção, e o resultado saiu junto com a eleição de diretores. Assim fui eleita pela comunidade escolar e garantida pela Justiça.


Panorama SC: E hoje, o que falar deste momento de luta de toda uma comunidade escolar?

Simone: Foi um processo árduo para mim, minha família e pessoas da comunidade escolar que me apoiaram e permanecem ao meu lado até hoje. Só eu sei o que ouvi e senti, e quantas vezes, eu pensei em desistir, mas estou aqui, eleita pela segunda vez para continuar Gestora desta escola, que tenho orgulho das gerações que foram educadas e das vidas que foram transformadas.

Estou finalizando o quarto ano de gestão, de 400 estudantes fomos para 681, que frequentam regularmente a escola, em tempos de pandemia. São mais de 60 colaboradores que trabalham arduamente no Barão, dentre eles temos 48 professores, 2 assistente de educação, 2 vigilantes, 3 serviços gerais, 2 coordenadores, 2 assessores e uma orientadora. Em uma das atividades de Pod Cast com estudantes do Ensino Médio, me perguntaram se algum dia imaginou estar na direção da escola? Sinceramente, não. A Gestão veio ao meu encontro, esta liderança que hoje me permeia veio dos meus pais, que deixaram Minas Gerais, há mais de 50 anos, com poucos recursos, nos criaram em Orleans, fizeram de tudo para que os seis filhos estudassem e fossem funcionários públicos, e todos são, escolheram Educação, Saúde e a Polícia Militar.

E estou contando isso, para mostrar um pouco da gestora Simone, Mestre em Educação, que entrou no Barão pela primeira vez, numa festa junina e ficou encantada pelo doce de mamão. Quem diria, que o Barão ao completar 80 anos, eu estaria da direção.


Panorama SC: Depois dos 80 e diante de tantas mudanças, o que a senhora acredita que acontecerá com a escola Barão?

Simone: Fico pensando no que dizer ou escrever, e a certeza que tenho é que o Barão é um espaço de aprendizagens significativas para crianças, adolescentes e jovens, que almejam o conhecimento, fundamentados nos valores humanos e no respeito às diferenças. E o que esperar do Barão depois dos 80 anos? Muita educação e manutenção para que sua estrutura de 1941 não seja tomada pela modernidade, esquecida da sua conservação, tradição e história. Fica difícil falar para além dos 80 anos, podemos apontar para a próxima década, a implantação do Novo Ensino Médio, jovens protagonistas de suas ações. Mas, por mais tecnologias e laboratório que tenhamos, nada substitui a presença do professor em sala de aula, esta experiência vivemos na pele em 2020, ano em que nos distanciou em função da pandemia Covid-19. Quanto medo houve, e quantas crises de ansiedade hoje têm.

Quantos filhos órfãos, quantas famílias sem filhos.

E, um dos ensinamentos foi para nos mostrar, que o carinho que nos afaga, faz muita falta.

Quando assumimos o compromisso com a gestão um dos pedidos, sempre foi à climatização da escola, e posso afirmar que está concluída. E melhorias do ginásio, quadra e iluminação, concluídos. E os banheiros, em funcionamento, escola pintada, limpa, forro de PVC, quadros de vidros e outras melhorias vindas. Ter estrutura é excelente, só que excelente mesmo é a Equipe Barão do Rio Branco, que em sala de aula ensina pra valer, demonstra que o pedagógico é de qualidade. E a nossa horta, premiada! E a nossa uva Goethe, já haverá colheita! E as nossas árvores frutíferas, haverá muitos frutos. Ah, e os livros de literatura, muitos! Não fiz nada sozinha, sempre com muitas mãos, ideias e atitudes de correr em busca do que é melhor para os nossos estudantes, centro de nosso trabalho educacional. E o recurso financeiro, do Governo Estadual e Federal, recurso próprio da APP e doações de empresas e cooperativas. Como gestora, posso afirmar que nossos estudantes possuem orgulho de ser Barão, possuem pertencimento, e demonstram que juntos formamos uma família, a Família Baronesa. Como presente de 80 Anos, seremos premiados através da pequena Isis, que mostrou no seu desenho a honestidade escolar, o Barão. Queríamos festejar no ambiente escolar, os 80 anos, mas não podemos, há um plano de prevenção do Covid-19 e temos que cumprir, rigorosamente.


Panorama SC: E, finalizando, qual sua mensagem?

Simone:Minha mensagem é de agradecimento e incentivo.

De agradecimento a Deus que sempre foi o primeiro de tudo em minha vida, aos meus familiares que me apoiam e me dão força nesta jornada de tanta responsabilidade, a todos os profissionais que estão ao meu lado trabalhando, criando, discutindo ideias e fazendo do Barão e da Família Baronesa o objetivo maior. A toda a comunidade que sempre apoia nossas iniciativas e também luta por conquistas para todos.

E de incentivo na busca pelo aprimoramento constante. A educação transforma o mundo, é legado para a vida e, quando for comemorado o centenário de fundação da escola Barão do Rio Branco, um pedacinho de todos nós se fará presente para testemunhar nosso desejo de trabalhar pela comunidade e seu futuro.