Agricultura - pouco apoio, mão de obra cara e sem terras agricultáveis para ampliar produção

Presidente do Sindicato dos Agricultores diz que é preciso união das entidades e órgãos públicos para definir futuro da agricultura em Urussanga




Num país com dimensões continentais e com um clima que favorece a produção agrícola, não é de estranhar que o Brasil esteja entre os maiores produtores de alimentos do mundo e seja um dos que trazem a esperança de garantia alimentar para a humanidade no futuro.

Contando com órgãos públicos no apoio às pesquisas e implantação de novas técnicas e sistemas que garantem maior produtividade no campo, os agricultores continuam enfrentando dificuldades advindas não só das intempéries que podem acabar com a colheita, mas também com a interferência externa no custo de produção, em virtude da necessidade de aquisição dos insumos, peças e equipamentos agrícolas importados.

Nesta semana em que se comemoram duas datas importantes relacionadas a esta classe, o Dia do Colono em 25/07 e o Dia do Agricultor neste 28/07, Panorama SC entrevista o presidente do Sindicatos dos Agricultores e Agricultoras de Urussanga e Cocal do Sul - Adefonso Baesso.

Confira parte de entrevista.


Panorama SC: Quantas famílias vivem da agricultura em Urussanga atualmente?

Adefonso: Este é um número difícil de definir atualmente. Isso porque todos precisam ter bloco de produtor hoje em dia, seja agricultor, suinocultor,piscicultor, quem toca aviário ou é pecuarista, tanto de gado de leite quanto de corte. Acontece que alguns tem estas atividades como uma renda extra, não dependendo exclusivamente dela para tocar sua vida ou propriedade. Saber com exatidão requer um estudo, com números mostrando quem é quem, para definirmos quem é agricultor por profissão e seu único meio de sustento é o que produz e quem trabalha em seus sítios e propriedades rurais para diversificar investimentos, por distração ou para ganhar uma grana extra.


Panorama SC: Numa lista de cinco, quais são os produtos que se destacam neste setor?

Adefonso: Indiscutivelmente, o fumo hoje é o que puxa a agricultura e, mais que isso, que está conseguindo manter os agricultores em suas propriedades. E isso tem explicação. Acontece que a plantação de fumo pode ser feita em pequenos pedaços de terra e é um produto com preço garantido.

Outro ponto positivo para este destaque é que a mão de obra é quase sempre familiar, criando uma certa independência, principalmente porque a nossa mão de obra para o campo, além de ser cara, também está faltando. Ou melhor, não existe. Se o agricultor precisar contratar alguém, ele terá que pagar R$ 200,00 (duzentos reais) por oito horas trabalhadas. Então fica bem pesado. Em segundo lugar, eu diria que vem a fruticultura, tanto as frutas de caroço quanto as uvas. Depois vem a pecuária, com gado de leite e de corte, temos ainda as culturas de milho, trigo e feijão. Mas eu creio que, pelo menos até 2035, a fumicultura estará em primeiro lugar na produção local.

O agricultor até tenta inovar e implantar novas culturas, mas acontece que elas exigem grandes espaços de terra para compensar o investimento a ser feito no seu cultivo. E isso Urussanga também não tem!

Hoje está faltando terra agricultável e, se alguém tem algum pedaço que não está sendo utilizado, poder ver que não foi descoberto para ser arrendado. Então este é outro grande problema para os agricultores urussanguenses e mais outro forte argumento para que nossos agricultores continuem a produzir fumo.


Panorama: Além destas dificuldades apresentadas, o que mais desestimula o agricultor a ficar no campo?

Adefonso: Falando em termos de Urussanga, posso dizer que nosso agricultor tem muito pouco incentivo. Quase zero, se poderia dizer.

Da propriedade para dentro, não se viu mais nos últimos anos um apoio ao agricultor, um incentivo que o agricultor precise de melhoramento na propriedade. Antigamente era fácil ir na área rural e ver máquinas da prefeitura gradeando, arando, destocando, ajeitando a propriedade através de programas implantados pela administração municipal. Hoje o agricultor tem que se virar sozinho, e pronto!

Isso dificulta cada vez mais a vida do agricultor e acaba desestimulando as novas gerações a permanecerem nas propriedades rurais.


Panorama: O que você, como Presidente de um Sindicato e também como agricultor, pensa a respeito do futuro da agricultura em Urussanga?

Adefonso: Eu creio que para falarmos de futuro da agricultura em Urussanga precisamos pensar, sério e urgentemente, em reunir todos os segmentos que atuam neste setor para definição de ações, de metas a serem alcançadas e de programas de apoio que, no final, trarão retorno positivo não só para quem planta, mas também para todos os outros setores do comércio na cidade.

Nós temos Secretaria de Agricultura, temos Conselho de Desenvolvimento Rural, CIDASC, Epagri e Sindicato do Trabalhador Rural. Acho que devemos nos reunir e traçar metas, sintonizar os objetivos e lutar juntos para que este setor se fortifique.

Não podemos continuar assim. É preciso sentarmos, conversarmos, definirmos o que é melhor para Urussanga e para o futuro de todos.